Isabél Zuaa se destaca como um dos grandes nomes do cinema brasileiro
Foto: Divulgação

Quando pequena, Isabél Zuaa sonhava ser cozinheira, bailarina, médica…Cogitou até ser jornalista. Foi nessa brincadeira de criança, na periferia de Lisboa, que encontrou seu ofício. Virou atriz muito influenciada pelas novelas brasileiras. Relutou bastante antes de entrar na faculdade de artes cênicas e o teatro lhe mostrar que poderia encarnar todas essas facetas em um mesmo lugar: o palco.

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“Sempre viram que eu era desse lugarzinho diferente. Brincam muito comigo, até hoje, por ser muito criativa e querer organizar festas, cantar e dançar para todo mundo”, conta em entrevista à Bazaar.

Aos 33 anos, a multiartista portuguesa vem sendo um nome onipresente no cinema brasileiro, como no longa “Um Animal Amarelo”, de Felipe Bragança, prestes a estrear. Nele, Isabél interpreta Catarina, uma traficante de pedras preciosas. O filme, descrito como uma tragicômica fábula tropical sobre as heranças do colonialismo português no País, narra a história de Fernando (Higor Campagnaro), um cineasta falido que busca produzir seu filme.

Entre Portugal, Moçambique e seu país de origem, o Brasil, segue em uma jornada de desventuras, confrontando fantasmas do passado. “Catarina usa o personagem de Higor para vender diamantes, mas o inesperado acontece”, adianta. “Ela é pouco flexível sobre as questões do homem branco. Brinco que é uma vilã com princípios”, ri. Por essa interpretação, Isabél levou o Kikito de melhor atriz em um longa-metragem, no Festival de Gramado deste ano.

A paixão pelo Brasil veio há dez anos, quando fez um intercâmbio no Rio, na época da faculdade, e, desde então, fica nesse vaivém transatlântico. Está em Portugal desde o início da pandemia e pretende voltar para cá logo mais. “O Brasil me deu vários presentes, principalmente sentir que existe a possibilidade de a gente criar no meio de todas as adversidades”, afirma. “Fortaleceu muito a minha fé. Amadureci e, junto comigo, a minha crença, a possibilidade de ser e estar.”

Isabél começou atuando no longa “Aquilo que Sobra”, de Humberto Giancristofaro, antes mesmo do filme que a fez decolar, “Joaquim” (de Marcelo Gomes sobre Tiradentes, exibido até no Berlinale). “Fui fazendo algumas participações em séries. Mas nunca consegui fazer novela porque sempre estava em outro trabalho, acredita? Mas quero, com certeza, ter um bom personagem.”

Sem pressa, ela se vê como uma artista freelancer, morando em dois lugares, e é desse jeito que gosta de ocupar seu espaço no mundo. Em qualquer que seja a casa, ama cozinhar. As receitas são para beliscar: guacamole, homus, suco verde, ovo mexido com aspargos e cogumelos.

Isabél Zuaa se destaca como um dos grandes nomes do cinema brasileiro
Foto: Divulgação

Não bastasse a vida de atriz, sua verve musical é daquelas performáticas. “Canto e ainda quero gravar os meus álbuns. Deixa eu me dedicar”, gargalha. Seu forte é a interpretação. “Sou ousada, canto música tradicional africana, fado, jazz”, explica, enumerando Nina Simone e Aretha Franklin como divas-mór. Isabél também integra uma banda chamada As Primas, em pausa por causa da pandemia.

Desde a infância, teve contato com a ancestralidade africana por meio da dança. “Em cada lugar que vou, faço acupuntura, dança e pilates. O corpo mexe e a cabeça libera um monte de coisas boas”, diz ela, cujo hobby tem sido a dança afro. “Me sinto viva a cada aula, em especial a dos orixás. É muito poderosa. Você cultua seu corpo, é um ritual.”

Como a maioria dos seus terapeutas fica do lado de cá do oceano, e optou por não fazer sessão online, se jogou no reiki, em consulta bioenergética, e também começou a praticar kung fu. Porque, segundo ela, o ano foi #intenso (assim mesmo, com hashtag).

Ano que vem, sabe que vai voltar ao Brasil e deve ficar na casa da amiga Rita Wainer, no Rio, para rodar o primeiro longa de ficção de Julia de Simone. Ainda vai dar um pulo na Polônia para outro filme. Sua peça “Aurora Negra” estreou em Portugal e deve dar alô pela África. Já deu o ok para estrelar o espetáculo “The Site”, dirigido por Jorge Andrade, com a companhia portuguesa Mala Voadora.

Por aqui, ainda tem para estrear o filme “Pedro” (que narra a história de Dom Pedro I, interpretado por Cauã Reymond), de Laís Bodanzky, e a coprodução Brasil-Argentina “Lilith”, dirigida por Bruno Safadi, em que interpreta a protagonista. “O Novelo”, de Claudia Pinheiro, e “Prisioneiro da Liberdade”, dirigido por Jeferson De, vêm aí, além da série “O Complexo”.

Não bastasse, lê bastante, namora o diretor de fotografia brasileiro Felipe Drehmer e (ufa!) segue criando projetos autorais. Se o artista vai aonde o povo está, Isabél não cansa de se desdobrar.