Decio Noviello - Foto: Divulgação
Decio Noviello – Foto: Divulgação

Por Kênya Zanatta

Com uma surpreendente combinação de arte, arquitetura e paisagismo, o Instituto Inhotim se tornou, nos últimos anos, um dos destinos preferidos dos apreciadores de arte contemporânea. Mas quem não pode fazer a viagem até Brumadinho já tem motivos para comemorar: a instituição inaugura, neste mês, a primeira mostra de sua coleção fora de MG, Do Objeto Para o Mundo – Coleção Inhotim.

A sede do Itaú Cultural, em São Paulo, recebe 38 obras produzidas de 1950 até os dias de hoje por 29 artistas de várias partes do mundo, entre eles Cildo Meireles, Lygia Clark, Jac Leirner, Tsuruko Yamazaki, Gabriel Sierra e Chris Burden. “A exposição percorre toda a linhagem histórica representada no acervo, a partir dos neoconcretistas, e permite contextualizar o trabalho que fazemos lá”, afirma Rodrigo Moura, diretor de arte e programas culturais de Inhotim.

Juan Araujo - Foto: Divulgação
Juan Araujo – Foto: Divulgação

Segundo ele, a mostra ajuda a entender o desenvolvimento da arte contemporânea no País, indicando relações entre as práticas adotadas pelos artistas entre os anos 1950 e 1970 e as manifestações atuais. “Por exemplo, temos obras de Hélio Oiticica e Lygia Pape que anunciam o movimento em direção à instalação e à arte ambiental”, explica Moura.

Jac Leirner - Foto: Divulgação
Jac Leirner – Foto: Divulgação

Para o curador, alguns objetos presentes na exposição representam “o impulso que levou a uma arte mais espacial, mais próxima do espectador, que é o que vemos em Inhotim”. Os Relevos Espaciais de Oiticica são um exemplo disso. Trata-se das primeiras obras tridimensionais, suspensas no espaço, do artista neoconcretista. Ao contrário da relação frontal tradicionalmente estabelecida com a pintura, essas peças instauram uma relação complexa com o espectador, ao exigirem que ele mova o corpo para descobrir todas as suas facetas.

O movimento neoconcretista se interessava pela dimensão social da arte e pela interação entre arte e público. Outra expoente dessa corrente, Lygia Pape está presente na mostra com seu Livro da Criação, constituído por páginas de composições abstratas retraçando a origem do mundo. A intenção inicial da artista era que os espectadores manuseassem o livro, criando outras narrativas e significados.

Hélio Oiticica - Foto: Divulgação
Hélio Oiticica – Foto: Divulgação

Enquanto parte do acervo vai ao encontro do público longe de casa,o museu ao ar livre criado pelo colecionador Bernardo Paz é constantemente enriquecido. Ainda neste ano, o Instituto Inhotim inaugura um novo pavilhão dedicado à obra da fotógrafa suíça Claudia Andujar. Radicada no Brasil desde a década de 1950, ela registrou o cotidiano dos índios yanomami na floresta amazônica.