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Janaina Tschäpe: visite a primeira individual em Nova York

Artista brasileira estreia no fim do mês na galeria Sean Kelly

by Felipe Stoffa
Foto: Vicente de Paulo

Foto: Vicente de Paulo

Janaina Tschäpe vive há 22 anos em Nova York, onde mantém estúdio e residência, ambos no Brooklyn. Dentro da calmaria do ateliê, nem parece que trabalha em um quarteirão industrial. Filha de mãe brasileira e pai alemão, Janaina viveu em constante trânsito entre os dois países.

Esse repertório que vem da própria vida, como no caso do questionamento da identidade, são alguns dos recursos que aparecem na produção da artista. Sua obra é reflexo de um olhar atento e apaixonado às experiências, cores, cenários e memórias que vivencia.

As pinturas que faz envolvem o espectador para dentro de um mundo místico. “Crio a memória de paisagens”, diz. Durante a conversa com Bazaar, a artista dava os últimos retoques na série de sete pinturas em grande escala que abrem sua primeira exposição individual na galeria americana Sean Kelly, que passou a representá-la recentemente, e que entra em cartaz no próximo dia 26 de outubro de 2018.

Foto: Divulgação

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No Brasil, ela integra o time da Fortes D’Aloia & Gabriel. “Comecei a trabalhar com a Sean Kelly no final do ano passado. É uma galeria incrível, o espaço dá para exibir pintura grande”, ela elogia, enquanto fica ao lado de uma delas para comparar o tamanho da obra, que mede 2,77m X 4,75m. “Aqui no estúdio já não cabe mais nada.”

O desafio para a exposição é a dimensão das telas. “Meu trabalho tem uma reflexão física e gestual, uso o corpo inteiro para pintar”, diz. Há quase um ano envolta na criação da série, ela enfatiza que foi uma batalha. “No começo, fiquei com medo, mas fui desconstruindo isso. É como tocar instrumento, você controla a gestualidade.”

No caso dela, os pincéis. A paisagem é o que permeia seu pensamento criativo. É ponto de partida e também produto final do trabalho. De um pôr-do-sol inesquecível, a vista montanhosa e dramática do Rio de Janeiro ou a natureza vasta e incontrolável do interior do Brasil, ela retém na memória pequenos flashes para misturar tudo nas telas. O resultado é um novo cenário. “Nem sempre a paisagem fica clara, ela pode ser uma sugestão”, completa.

Foto: Divulgação

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A fascinação de Janaina pela cor é o toque final do pensamento. Outro dia, encontrou uma variação de rosa cujo nome, em inglês, é tickle me pink. “É uma cor que vem de uma emoção muito forte”, compara.

Para arejar a mente, ela tenta visitar a Alemanha pelo menos duas vezes ao ano, acompanhada da filha. Possui também uma fazenda em Bocaina de Minas (MG), onde parte da família vive pelas redondezas. Lá mantém um ateliê, mas a inspiração chega na forma da grama, a cor do verde e toda a beleza visual que contorna a propriedade.

“Gosto muito da natureza brasileira, ela é sem limite, mais profunda e densa. Fiquei quatro semanas na fazenda e agora tenho meio ano de comida para o cérebro”, brinca. “Como artista, estou sempre buscando uma situação vulnerável, ou o trabalho acaba. Pintar é uma questão de vida, você pode manter um diálogo para sempre”, conta Janaina.

Foto: Divulgação

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Dentro das obras da mostra, “Humidgrey” é exemplo da busca por sensações. “Ela tem um fundo cinza que me remete à Croácia. Estava lá por causa de uma exposição. Sentada, vi o pôr-do-sol, e o céu virou uma loucura, cinzas entrando em um vermelho. Aquilo estava cheio de drama e emoção, e pensava: ‘Nossa, é um cinza tesão!’”

Sean Kelly Gallery: 475 Tenth Avenue, Nova York. Em cartaz até o 8 de dezembro