Juergen Teller amava fotografar seus amigos em situações íntimas, como a modelo Kate Moss de cabelo rosa - Foto: Divulgação
Juergen Teller amava fotografar seus amigos em situações íntimas, como a modelo Kate Moss de cabelo rosa – Foto: Divulgação

Por Victor Drummond

A Bazaar adora quando moda e arte se misturam – e por isso fomos dar um giro pela exposição da Fundação Cartier que está em cartaz em Buenos Aires.

A exposição “Les Visitants” reúne um brilhante apanhado com obras de 23 artistas plásticos. Guillhermo Kuitca, o curador, é um relevante pintor para a história da arte latino-americana. Suas obras formam parte da coleção de lugares de prestígio como MoMA e The Tate Gallery.

A sociedade de Mali retratada por Seydou Keïta: influência da moda europeia - Foto: Divulgação
A sociedade de Mali retratada por Seydou Keïta: influência da moda europeia – Foto: Divulgação

Um dos artistas que chama atenção por suas fotografias é Seydou Keïta. Há uma composição estética e elegância ao retratar Mali, na África Ocidental, entre 1949 a 1964. Os trajes e costumes são influenciados pela moda europeia, com homens de ternos, luvas e lenços no bolso, e mulheres em longos vestidos clássicos.

A videoinstalação de Agnès Varda (“Le Veuves de Noirmoutier”) conta a história de 14 viúvas da ilha de Noirmoutier (unida ao continente pela famosa Passage de Gois, uma estrada que fica submersa pelo mar pelo menos duas vezes ao dia). Agnès revela a melancolia destas mulheres que só se vestem de preto e relatam histórias ora comoventes, ora sombrias.

Yves Saint-Laurent com seus icônicos óculos, clicado por Juergen Teller - Foto: Divulgação
Yves Saint Laurent com seus icônicos óculos, clicado por Juergen Teller – Foto: Divulgação

A famosa fotografia de Kate Moss com cabelos pink faz parte do trabalho de Juergen Teller, conhecido por retratar seus amigos artistas em situações íntimas, como Yves Saint Laurent fotografado com seu forte olhar por trás de suas emblemáticas armações tartaruga.

Daido Moriyama explica que tentou captar o mundo através do olhar de um cachorro, na sala dedicada à sua obra “Dog and Mesh Tights”. Na obra, 291 fotografias em preto e branco registram o cotidiano nas ruas de cidades como Tóquio e Los Angeles. São muros, fotos de street style que permitem ao espectador mergulhar no lado suburbano destes grandes centros.

Os olhos gigantes de Tony Oursler observam os visitantes e é a sala mais visitada - Foto: Arquivo Pessoal
Os olhos gigantes de Tony Oursler observam os visitantes e é a sala mais visitada – Foto: Fabio Liebl

Uma das salas mais visitadas é a de Tony Oursler, com uma videoinstalação chamada “Mirror Maze (Dead Eyes live)”. Esferas gigantes reproduzem o globo ocular e recebem impressionantes projeções de vídeo sobre sessões xamânicas e trajes indígenas. É como se a cultura que não te pertence, mas que de maneira ancestral faz parte de todas as civilizações, te observasse.

O living de David Lynch reproduzido por Guillermo Kuitca, o curador da mostra - Foto: Arquivo Pessoal
O living de David Lynch reproduzido por Guillermo Kuitca, o curador da mostra – Foto: Arquivo Pessoal

Na “Gran Lámpara”, o living do apartamento do diretor e artista visual David Lynch, em Nova York, é reproduzido por Guillermo Kuitca. Conhecido por seus filmes surrealistas que sempre se tornam clássicos cult, o design de interiores da casa de Lynch vibra na mesma frequência. Carpetes e paredes em vermelho sangue com estampas geométricas e efeitos tridimensionais são pontuados por poltrona e sofás (assinados pelo próprio David) que parecem emergir de uma tela de Salvador Dalí.

Obra de Adriana Varejão é parte do acerto da Fundação Cartier: arquitetura e corpo em constante mutação - Foto: Arquivo Pessoal
Obra de Adriana Varejão é parte do acerto da Fundação Cartier: arquitetura e corpo em constante mutação – Foto: Fabio Liebl

A Fundação Cartier tem em seu acervo a obra “Linda de Lapa”” da brasileira Adriana Varejão, que também veio para a exposição. Com quatro metros de altura, Adriana construiu uma parede impregnada de pedaços de carne. Essa “ruína” evoca uma associação da arquitetura com o corpo humano, em constante mutação. Assim como a moda. Dá para entender o fascínio que a arte exerce sobre o poderoso universo Cartier.

Exposição Les Visitants: una mirada de Guillermo Kuitca a la colección de la Fondation Cartier por l’art contemporain
Centro Cultural Kirchner: Av. Sarmiento, 151, Buenos Aires. Em cartaz até 31.05