Foto: Divulgação

Por Matheus Evangelista

Quando a pandemia foi declarada, um novo rosto surgiu e fez o confinamento, de certa forma, ficar mais leve e divertido. Foi com um vídeo onde saía de fininho de situações cotidianas como o simples anúncio de uma pizza grátis (oba!), na compra de uma grande (como assim?), que Camilla de Lucas passou a debochar de tudo e de todos.

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“Foi em um sábado à noite, durante a quarentena, que gravei esse vídeo. Sempre gostei muito de sair, se não estivéssemos em casa nesse momento eu estaria em alguma festa e nada disso teria acontecido”, explica a fluminense, de 25 anos, em entrevista à Bazaar.

Para entender o fenômeno Camilla de Lucas é preciso voltar a 2016, quando a jovem de Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio, começou um canal no YouTube para falar sobre cabelos crespos – hoje contabiliza mais de 1,5 milhão de assinaturas por lá, 295 mil seguidores no Twitter, quase dois milhões no Instagram e outro milhão na plataforma que aproximou as pessoas durante o distanciamento. “Não usava antes e todo mundo falando TikTok, TikTok e eu ‘o que é isso gente?’ Já não sou uma pessoa muito normal, comecei dublando e de repente viralizei”, explica ao lembrar de como tudo começou.

As caras e bocas são reais, a gargalhada é por nossa conta e a responsabilidade por tantos números assim é todinha dela, que não gosta do termo blogueira, muito menos influencer. Camilla se considera uma criadora de conteúdo e sabe muito bem que, para falar com tanta gente assim e entreter de tantas formas, é preciso ter jogo de cintura.

“Não estou dando conta de cuidar da minha própria vida, como é que eu vou querer influenciar alguém?”, diverte-se. “Sei que tenho uma representatividade, mas não represento todas as mulheres. Nunca me coloco como porta-voz. Quando vou falar sobre alguns assuntos, falo sobre a minha visão e não sobre uma comunidade. Essa é a única responsabilidade que eu tenho na hora de me comunicar.”

Camilla percebeu que quando dá mais de si, funciona. “As pessoas querem algo mais de alma, divertido, dinâmico. Conteúdos rápidos. Afinal, ninguém quer mais ficar preso a vídeos de 10 minutos, isso já era”, explica, ao pontuar essa mudança de comportamento diante das tantas ferramentas e possibilidades de consumir informação atualmente.

Foi exatamente esse pé no chão, menos drama e mais charme, que colocou a moça no radar de humoristas e celebridades. “Não esperava chamar essa atenção toda, alcançar tanta gente assim. Por ser um nicho, como eu não trabalho com TV, achei diferente. Morando aqui, em Nova Iguaçu, com meu celularzinho, e saber que cheguei até a Taís Araújo. Quando vi isso, passei mal”, brinca ela que, pelo andar da carruagem, pode aceitar novos desafios em um piscar de olhos.

O ponto de partida de Camilla foi olhar para o trabalho da afro-americana Jackie Aina, criadora de conteúdo, que chamou sua atenção pela liberdade como brincava nos vídeos, como fazia loucuras ao vivo e sempre up-to-date em temas cotidianos.

Além disso, para manter o equilíbrio, ela confessa que anda rindo mais do que deve em páginas de memes no Instagram. A favorita? Saquinho de Lixo. “Eu sou chata. Não aguento ficar vendo foto, foto, foto, foto da pessoa. É postagem o dia inteiro, pelo amor de Deus! Até penso: não posso enjoar quem me segue”, conta, entre gargalhadas.

Mas nem tudo são flores. Na meteórica ascensão de Camilla, e em tempos de cancelamento na web, todo cuidado é pouco. “O entendimento que eu tenho é: eu não gosto de todo mundo que eu vejo, então obviamente tem uma galera que não vai gostar de mim, vai me achar forçada. Pode me chamar de chata, dizer que eu estou feia. A única coisa que me preocupo, e cuido muito, é que a comunidade negra fica atenta a tudo, qualquer coisa, qualquer deslize. Então tento, antes de postar, analisar, ver o que estou falando, para não ser cancelada por bobeira”, entrega.

Para finalizar o papo, pergunto se ela se considera uma pessoa famosa. Afinal, com quase 2 milhões de seguidores a vida deve mudar um pouquinho, né? “Gente, não! Antes do boom já vinha uma galera nas festas falar comigo. Mudei de casa no início da pandemia e os vizinhos aqui vivem batendo na minha porta, é divertido. Mas não estou indo para a rua, no máximo, vou ao mercado e sempre encontro alguém. Ai gente, eu toda descabelada na rua. Não sei se eu estou famosa, você acha?”, pergunta e solta uma gargalhada. Temos certeza!