por Kênya Zanatta

Ao longo do século 20, a lingerie se tornou menos secreta, revelada por transparências, fendas e recortes nas roupas. Duas linhas paralelas resumem sua evolução: de um lado, a busca pelo luxo e a exacerbação da sensuali­dade; de outro, o uso de novas tecnologias para aumen­tar o conforto e o suporte do underwear.

Uma exposição no Victoria and Albert Museum revê a partir deste mês a história da relação entre a lingerie e a moda, tanto femini­na quanto masculina. Além de questões de estilo, a Un­dressed: a Brief History of Underwear também vai explorar aspectos sociais e antropológicos. Afinal, queimar sutiãs só se tornou um ato tão simbólico porque o vestuário em geral e a lingerie em particular dizem muito sobre a política de gênero, a moral vigente, os padrões de higie­ne, os tabus relativos ao corpo e os padrões de beleza nas sociedades ocidentais. O espartilho, por exemplo, era re­comendado para garantir boa postura, mas podia, em certas situações, virar um instrumento de tortura. É o caso de um exemplar do século 19, feito de algodão e barbatanas de baleia, com uma cintura impossivelmente fina, apresentado ao lado de raios-x mostrando o que o uso constante provocava no corpo. A peça foi abando­nada quando as mulheres conquistaram mais liberdade de movimentos, inclusive literalmente, e chegou a ser usada, décadas depois, como símbolo de transgressão. De 16 de abril de 2016 a 12 de março de 2017.

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