"Histórias para Vestir": série documental da Netflix aborda o lado emocional das roupas
Foto: Divulgação

Todos temos no armário uma peça de roupa que vai além de seu valor estético e que carrega consigo uma grande bagagem emocional, pessoal ou identitária. Seja uma blusa que pertenceu a um ente querido, um vestido usado numa ocasião especial ou uma camisa que marca nossa trajetória profissional, alguns modelos continuam habitando nosso guarda-roupa por motivos que vão além de sua usabilidade.

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Esse é o tema por trás na nova série documental da Netflix, a “Histórias para Vestir”. Lançada nesta quinta-feira (01.04), a produção abre o armário de um variado – e curioso! – grupo de pessoas e desvenda as histórias e significados de algumas peças de seu vestuário. Com oito episódios de aproximadamente 30 minutos, conhecemos as narrativas divertidas e comoventes com narrativas sobre vestes profissionais, a falta delas e o amor por trás da costura.

Usando entrevistas, imagens de arquivo e sequências de animações, a escritora Emily Spivack se uniu à Jenji Kohan para dar continuidade aos dois livros da autora, “Worn Stories” e “Worn in New York”, através de um projeto que é novo para as duas. Enquanto Emily se joga no audiovisual, Jenji, criadora de séries premiadas como “Orange is the New Black”, encabeça sua primeira produção sem script.

"Histórias para Vestir": série documental da Netflix aborda o lado emocional das roupas
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Apaixonada por roupas vintage, Emily começou a se interessar pela história por trás das roupas enquanto comprava um par de sapatos pelo eBay, em 2007, e encontrou no site uma fantasia de Coelhinha da Playboy acompanhada por uma foto preto e branca de sua antiga dona. Em entrevista ao WWD, Emily contou que foi naquele momento em que se questionou quem seria aquela mulher e o interesse por essas histórias teve início.

A escritora começou a fazer uma espécie de curadoria de histórias pelo eBay, em que pessoas comentavam porque estavam vendendo uma peça, quem a havia usado e outras informações. Essa pesquisa deu início a um projeto chamado “Sentimental Value”, em que ela unia as histórias às roupas e as expôs em uma galeria.

A produção

Foi Jenji quem se interessou em transformar os livros de Emily em uma produção audiovisual, conectando suas habilidades de perceber que roupas tem história como qualquer outro objeto em nossas vidas.

Havia a preocupação de representar o maior número possível de trajetórias tanto nos livros quanto na série, para que todos os espectadores tivessem algo com o que se relacionar. “Queria que representasse quem somos e nossa experiencia humana coletiva contada pelas nossas roupas”, conta Spivack ao WWD. Cerca de metade das histórias do documentário vieram de seus livros, enquanto outras são inéditas.

"Histórias para Vestir": série documental da Netflix aborda o lado emocional das roupas
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A produção começa com um casal que vive em uma comunidade em que o uso de roupas é opcional – e eles optaram por não usar. “O que adoro [nesse episódio] é que ele prepara o terreno para começar a pensar sobre o que dizemos por meio das roupas que vestimos e também por meio das roupas que decidimos deliberadamente não usar. O que estamos comunicando por meio das coisas que decidimos não usar?”, questiona Emily.

A produção chega à plataforma de streaming em um momento em que o relacionamento das pessoas com as roupas mudou drasticamente por causa da pandemia. E Emily sonha que essa mudança – principalmente seu lado afetivo – seja permanente.