Exposições com temática ambiental ganham espaço na Praça Adolpho Bloch

Localizada no Jardim América, em São Paulo, o espaço já recebe a mostra "Árvore! - A tragédia da paisagem"

by redação bazaar
Oskar Metsavaht - Foto: Divulgação

Oskar Metsavaht – Foto: Divulgação

O curador francês Marc Pottier, a Farah Service e a Sabesp lançam o projeto “Circular – Arte na Praça Adolpho Bloch”, que tem como objetivo provocar reflexões sobre a relação da natureza e das árvores com o entorno. A iniciativa consiste em levar três exposições artísticas com a temática ambiental à praça de São Paulo até 2020. A mostra que marca a estreia do projeto é “Árvore! – A tragédia da paisagem”, que reúne os artistas Caciporé Torres, Camille Kachani, Ciro Schu, Douglas White, Erika Malzoni, Felippe Moraes, Hugo França, Oskar Metsavaht e Vitché.

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Entre as obras estão esculturas produzidas em materiais como ferro e madeira, além de troncos naturais, árvores atingidas por raios, pneus estourados, pedaços de canos de PVC, fios de metal entrelaçados a galhos de árvores e até redes de balanços que emitem notas musicais. “Entramos em uma nostalgia pela cura do planeta. Esperamos que a nossa praça seja um bom terreno para repensar um assunto tão atual, que é nossa relação com o mundo, com a natureza e as árvores em geral”, explica Marc Pottier, curador do projeto.

As três exposições que serão realizadas até o próximo ano contarão com diferentes personalidades e especialistas ambientais para discutir temas ligados às árvores e sua importância para o nosso futuro. Cada uma delas durará por volta de quatro meses, com visitas guiadas disponíveis no cronograma.

Sobre as obras

Caciporé Torres

Caciporé Torres - Foto: Divulgação

Caciporé Torres – Foto: Divulgação

A obra “A grande coluna” que faz parte da coleção do Mube de SP e que integra o projeto “Circular Arte Praça Adolpho Bloch” traz a ‘Coluna sem fim’ do famoso artista romano Constantin Brancusi, evocando a consciência superior do ser humano. A obra estimula o pensamento sobre a consciência superior da Natureza.

Camille Kachani
Longe de ser uma ameaça ecoxiita ou um discurso moralista, o objetivo é levar o observador à uma constatação óbvia através do estranhamento causado pela dimensão da obra: uma árvore (um tronco real de 5 metros de altura) é frágil e efêmera como um simples fósforo. O tamanho do objeto remete diretamente à árvore, e evidencia não apenas a sua origem, mas a própria intensidade e violência do processo que transforma os recursos naturais em bens de consumo

Ciro Schu
Em um mundo voltado para o high tech, vetor, linhas retas, descarte e consumo descontrolado, ele construiu desde cedo uma trajetória na contramão, ressignificando objetos descartados como mobiliários de madeiras nobres, dando uma segunda vida para o que um dia já foi uma árvore. Com a sua obra ‘Balanço’, ele transformou um balanço para crianças em uma escultura planta onde, convidando o público a pensar que no decorrer da vida sempre estamos subindo e descendo, as vezes com impulso próprio ou com a ajuda dos outros.

Douglas White
Em 1876 o explorador botânico inglês Henry Wickham voltou de uma viagem ao Brasil trazendo consigo um espécime da Seringueira do Pará. A borracha que viria a ser manufaturada na Europa e depois transformada numa indústria colonial global, é agora por conta de seu descarte, motivo de preocupação ambiental mundial. A obra Black Palm segue esta trilha de devastação que pela mão do Homem vem destruindo as florestas tropicais e agora nos ameaça. A instalação é composta de carcaças de pneus estourados encontrados nas beiras das estradas e continua na linha do interesse pelos restos descartados e os materiais que não interessam mais a ninguém.

Erika Malzoni
A instalação “Bambuzal” é composta por pedaços de canos de PVC, que originalmente foram utilizados como carretel para o transporte de grama e depois descartados. Esta obra foi pensada exclusivamente para o projeto “Circular Arte na Praça Adolpho Bloch” e procura aproximar as pessoas do que é simples e comum, por meio de apropriações, deslocamentos e ressignificações de materiais mundanos e pouco valorizados, sendo estes muitas vezes remanescentes.

Felippe Moraes
O artista apresenta a obra “Composição Aleatória” (2019). Os espectadores podem se deitar e balançar em redes, acionando um sistema que emite notas musicais. A instalação permite que os visitantes componham coletivamente suas próprias músicas com o movimento dos seus corpos. Podem então descansar e contemplar a praça Adolpho Bloch. A instalação propõe a experiência de compor, escutar e compreender a música de maneiras incomuns. Nela, vão sendo gradualmente dissolvidas as fronteiras entre as artes visuais e a ciência, o individual e o coletivo, o som e o silêncio.

Hugo França
A escultura mobiliária pública de sete toneladas feita por Hugo França foi produzida a partir de um Eucalipto do Parque Ibirapuera em homenagem ao aniversário da Cidade de São Paulo. Essa árvore morreu em função da descarga elétrica de um raio e o banco é fruto do projeto de aproveitamento das árvores urbanas, onde o artista Hugo França, em parceria com o Parque Ibirapuera, promove ações no sentido de dar visibilidade ao processo de transformação do resíduo lenhoso urbano em mobiliário público e esculturas lúdicas a serem locadas em espaços púbicos como praças e parques.

Oskar Metsavaht - Foto: Divulgação

Oskar Metsavaht – Foto: Divulgação

Na praça Adolpho Bloch o recado dele é bem claro e político. Os fios de ouro (metal dourado) que cercam os galhos das arvores que ele escolheu, representam uma crítica contundente aos garimpeiros que extraem ouro da Amazônia destruindo a floresta e os rios. Esses fios estrangulam simbolicamente os galhos. Ele também utiliza as raízes cortadas das Seringueiras para nos alertar da maneira violenta como o homem está se apartando do chão, e consequentemente da realidade

Vitché
Um dos percursores da arte do grafite no Brasil, o artista tem uma grande preocupação com a natureza. Vitché resgata madeiras descartadas pelas esquinas e, com elas, confecciona obras que entrega às cidades, na esperança de que seus apressados moradores se deem tempo e voltem a sonhar.

“Circular – Arte na Praça Adolpho Bloch”
Árvore! – A tragédia da paisagem
Período expositivo: 01 de setembro a 6 de janeiro
Endereço: Praça Adolpho Bloch, s/n, Jardim América, São Paulo