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Por André Aloi

Aos 54 anos, Fernanda Abreu é uma virginiana que aprendeu com o balé a busca pelo perfeccionismo. Entendeu que se hoje consegue dar uma pirueta, amanhã vai dar duas, em outro dia, três… Mas nunca vai ser o bastante. Como um bailarino, está sempre em busca do próximo passo, sempre chegando a algum lugar. Nunca acomodada.

Depois de quebrar o jejum de 12 anos sem lançar um disco de inéditas, coroado com o aclamado “Amor Geral” em maio, Fernanda abriu seu apetite para o novo. Ela está captando recursos para lançar até o ano que vem um projeto (que inclui livro e exposição), chamado “A Imagem do Som”. Vai contar sua trajetória na música desde os tempos de Blitz. Para celebrar, ela também lança toda sua discografia solo nas plataformas de streaming.

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Seu suingue também estará presente em uma coletânea com as músicas que lançou nessa última década, que nunca entraram em um disco, como a participação em “Elas Cantam Roberto”, uma gravação para o selo da Mart’nália e faixas a lá barzinho e violão. Uma versão em vinil para o recente álbum também está na listinha de “to-do”, bem como o novo show, que estreia turnê em setembro.

Em 2017, a eterna garota sangue bom vai completar 35 anos de estrada, daí a vontade de montar uma exposição com sua assinatura. “Não vai ser só capa de disco, mas lambe-lambe, postais, cartazes… Toda a parte das artes visuais que me acompanhou nesse período”, comenta à Bazaar. O livro vai ser mais detalhado do que a exposição, relembrando o início de tudo, em 1982.

“Vai ter uma sala com a ampliação dos trabalhos para o disco Entidade Urbana (2001). Na ocasião, chamei 49 pessoas, entre artistas plásticos e gráficos, escritores, poetas, fotógrafos, para falar da relação do homem com a cidade”, relembra Fernanda. Entre os nomes, estão artistas do gabarito de Luíz Zerbini, Barrão, Raul Mourão, Patricia Melo, Jair de Souza, Deborah Colker, Flavio Colker, Fausto Fawcett, Walter Carvalho, entre outros. Era um material promocional, mas nunca saiu do papel.

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Fora isso, a mostra vai ter uma ala dedicada à parte gráfica de seus outros discos, material promocional e ampliações, cedidos pelos fotógrafos. Ainda um espaço para receber seus desenhos inéditos. “Quero apresentar retratos. Faço pequenos personagens de rostos, só com busto. São pessoas inventadas. É difícil explicar, mas tenho de 70 a 80 desenhos feitos em bloquinhos pequenos, com uma canetinha preta”, sintetiza. A cenografia dos shows (com maquetes originais) e uma sala audiovisual estão presentes neste projeto, voltado aos videoclipes, além coisas que ganhou de fãs, como caricaturas, desenhos e outros trabalhos que “se apropriaram de sua imagem visual.

A caminho dos 60 (quando é aceitável dizer que alguém é idoso), Fernanda afirma que não se vê caquética. “Me sinto mais como uma senhora do seu próprio destino, não me sinto velha”, pontua. “Não quero esse aluguel na minha cabeça. Eu mesma não consigo me rotular”. Para ela, garota senhora sangue bom parece sugestivo.

Fernanda ficou fora dos estúdios porque passou por um turbilhão de sofrimento nos últimos anos: perdeu a mãe em 2014 após ela ficar por seis anos em coma, separou-se de um casamento de 28 anos com o designer Luiz Stein, em 2011. Mas nunca abandonou os palcos nem ficou em casa, deprimida. Até que conheceu o namorado, Tuto Ferraz que a encorajou nesse comeback, que até agora tem bastante combustível para não deixar saudades.”Todo mundo vive situações de separação e luto, às vezes desemprego. Essa coisa de pegar essas experiências e canalizar para uma coisa produtiva e criativa, rola mesmo”.

Dessa nova geração, ela aposta numa mistura de cantoras para passar o bastão. Ela cita Anitta, Duda Brack, Mahmundi, Karol Conka e Céu. Cada uma tem um estilo, mas todas têm uma pegada bem determinada, consistente e autoral. “São todas mulheres independentes e que levam suas carreiras. Estão lá, produzindo seu som, fazendo e acontecendo”, pontua.

DIREÇÃO CRIATIVA
Giovanni Bianco
é o nome por trás do conceito de “Amor Geral”. Eles se conhecem, pois têm amigos em comum. Na época da concepção dessa sua nova fase, Fernanda e o artista passavam horas conversando no Skype sobre o Brasil, Arte, Estética, sobre tudo. “Ele é muito inteligente, criativo e produtivo. Trabalha muito. Acho o Giovanni muito talentoso. Não me surpreendi (com o resultado) porque sempre acompanhei o trabalho dele”, derrete-se a cantora. Para Bianco, o conceito desse novo momento de Ferndanda é de amor, amor, amor, e mais um pouquinho de amor.

Os cliques foram feitos em São Paulo, por Gui Paganini. “Fernanda é una verdadeira performer, tem um ‘body langage’ maravilhoso, uma artista incrível”, elogia. “Ela sabe o que quer, o que representa, mas super aberta às ideias coletivas”.