Felicity Jones interpreta Sully no novo longa interestelar da Netflix (Foto: Divulgação)

Em “O Céu da Meia Noite” (baseado no livro homônimo de Lily Brooks-Dalton), novo filme sobre o colapso da Terra, que estreia na Netflix, o diretor George Clooney – e que também protagoniza a trama – explora uma narrativa que, talvez, tenha sido pouco abordada em dramas espaciais: uma personagem grávida como tripulante de uma nave. “Inicialmente, fiquei preocupada que pudesse ser demitida. E veio uma sensação de alívio quando George acabou por incorporar isso à história. O mais encorajador é que ele me fez sentir confortável o tempo todo”, conta a atriz à Bazaar*.

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Cenas que mostram o ultrassom da personagem e a tripulação questionando o nome da criança são algumas das narrativas adotadas para que a gravidez fosse inserida à trama. Felicity estava gestando Wilbur (que nasceu em setembro, de seu relacionamento com Charles Guard), mas não queria aparentar a gravidez, e vinha negando todos os bolos de chocolate que podia para manter o corpo em forma. “Foi um processo muito instintivo e especial. Era a prova de sua modernidade ao abraçar o que estava acontecendo, a verdade por trás daquilo ao invés de fugir.” Segundo ela, o cinema tem abordado a personalidade de mulheres fortes, mas uma mulher no espaço não deixa de ser revolucionário.

O produtor Grant Heslov ao lado de Felicity, Tiffany Boone e Director Clooney durante a gravação da cena do ultrassom (Foto: Divulgação)

No fim de 2019, Clooney estava na Islândia há três semanas filmando a parte da neve quando recebeu o telefonema de Felicity. “A parabenizei, disse que estava muito animado e perguntei o que ela queria fazer e ela quis seguir”, conta, dizendo que só adaptou as cenas em que apareceria suspensa no ar por meio de cabos. “As melhores versões das coisas são quando você as aceita e não as vê como um problema.” O nome da criança é creditado no filme, pois se tornou um personagem. “Para a tripulação da aeronave e todos os cinco atores que contracenaram com ela, meio que a protegeram. Todos se tornaram uma família, o que foi muito importante.”

Com a história, Clooney queria mostrar do que os homens são capazes de fazer com nós mesmos e a humanidade. E  Netflix embarcou porque não são apenas problemas que pairam sobre os Estados Unidos, mas no mundo como um todo. “Como estaremos daqui 30 anos? Não é inconcebível que,  de um jeito ou de outro, após negar a ciência e as mudanças climáticas (e toda sua ira), poderíamos explodir o planeta. Depois de terminarmos de filmar, veio a pandemia e ficou claro que nossa história estava se desenvolvendo pela necessidade de estar em casa, perto de quem amamos e como a comunicação pode nos aproximar de quem nós amamos”, diz ele, citando como exemplo a entrevista remota com cada participante de um canto do mundo.

Felicity com o marido na trama, interpretado por David Oyelowo (Foto: Divulgação)

O filme é dividido em dois núcleos: o da terra, que compreende o personagem de Clooney e da pequena Caoilinn Springall em uma estação na neve (filmado na Islândia), e da tripulação inter-estelar (gravada em estúdio, maior parte em tela verde, o chamado chromakey).

*Bazaar participou de uma conferência de imprensa, comandada pelo apresentador Dave Karger (Turner Classic Movies) e participação do elenco Caoilinn Springall, David Oyelowo, Demian Bichir, Felicity Jones, Kyle Chandler e Tiffany Boone, além do diretor e protagonista George Clooney. O filme já está disponível na plataforma de streaming!

Clooney com a pequena Caoilinn Springall, em gravação na Islândia (Foto: Divulgação)

Adaptação

No Brasil, a editora Morro Branco adquiriu os direitos do livro homônimo do filme (em inglês Good Morning, Midnight, de 2016), da escritora norte-americana Lily Brooks-Dalton, e planeja seu lançamento no País para o primeiro semestre de 2021.

História

Na obra, Augustine é um cientista brilhante que dedicou toda a sua vida às estrelas. Isolado na beleza gélida de uma base de pesquisa no Ártico, ele observa o universo à procura das origens do próprio tempo. Exceto por Iris, uma criança que foi deixada para trás quando os outros pesquisadores partiram, Augie está sozinho, especialmente depois que as ondas de rádio pararam de chegar. Sullivan (interpretada por Felicity Jones no longa) é uma especialista em comunicações que deixou sua família para trás para embarcar em uma missão até Júpiter. Voltando para a Terra, todas as comunicações param e a questiona: o que nos aguarda após este retorno?