Foto: Priscila Nicheli

De volta ao Brasil após uma temporada morando na Europa, a atriz Priscila Ubba tem se dividido entre os sets de gravações de novelas e filmes. Ela tem sentido o gostinho de ser premiada por algumas das produções que participou, como o prêmio de melhor atriz no Rio International Monthly Awards (Festival Rima), no início deste ano. “Tornam a possibilidade de uma carreira internacional mais possível e acessível”, explica a atriz.

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Para ela, esses festivais proporcionam possibilidade de trabalho em diferentes países. Ela diz isso porque “o Voô da Capo”, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz, foi escolhido para representar Portugal concorrendo com outros oito países. “Fomos indicados em oito categorias e levamos quatro estatuetas, entre elas, a minha.” Ano passado, o mesmo filme já havia lhe rendido o mesmo prêmio no Festival do Rio.

Priscila está no ar na televisão como a Guemecha, em “Gênesis” (Record TV), e outras produções que participou tem corrido o mundo pelos festivais. É o caso de “Godiva”, cuja protagonista sofre de distúrbio dissociativo de identidade e o qual seu marido Candé Faria é o diretor. Na trama, contracenou com seu sogro Reginaldo Faria e o cunhado, o ator Marcelo Faria. Ela ainda está na produção luso-brasileira Bruto 180, também dirigida pelo marido. E no curta Falling in Love, dirigido pelo belga Yves Callewaert, rodado também em Portugal. Leia a entrevista na íntegra!

Ano passado, você conquistou o prêmio de Melhor Atriz no festival do Rio com o longa “O Vôo da Capo”, dirigido por Jotta Dúbio e gravado em Portugal. O que esse prêmio significou para ti? Acredita em um turning point na carreira?

Vejo a profissão como um ofício e acredito que os prêmios sejam um reflexo dessa caminhada. Representam, de certa forma, um sinal que estou no caminho certo e que devo seguir em frente nessa luta que a carreira artística nos demanda. Acredito em um trabalho contínuo, consistente e enraizado. Sigo com honestidade e cumprindo o meu propósito.

Como tem sido o processo de retorno ao Brasil? Quais as principais dificuldades em voltar ao País, já que você passou um tempo em Madrid e também esteve uma temporada em Portugal, onde atuou?

Amo o Brasil, minha terra, porém sou totalmente apaixonada pela Europa. Eles respiram arte e esse é o meu combustível de vida. Morei a primeira vez em Madrid nos anos de 2009 e 2010 quando fui estudar artes. De 2018 pra cá, retornei para realizar alguns trabalhos. Lá sempre será a minha segunda casa. Trabalho, hoje, no Brasil e na Europa de uma forma muito natural e flexível. Construí um trabalho sólido e consistente, com raízes, e transito, principalmente com o cinema, de forma muito visceral nos festivais. É um presente!

Nem voltar ao Brasil nem atuar em novela estavam no seu horizonte quando você topou viver a Guemecha, em “Gênesis”. O que te cativou na personagem?

Guemecha é uma personagem fascinante e desafiadora para qualquer atriz. Ela fala nas entrelinhas. À medida que fui construindo a personagem, uma frase ecoou e me acompanhou durante a novela. A frase era “Guemecha mora dentro do silêncio.” Pelo fato de ela ser uma espécie de espiã e carregar consigo os segredos da trama.

Como tem sido gravar em meio à pandemia? Os protocolos no set mudaram… e o que difere de fazer um papel bíblico… Interfere ou ajuda nessa construção?


Gravar durante a pandemia foi um dos maiores desafios artísticos da minha vida. Começamos a gravar e fomos interrompidos no meio do processo. Mas voltamos com força total, com uma equipe potente, com garra e seguindo todos os protocolos de segurança para a novela ir ao ar o mais breve possível. Foi emocionante a retomada das gravações. Amo fazer novelas de época porque são produtos grandiosos e riquíssimos nos detalhes. Existe muito aprendizado envolvido, muito estudo relacionado aos costumes, tradições, etc. É uma grande decupagem da época retratada. Esse universo me fascina.

Em “Godiva”, sua personagem Silvia (protagonista da trama) sofre de distúrbio dissociativo de identidade. Inclusive, seu marido Candé Faria é o diretor. Como foi a experiência?

É um distúrbio pouco abordado aqui no Brasil e no mundo. Vejo o filme como um instrumento de alerta para o tema. Precisamos falar sobre um transtorno que é mais comum do que imaginamos. Posso dizer que existe uma preparação “em massa”, múltipla, para uma personagem com personalidades distintas em uma única persona. Eu diria que é esquizofrênico, desafiador e fascinante ao mesmo tempo.

Foto: Priscila Nicheli

Neste longa, você contracenou com seu sogro, Reginaldo Faria, e o cunhado, Marcelo Faria. Trabalhar em família é mais fácil ou mais difícil? Há previsão de lançamento?

Trabalhar em família é primoroso, um privilégio, porque todos somos movidos por arte. A família Faria respira cinema! É lindo de ver, conviver. Hoje, poder dividir esse cenário, é enriquecedor. Além, é claro, da admiração gigantesca que tenho pelos grandes artistas que são. Sobre o lançamento, ainda não sabemos por conta da pandemia. Iniciamos o projeto e tivemos de interromper, a previsão é retomarmos as gravações em breve, no Rio.

Você também está na produção luso-brasileira “Bruto 180”, outra produção do seu marido…. Como é a sua personagem e o que aprendeu com ela? Onde e como foram as gravações? E qual a previsão de lançamento?

O filme está sendo feito a partir de laboratório cinematográfico bruto em plena quarentena. Tem sido uma experiência única e inovadora. E ainda falta toda parte de Portugal para ser concluída. O filme aborda a violência contra as mulheres, um tema de grande relevância, e faz um contraponto entre poesia, dança e grandes referências artísticas como Bergman, Pina Bausch, Olga Roriz, entre outros. É sutil e de uma delicadeza ímpar. Acredito na arte como potência transformadora. E desejo salvar vidas com essa história.

No festival de Petrópolis, em novembro passado, você lançou o curta “Falling in Love”, dirigido pelo belga Yves Callewaert, rodado também em Portugal. O que você considera ser o diferencial nessas produções gringas, que te fizeram aceitar o papel?

Sou suspeita porque amo o cinema europeu. Sempre foi uma grande paixão desde pequena e, hoje, é um sonho real concretizado. O filme tem muita poesia envolvida e a fotografia é brilhante. Falamos de amor, um tema universal e, ao mesmo tempo, complexo. O curta está rodando festivais pelo mundo e, em breve, estará disponível para todos.

Você participou da novela Império, da Globo, que voltou ao ar na faixa das 21 horas, nesses cortes da pandemia. Como é olhar para sua personagem anos depois? Você critica e fala: ah, poderia ter feito assim ou assado?

Tenho um carinho especial por essa trama porque foi a minha primeira participação em novelas no Brasil. Tinha acabado de chegar no Rio e precisei entender rápido a dinâmica de um set e o ritmo de uma novela. Não gosto de ver e nem de rever os meus trabalhos porque sou muito crítica. Prefiro fazer é deixar fluir (risos).