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Hiran e Majur são expoentes da diversidade brasileira

Os baianos Hiran e Majur entraram pela porta escancarada por Pabllo Vittar e Liniker para cair no gosto de Caetano Veloso

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Caio Menezes

O cenário musical brasileiro não tem passado incólume pela evolução que a sociedade vem experimentando. A diversidade de gênero e de cor está cada dia mais diluída em todos os setores, e a cultura, mais uma vez, lidera esse movimento. Os cantores baianos Hiran, de 24 anos, e Majur, de 23, são a cara de uma nova cena em que não importa se você é homem, mulher, hétero, gay, trans, cis, branco ou negro. A única coisa que importa é o seu talento.

Hiran, um homem negro e homossexual, e Majur, também negra e não-binária, ou seja, não se identifica com os gêneros masculino ou feminino, são daqueles artistas que conquistam o público na primeira música. Isso é fruto de talento aliado a muita ralação. Hiran canta desde os 9 anos, enquanto Majur começou aos 5, na Orquestra Sinfônica da Juventude de Salvador. Eles se conheceram por meio da cantora Marcia Castro e foi amor (profissional) à primeira vista.

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Hiran, que é rapper e escreve rimas desde a infância, foi o parceiro perfeito para o EP Colorir, que Majur lançou em 2018. Eles colaboram na faixa “Náufrago”, que vai ganhar clipe em breve. “Como nunca fui muito boa com rap, tinha um pouco de medo de o meu trabalho ficar ruim, porque era uma coisa que não explorava muito”, explica a cantora. “Me apaixonei pela voz dele”, diz, sobre o parceiro, que lançou, em 2018, o disco de estreia, “Tem Mana no Rap”.

Juntos, Hiran e Majur caíram no gosto de muita gente e conquistaram um fã ilustre: Caetano Veloso. Caê conheceu Hiran no bloco do BaianaSystem, em Salvador, em 2018. “Cantei com ele do meu ladinho, nem acreditei”, lembra o rapper. “Saber que ele entendeu e absorveu minha música é algo difícil de digerir, mas eu amo a sensação.” Depois, Majur foi à casa do músico acompanhando uma amiga em comum, Lua Leça, esposa de Maria Gadú. “Saber que ele gostou do meu som é a coisa mais incrível da minha vida, porque é uma afirmação do meu trabalho”, comemora a cantora.

Apesar de terem se encontrado só no meio de suas trajetórias, Hiran e Majur enfrentaram obstáculos semelhantes na música. Além de serem de famílias humildes de Salvador, os dois passaram por dificuldades peculiares a artistas que não são, de forma alguma, padrão.“Dá para perceber que existe uma escala em que quanto menos você couber no padrão branco heteronormativo, mais complicado é se encaixar em espaços midiáticos e no mercado comercial da música”, afirma Hiran. “Tem aquela coisa do negro como homem forte e viril, macho. A gente, enquanto gay, vai completamente contra o padrão”, completa Majur.

A dupla, no entanto, não é apenas um expoente, mas também fruto do fato de a diversidade estar ganhando cada vez mais espaço no mainstream. Eles entram por portas que foram abertas por artistas como Pabllo Vittar e Liniker, e deixam o caminho ainda mais pavimentado para quem vem atrás. “Se fosse há uns três anos, talvez eu encontrasse mais dificuldade. Hoje, o pink money comanda o Brasil”, diz Majur. “É muito importante, para mim, conseguir me ver ou entender que é possível chegar lá, apesar do sentimento de não-encaixe ter feito parte da minha vida quase toda em quase todos os lugares em que passei”, desabafa Hiran, sobre representatividade.

Eles apostam que esse é um caminho sem volta. “Acredito que isso é uma revolução. Escuto coisas sobre a minha vida e meus sentimentos nas músicas dos meus iguais.Voltar atrás não parece ser uma opção plausível pra mim”, diz Hiran. Para Majur, a diversidade de cor também entra em questão. “O que nos separa, enquanto corpo preto, de um homem ou mulher branca que está sob sucesso é a oportunidade”, crava.

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