Hotel Rosewood São Paulo abriga um valioso e importante projeto artístico
Obra do carioca Cabelo Cobra Coral em um dos bares do Rosewood – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Se engana quem pensa que o hotel Rosewood São Paulo, o primeiro empreendimento da Cidade Matarazzo, na região da avenida Paulista, entrega apenas luxo elevado à altíssima potência para os hóspedes ou visitantes. Ali, está reunido um tesouro artístico valioso, com 450 obras de 57 artistas – todos brasileiros – sob a curadoria de Marc Pottier.

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Uma experiência imersiva sem precedentes ao alcance do olhar de quem passeia entre os sete andares, 42 quartos, dois bares e três restaurantes do complexo. Espalhadas por vários ambientes, as obras não foram retiradas aleatoriamente de galerias do eixo Rio-São Paulo. Tudo ali tem um sentido e muitas foram criadas especialmente para o novo local.

Hotel Rosewood São Paulo abriga um valioso e importante projeto artístico
O curador Marc Pottier – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Ao receber Bazaar para um tour pela propriedade, o curador revela que a escolha e a disposição das peças foram extremamente pensadas e calculadas para se conectarem com a história que buscam contar. “Não estamos pegando uma tela para colocar na parede, utilizando obras que já existem. Estamos convidando todos os artistas para criarem obras de arte especificamente para o projeto, com tamanho especial, com fixação nas paredes, fazendo parte por completo do ambiente”, diz Pottier.

A maioria não pode ser retirada dali: são afrescos, azulejos na piscina e na cozinha, tapetes gigantes no lobby e nas áreas comuns. “Tudo é feito pelo lugar e para o lugar. Nenhum artista se repete. São obras inéditas e exclusivas.”

Hotel Rosewood São Paulo abriga um valioso e importante projeto artístico
Vitral da capela por Vik Muniz – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Toda a vontade de transformar o local que já foi uma maternidade em um imenso complexo artístico não vem de hoje. Em meados de 2014, Pottier e Simon Watson fizeram a curadoria da exposição “Made by… Feito por Brasileiros”. A “invasão criativa” (como foi chamada na época) ao antigo Hospital Matarazzo reuniu mais de 100 artistas do Brasil e do mundo com instalações, pinturas, vídeos e esculturas espalhadas pelo prédio abandonado, na busca por dar o start de reviver o icônico espaço. “Hoje em dia, é a consequência de tudo que viemos fazendo. É a história que continuamos a contar e dizer que estamos em um País enorme, diverso e múltiplo”, completa.

Hotel Rosewood São Paulo abriga um valioso e importante projeto artístico
Desenhos de Virgílio Neto – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Ao subir a rampa que dá acesso ao lobby principal do hotel, seja de carro ou a pé, grandes obras do artista de rua de São Paulo Speto  recepcionam os visitantes, em meio aos incontáveis seguranças na entrada principal. Os afrescos de mais de dois metros de altura buscam entregar uma beleza que possa existir na dicotomia discrepante das pessoas que ocupam os espaços urbanos. Utilizando signos da literatura de cordel, faz uma releitura da pobreza. “Na principal obra aqui, Speto transformou o morador de rua em Dom Quixote, se colocando a partir da perspectiva do outro em um ambiente distópico, usando metáforas da realidade urbana”, conta o curador.

Logo nos primeiros minutos em que se entra no hotel, os olhares são atraídos para os dois gigantescos tapetes feitos por Regina Silveira, que mesclam cores e plantas da fauna brasileira. “É um deslumbre, o melhor bem-vindo possível.”

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Miniquadros de Vik Muniz – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Na sequência, no caminho para o restaurante central do hotel, avistamos na escada que leva para o andar de cima e em uma das paredes da sala de cofres, uma série de obras de miniquadros feitos por Vik Muniz, e que contam a vida do Conde Matarazzo. “É a vida, a memória e as lembranças dele com fotos e diversos outros elementos.”

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Obra do artista Caligrapixo – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Ao entrar no cofre, somos surpreendidos pela obra do artista urbano Caligrapixo, que rouba a cena por ali, como uma espécie de obra-prima guardada a sete chaves. “É muito especial”, completa Marc.

