Apollo (Vinícius Toledo), Mahmundi (Marcela Vale) e Opala (Maria Luiza Jobim) em clique para a Bazaar na Comuna, no Rio - Foto:Daniel Benassi/ Harper's Bazaar
Apollo (Vinícius Toledo), Mahmundi (Marcela Vale) e Opala (Maria Luiza Jobim) em clique para a Bazaar na Comuna, no Rio – Foto:Daniel Benassi/ Harper’s Bazaar

Por Maria Clara Drummond

Não raro, Apollo, Opala e Mahmundi – os nomes artísticos de Vinícius Toledo, Maria Luiza Jobim e Marcela Vale, respectivamente – fazem shows em conjunto. Os três amigos, apesar de não serem um trio, estão sendo celebrados como a nova cara da cena carioca de música eletrônica. Em comum, têm seu som marcado por sintetizadores e frequentam e fazem shows na Comuna, bar-multimarcas-galeria que virou reduto de músicos, artistas plásticos e cineastas no Rio – e costuma ser frequentado por gente como Alinne Moraes e o namorado, o diretor de cinema Mauro Lima; e meninas que, assim como Maria Luiza, filha de Tom, também têm sobrenomes de peso: Julia Anquier, filha de Debora Bloch e Olivier Anquier; Alice Caymmi, neta do próprio; e Maira Senise, filha do pintor Daniel Senise.

Outro ponto de ligação dos três é o diálogo com a moda. “Aprendi que o figurino é tão importante quanto o cenário e a luz em um show. Nesse sentido, conviver com as pessoas da Comuna me ajudou muito: as meninas da marca Acervo (Luiza Calmon e Marcela Petrus) e os stylists Raphael Tepedino e Antônio Frajado me auxiliaram a criar a identidade Mahmundi”, conta Marcela, cujo primeiro clipe, Calor do Amor (que ganhou o Prêmio Multishow na categoria novo hit), tem forte pegada fashionista. As peças que ela veste no vídeo são das coleções da Amapô e da Blue Man, bem ao estilo dos anos 1990, como pregam as grifes. Os tênis Buffalo, maior ícone da década, com suas megaplataformas eternizadas nos looks das Spice Girls, foram emprestados de Anielle Gollong, a rainha dos clubbers na década de 1990 no Rio.

O visual de Maria Luiza Jobim é, como seus acordes, minimalista e sofisticado. Ela costuma usar Céline, Marni e peças garimpadas em brechós. O minimalismo de Vinícius tem estilo futurista, coerente com seus clipes e música. Suas maiores referências são Nicolas Ghesquière para Balenciaga e a Calvin Klein Collection de Francisco Costa. Na música, os estilos são mais diversos. Enquanto Apollo flerta com um pop futurista e performático, Opala tem acordes minimalistas. Mahmundi faz um som alegre e suingado.

A o contrário das gerações anteriores, os músicos tentam se afastar de qualquer regionalismo que ligue seus sons à cidade em que nasceram. “Acho que nós três fugimos do que seria um som carioca clichê”, opina Apollo. Criados na internet – que é sua maior base de divulgação – e com alma globalizada, Opala e Apollo cantam em inglês. O segundo tem uma pegada mais pop star, seja na maneira de se apresentar (em espírito meio diva) ou nas influências americanas, como a black music da Motown. Já Maria Luiza, ao lado de Lucas de Paiva, seu produtor, flerta com a cultura nipônica. “Creio que muito da nossa química é por isso, a paixão pelo Japão. E somos ambos pessoas mais introspectivas, o que se reflete no nosso som, que tem como base os acordes pentatônicos (o das teclas pretas do piano)”, conta Maria Luiza. Os dois também têm Radiohead como grande inspiração. “Foram eles que primeiramente revestiram a canção com o eletrônico.”

Mahmundi, a única com letras em português, tem como maior influência bandas de rock britânico. Ainda que a educação musical de Marcela Vale tenha sido feita com Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Novos Baianos, foi como técnica de som do Circo Voador que ganhou muita da bagagem que hoje carrega. “Meu objetivo é criar canções, por mais que elas tenham uma vestimenta eletrônica”, conta. “Gosto da praticidade do computador, mas, na hora de compor, não abro mão da minha guitarra.”

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