Halsey promete mostrar seu “pior lado” em novo álbum

Cantora americana dá boas-vindas a um álbum de 16 faixas, "Maniac"

by André Aloi
Foto: Divulgação

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A era eletrônica de Halsey parece ter chegado ao fim. Aos 25 anos, a cantora americana dá boas-vindas a um álbum de 16 faixas, “Maniac” (Universal Music), tirando o protagonismo dos sintetizadores e apostando em músicos de carne e osso. Guitarra, bateria e piano: estão todos ali. “Foram todos tocados de verdade, dá para ouvir todos nós”, comemora a cantora em conversa com a Bazaar por telefone, de sua casa, em Los Angeles.

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Apesar de essa nova fase apresentar seu “pior lado”, Halsey acredita que está na hora de mostrar mais do que só a garota dos cabelos coloridos (ela tem uma coleção com mais de 60 perucas), que pinta as próprias roupas ou aparece com o rosto maquiado. “Você vai descobrir que não tenho muitos amigos, que não durmo direito e tento ser legal com todo mundo. E isso pode ser difícil para mim”, explica.

Foto: Reprodução/Instagram/@iamhalsey

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Ela ficou mais preocupada em agradar do que se apresentar. “Eu tinha de entrar em um modo ‘psycho killer’ se quisesse mostrar quem eu realmente sou.” Quando preparava o terceiro álbum de estúdio, foi diagnosticada com transtorno bipolar, doença mental que já a levou a algumas internações. “É uma parte de mim que não falo muito. Acredito que há muitos fãs que não conhecem essa minha versão mais triste. Sempre mostrei um lado mais de ‘menina má’, mas não sabiam que eu me sentia sozinha”, reflete.

Foto: Reprodução/Instagram/@iamhalsey

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Apesar de animada, ela percebeu que essa versão era também a mais covarde. “Poderia funcionar, e tudo bem não dormir, porque todo mundo gostava dela e me mostrava feliz. Essa não era a melhor versão para o álbum e fomos desconstruindo”, conta. Se antes falava tudo o que vinha à mente, Halsey se tornou alguém com medo de se abrir. E essa “loucura” serviu de palco. “Fui uma criança muito dramática. Costumava me vestir e organizar concertos na sala de casa. Sempre acreditei que seria uma pessoa famosa”, relembra. “Mas, se pudesse voltar, mandaria uma mensagem à minha mãe: ‘Pelo amor de Deus, isso é uma droga, me livre disso… Argh!’”.

Foto: Reprodução/Instagram/@iamhalsey

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Apesar de parecer de saco cheio da fama, Halsey a usa como plataforma que encoraja mulheres a denunciar abusos (em especial os de relacionamentos tóxicos). “Leva tempo para tomar coragem e tornar essa violência pública, pois você nunca sabe o que a pessoa está passando”, aconselha.

Foto: Reprodução/Instagram/@iamhalsey

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Ela também se queixa de que, ao invés de ser reconhecida como uma artista indicada ao maior prêmio da música (sim, o Grammy), suas palavras mal colocadas estão sempre no spotlight. Foi assim quando tomou coragem para expor episódios de abuso, também quando se declarou birracial (seu pai é negro) e, mais recentemente, com suas revelações sobre saúde mental. “As pessoas têm dificuldades de escrever sobre mim e explicar quem eu sou em apenas algumas frases. Meus fãs sabem quem eu sou, o que digo ou o que realmente quis dizer. As pessoas têm problemas com uma mulher complexa e em como ela se define. Mas isso não vai me impedir de continuar fazendo o que faço.”

Foto: Reprodução/Instagram/@iamhalsey

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No fim das contas, Halsey só quer deixar sua marca no mundo. Ou, como ela mesma analisa: “Espero que um dia as pessoas me reconheçam como uma artista honesta”. Entre os planos para o futuro, ela planeja voltar ao Brasil com sua turnê de “Maniac”, com show completo. “Estou ansiosa para levar toda essa produção para que todos possam ver, de perto, o que essa experiência realmente significa. Amaria voltar.”

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