Seguindo o fluxo, as paredes dos elevadores são recheadas de desenhos do artista plástico Walmor Correa, em série na qual ele busca explorar uma etnografia cultural da flora mágica brasileira. “Pegou plantas medicinais e, a partir delas, inventou plantas híbridas com itens humanos. Alucinação pura”, definiu o curador.

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Desenho de Virgílio Neto – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

No andar mais alto do prédio, fica a Sala Bela Vista, também conhecida como “Casa da Vovó”, por conta dos móveis inspirados na avó da família Matarazzo. Nas paredes, obras do jovem artista Virgílio Neto, que é um destaque do movimento artístico de Brasília. Vale parar e prestar atenção aos detalhes: são desenhos feitos à mão e aquarela, que levaram mais de dois meses para serem feitos. “O artista mesclou a história do Brasil com a do lugar: tem elementos da flora, da fauna e também a capela construída no século passado e o buraco de oito andares para baixo.”

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Azulejos de Fernando La Rocque – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Por fim, no rooftop, uma piscina de borda infinita de 500 metros quadrados de azulejos pintados à mão pela artista Sandra Cinto. Lugar incrível para assistir ao pôr do sol, tomando um drink com vista para a selva de pedra da região. Azulejos exclusivos estão por toda a parte no Rosewood: mais de 8 mil foram feitos para a cozinha de um dos restaurantes, pelo artista Fernando de La Rocque, com a temática da maternidade para fazer ligação com as raízes do prédio. Neles, é possível ver mulheres cis e transgêneros de pernas abertas, como se fossem parir.

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Obra de ANAHU – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

Obras de diferentes artistas recheiam corredores e quartos do hotel: em um dos andares, a artista urbana Ananda Nahu, conhecida como ANAHU, da Bahia, pintou obras exuberantes em que a cultura indígena, o ouro brasileiro e as raízes do povo brasileiro foram amplamente exaltadas.

“Tudo fala sobre o Brasil. É colorido, é vivo, tem a cara e as feições do povo”, contou Pottier. Os quartos seguem na mesma toada, com livros e fotos de diferentes regiões e cantos do País. A trilha sonora de quem escolhe ficar no Rosewood é embalada por violões autografados por Caetano Veloso e Gilberto Gil, espalhados pelos quartos.

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Aquarela de Virgílio Neto – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

A principal escultura do projeto, que foi feita por Arthur Lescher, pode ser vista de outro dos restaurantes do hotel, o Taraz. “A obra trata do masculino e do feminino por sermos, antes, uma maternidade. São duas estruturas independentes, que falam por si só, mas se interligam.”

Há ainda obras do artista carioca Daniel Senise, que resgatou a memória do hospital com recortes nas paredes que “emolduram” (a partir de buracos feitos nela) antigos rabiscos e pichações, preservando a história do prédio que ficou desocupado por décadas. “Tudo estava abandonado por mais de 20 anos. Ele veio e escolheu os recortes nas paredes que queria preservar. Um artista de memória: esse é o foco dele”, conta Marc. “Foi o mais difícil de convencer que precisava estar aqui. E deu esse resultado lindo.”

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O empresário francês Alexandre Allard, dono do empreendimento Cidade Matarazzo – Foto: Rodrigo Marques @ ODMGT

O Rosewood é ainda o único hotel no Brasil que oferece um serviço de concierge de arte, comandado por Osvaldo Costa, em que ele acompanha hóspedes que queiram conhecer ateliês de artistas brasileiros, ir às exposições que estejam rolando na cidade e muito mais. O foco principal deste gigantesco projeto de arte, que demorou mais de dois anos para ficar pronto e “estrear” de forma exemplar no empreendimento de Alexandre Allard, é exaltar o Brasil e dar espaço (relevante) para a produção artística nacional.

“É uma celebração do País. Um reflexo da história que queremos contar, de que é preciso voltar o olhar para o que é feito por aqui. Nos quartos, no lobby e em todos os cantos há itens que tratam sobre política, poesia e arte brasileira. Você tem tudo isso à sua disposição para mergulhar na riqueza nacional.” Bravo!