ON FIRE! Jessica Chastain em foto feita no cenário do filme "A Colina Escarlate" - Foto: divulgação
ON FIRE! Jessica Chastain em foto feita no cenário do filme “A Colina Escarlate” – Foto: divulgação

Por Luísa Graça

Uma semana “normal” de trabalho, em setembro, dá a medida certa de como a ruiva Jessica Chastain vem se consolidando em Hollywood, como uma das atrizes mais quentes do cinema – sem trocadilho com a cor de seus cabelos. Ela esteve em Praga fazendo a pré-filmagem de The Zookeeper’s Wife; depois, voou para o Canadá, para a première de Perdido em Marte, no Festival de Cinema de Toronto, onde apareceu radiante num Givenchy de veludo; seguiu, então, para Milão, para um evento da Piaget, marca de joias da qual é embaixadora; e, finalmente, está em Nova York, onde mora com Chaplin, seu cachorrinho de três patas, em um apê em Greenwich Village, para, entre outras coisas, receber Bazaar para uma entrevista. “Sei que preciso desacelerar um pouco, mas é difícil, porque amo tanto o que faço…”, diz, respirando fundo.

Pele translúcida cuidada à base de chá verde, ossatura fina e cabelos vermelhos flamejantes, Chastain fala à Bazaar em um dia corrido, pouquíssimas horas após acompanhar o desfile de verão 2016 na primeira fila da Ralph Lauren, ainda vestindo o macacão azul-marinho da marca, feito sob medida. Há algo de poderoso nela. É generosa e fala com confiança, direto ao ponto, ainda que se permita mostrar vulnerável. “Algumas pessoas são tão lindas que isso chega a prejudicar suas carreiras. Definitivamente, não sou bonita assim. Ainda bem que meu papel como atriz não é ser autoconsciente quanto à minha beleza”, diz, perspicaz, depois de contar que, por muito tempo, teve dificuldade em conseguir personagens no cinema e na TV, porque sua aparência deixava diretores de casting confusos, sem saber onde encaixá-la.

Jessica Chastain em cena da ficção "Perdido em Marte" - Foto: reprodução
Jessica Chastain em cena da ficção “Perdido em Marte” – Foto: reprodução

Jessica, 38 anos, tem beleza imaculada e, apesar da aparência distinta, é capaz de se transformar por completo em fotografias e, mais do que isso, deslizar entre gêneros de filmes interpretando personagens totalmente diferentes – das glamorosas às sem vaidade,de sensíveis a duronas. Sempre fundamentalmente complexas, claro. Seu mais novo longa, A Colina Escarlate, terror de Guillermo del Toro em cartaz nos cinemas, narra a história de uma jovem escritora que tem sua sanidade abalada ao se mudar para a casa do homem que ama, um lugar cheio de mistérios macabros. “Encontrar essa mulher que precisa desesperadamente de amor e ficar na escuridão e solidão dela… Fiquei muito deprimida durante a filmagem e custei a me recuperar”, revela a atriz, que tem como papel a cunhada frígida da protagonista. “Mas, sabe… quão incrível é ganhar a vida se colocando no lugar de outras pessoas? Isso me torna mais compreensiva e humilde.”

Foram cinco meses na pele de Lucille, dividindo cenas com Mia Wasikowska e Tom Hiddleston na mansão escura e arrepiante, construída especialmente para o romance gótico. Faz questão de dizer que recebeu um salário justo pelo trabalho extenso e intenso.“Feminismo é igualdade de salários. Salários iguais por trabalhos iguais”, afirma, satisfeita. Não à toa, a ruiva é hoje espécie de porta-voz não-oficial do feminismo em Hollywood.“As histórias de liberação feminina que Riccardo Tisci conta por meio das roupas que cria me empolgam”; “uma mulher deve se sentir confortável com a ideia de que seu valor está em sua inteligência e talento, e não em sua sexualidade”; “quero que jovens garotas vejam filmes como Interestelar, Gravidade e Perdido em Marte e desejem ser astronautas e saibam que isso é, sim, uma possibilidade de carreira para elas” são algumas das frases que profere com propriedade.“Já trilhamos um longo caminho, mas as mulheres ainda têm muito pelo que lutar”, pondera.

A atriz na mansão de "A Colina" - Foto: divulgação
A atriz na mansão de “A Colina” – Foto: divulgação

Além de feminista e atriz, Chastain se declara “fanática por Elvis e literatura” – participa até de um clube do livro, com Anne Hathaway e Emily Blunt. Aproveita, então, para recomendar aos leitores desta Bazaar seu livro favorito de todos os tempos, O Sol é Para Todos, de Harper Lee, lançado em 1960.“Atticus Finch é um dos meus personagens prediletos. Ele diz algo como ‘nunca julgue alguém antes de andar uma milha em sua pele’”, parafraseia.“Quanto mais diversas as mulheres que inter preto, mais me lembro da diversidade de pessoas no mundo e do fato de que estamos todos conectados.”

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