Menina Azul com Vinho, pintura a óleo de Tim Burton que poderá ser vista em São Paulo - Foto: reprodução
Menina Azul com Vinho, pintura a óleo de Tim Burton que poderá ser vista em São Paulo – Foto: reprodução

Por Kênya Zanatta

Multidiciplinares e interativas, as grandes exposições previstas para este ano abrangem desde questões econômicas e ambientais até a política do underwear. Habituados a observar nas passarelas e nas vitrines o presente e o futuro da moda, três mostras em Paris, Londres e NY nos permitem mergulhar no passado e explorar, com novo olhar, o trabalho de estilistas célebres e a evolução dos nossos guarda-roupas nos últimos três séculos.

Na música e no cinema, os nomes em desta- que são aqueles que ignoram fronteiras e investem no território de outras artes: Gus Van Sant, cineasta,
artista plástico e fotógrafo que multiplica colaborações com artistas como o escritor William Burroughs ou o fotógrafo William Eggleston; o cineasta Tim Burton, com suas incursões na pintura e na literatura; ou o mítico grupo de rock Velvet Underground, conhecido por suas performances futuristas sob a
égide de Andy Warhol, o papa do pop. Nas artes moderna e contemporânea, o Brasil recebe já em janeiro uma grande exposição sobre Mondrian e o movimento De Stijl. No segundo semestre, a 32a Bienal de São Paulo convoca artistas para nos ajudar a lidar com as incertezas do mundo atual. E o Instituto Tomie Ohtake organiza mostras sobre dois catalães de peso: o pintor Pablo Picasso, em maio, e o arquiteto Antoni Gaudí, em outubro.

Em Paris, a Fundação Louis Vuitton começa o ano expondo a arte contemporânea chinesa, enquanto o Centro Georges Pompidou prepara mostras sobre Paul Klee (abril) e o surrealista René Magritte (setembro). Em Londres, os americanos Georgia O’Keeffe e Robert Rauschenberg ganham retrospectivas na Tate Modern, respectivamente em julho e dezembro. Confira, a seguir, as exposições selecionadas por Bazaar.

Conjunto de Sarah Burton para Alexander McQueen e vestido de Yves Saint-Laurent que serão expostos no Metropolitan de Nova York - Foto: reprodução
Conjunto de Sarah Burton para Alexander McQueen e vestido de Yves Saint-Laurent que serão expostos no Metropolitan de Nova York – Foto: reprodução

Moda – Abril/Maio
O Museu das Artes Decorativas de Paris comemora os 30 anos de seu acervo fashion, um dos mais ricos do mundo, com 150 mil obras, entre tecidos antigos, criaçãoes de alta-costura e prêt-à- porter, acessórios, croquis e fotografias. Na mostra Fashion Forward, a partir de 7 de abril, uma seleção de 300 dos melhores exemplos de vestuário masculino, feminino e infantil irão compor um amplo panorama da história da moda, de 1715 até 2015.
Já o Museu Victoria e Albert, de Londres, inaugura, em 16 de abril, uma exposição dedicada ao que geralmente permanece escondido, levando em consideração a função modeladora e o apelo sensual da lingerie. Por meio de 200 peças para homens e mulheres, de 1750 até hoje, a mostra discute como os criadores de underwear acompanharam a evolução dos costumes e do conceito de corpo ideal.
O impacto das novas tecnologias na moda é o ponto de partida da exposição que o Metropolitan de Nova York abre em 5 de maio. A mostra examina como os estilistas reconciliam elementos artesanais e industriais na criação de alta-costura e das silhuetas mais
vanguardistas do prêt-à-porter.

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Música – Março
A Filarmônica de Paris abriga, a partir de 30 de março, uma exposição dedicada à curta, mas influente, história do Velvet Underground (foto abaixo), festejando, assim, os 50 anos do primeiro álbum da banda. Com curadoria de Christian Fevret, um dos fundadores da importante revista Les Inrockuptibles, a mostra recria o contexto dos movimentos criativos marginais dos anos 1960 nos EUA. Apadrinhados pelo artista pop Andy Warhol, Lou Reed e John Cale recrutaram a cantora Nico para fazer de seu álbum inaugural um dos mais importantes da história.À frente de seu tempo, o Velvet Underground só começou a fazer sucesso quando o grupo já havia se acabado. Desde então, sua obra inspirou várias gerações, de Iggy Pop a Nirvana.

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Cinema – Fevereiro/Março
O Museu da Imagem e do Som de São Paulo apresenta, a partir de 4 de fevereiro, O Mundo de Tim Burton, expo que reúne 500 itens, como desenhos, esboços, pinturas, fotografias, storyboards e bonecos retraçando a filmografia do diretor americano, além de projetos pessoais pouco conhecidos. Uma cenografia interativa permitirá explorar o universo do cineasta por meio dos sentimentos predominantes em sua obra, como medo ou melancolia.
Em Paris, a Cinemateca Francesa inaugura, no dia 13 de abril, uma exposição sobre Gus Van Sant. O diretor de Elefante é um dos observadores mais acurados da juventude americana e transita, agilmente, entre as grandes produções e o cinema de autor.

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Bienal de SP – Setembro
Com o tema Incerteza Viva, a 32a Bienal de São Paulo, que acontece de 10 de setembro a 12 de dezembro no Parque Ibirapuera, vai abordar questões como instabilidade econômica e política, aquecimento global e perda da diversidade cultural e biológica. Curador desta edição, o alemão Jochen Volz partiu da premissa de que a arte se alimenta da incerteza e pode ajudar a encontrar soluções para os desafios de um mundo em constante mutação. Entre os 54 nomes confirmados até agora – a lista deve chegar a 90 -, estão veteranos como o argentino Victor Grippo e o belga Francis Alÿs. Mas a aposta é nos jovens: a maioria dos artistas nasceu a partir de 1970, como os brasileiros Barbara Wagner e Cristiano Lenhardt.

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Artes – Janeiro
A mais completa mostra já realizada no País sobre o pintor holandês Piet Mondrian e o movimento De Stijl (1917-1928) será inaugurada dia 25 no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. Em 30 telas, o público poderá acompanhar o percurso artístico percorrido por Mondrian até criar seu estilo baseado na pureza das cores primárias, na superfície plana das formas e na tensão dinâmica no interior do quadro. A exposição traz ainda obras de outros artistas, designers e arquitetos ligados ao movimento De Stijl, que compartilhavam a utopia da harmonia universal de todas as artes.Além de pinturas, há uma seleção de objetos que inclui fotografias, maquetes e mobiliário, como a célebre cadeira Vermelha e Azul, de Gerrit Rietveld (foto abaixo). Ao longo do ano, a mostra seguirá para Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.