Fachada do edifício tombado pelo Iphan - Foto: Divulgação
Fachada do edifício tombado pelo Iphan – Foto: Divulgação

Por Ana Ribeiro

O cruzamento da rua General Jardim com a Bento Freitas não deu origem à esquina mais famosa do Centro da cidade. Mas o edifício que a ocupa tem história suficiente para fazer a fama do endereço e transformá-lo em point obrigatório em qualquer tour da região.

O prédio de oito andares foi erguido entre 1947 e 1951 para abrigar o departamento de São Paulo do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil). Na ocasião, um concurso lançou o desafio arquitetônico e a proposta mais interessante foi o projeto modernista apresentado por um grupo encabeçado por Rino Levi. Anos depois, a construção teve seu valor histórico reconhecido por tombamento em todas as esferas.

Close da fachada do prédio - Foto: Divulgação
Close da fachada do prédio – Foto: Divulgação

Fabiane Carneiro, conselheira da diretoria do IAB, conta que o objetivo da atual gestão (2017-2019) é seguir a vocação do prédio e ativar sua ocupação, para atrair a população – e não apenas os arquitetos – com atividades públicas nos espaços coletivos. As novidades já estão aumentando e diversificando o fluxo de gente.

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A Central Galeria - Foto: Divulgação
A Central Galeria – Foto: Divulgação

No subsolo está instalada a Central Galeria, de Fernanda Resstom. O andar térreo foi ocupado pela lanchonete Z-Deli, que serve os hambúrgueres mais premiados de São Paulo.

Cercados de vidro e com varandas que dão para a rua, o primeiro andar e o mezanino são iluminados, arejados e versáteis. Dependendo da organização do espaço, acontecem ali exposições, palestras, debates ou aulas.

O prédio em foto de 1951 - Foto: Divulgação
O prédio em foto de 1951 – Foto: Divulgação

A cada terceira terça-feira do mês, as paredes se transformam na tela do CineCubo, com exibição de filmes seguida de rodas de conversa. A curadoria é de Nana Maiolini, e há também mostras de curadores convidados. “Temos uma programação mais ou menos definida, mas se aparece um tema muito em pauta no momento, com relação a assuntos da cidade ou àqueles referentes à própria profissão, fazemos um debate. A gente tem de escutar as pessoas”, diz Fabiane.

O prédio está em processo de restauro. A gestão anterior conseguiu parte do incentivo para iniciar os reparos mais emergenciais, e a atual procura parcerias para dar sequência às obras e resolver algumas questões técnicas de funcionamento. O elevador vai direto do térreo para o terceiro andar, limitando a circulação no primeiro andar e mezanino, onde só se chega pela escada.

No restante do prédio funcionam escritórios de arquitetura. “O layout de cada andar é diferente”, diz Fabiane. “Alguns são ocupados por um único usuário, outros são divididos em até três conjuntos.”

Por dentro do edifício em São Paulo - Foto: Divulgação
Por dentro do edifício em São Paulo – Foto: Divulgação

No quarto andar fica a secretaria do IAB-SP, com acervo de 2.300 livros. Paulo Mendes da Rocha tem escritório no quinto andar. O de Haron Cohen está no sétimo. Um dos fundadores da Escola da Cidade, que fica ali do lado, o arquiteto e designer Rafic Farah ocupa sozinho os 240m² do oitavo andar, com vista para o edifício Copan.

“Estou aqui desde 2002. A Escola da Cidade estava começando e, para mim, ficava fácil atravessar a rua para dar aula. Mas era muito chato”, reclama Farah. “A direção do IAB era formada por um monte de velhos que não pensava a cidade como eu. Hoje tem uma moçada aqui fazendo um super trabalho legal e estamos conseguindo melhorar o prédio.”

O edifício do IAB - Foto: Divulgação
O edifício do IAB – Foto: Divulgação

A vida na rua, lembra ele, também melhorou muito. Um dos fatores que influenciaram a mudança foi exatamente a chegada da Escola da Cidade. “Abriu o Bar B, que era de um aluno da Escola, começou a circular mais gente na rua, os estudantes do Mackenzie e da FAU vinham frequentar os botecos daqui, os alunos alugaram apartamentos no entorno, o térreo do Copan foi ocupado por restaurantes, lojas, galeria de arte, a violência começou a maneirar. Tudo por aqui revitalizou.” Farah, que comprou o andar de um amigo, calcula ter feito um ótimo negócio. “Meu imóvel já valorizou cinco vezes, e vai valorizar mais.”

Fabiane completa: “O Centro está em plena recuperação. Quanto mais pessoas estiverem circulando por aqui, mais você vai construindo uma identidade coletiva desse espaço urbano para apropriação e cuidado do bairro.”

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