Jessie Ware – Foto: Divulgação

Quando a fase do álbum “What’s Your Pleasure?” (2020) havia chegado ao fim, Jessie Ware teve sua música “Remember Where You Are” incluída na playlist de Melhores do Ano do ex-presidente americano Barack Obama. Foi quando, então, o apresentador Graham Norton – outro apaixonado pelo som – a chamou para cantar a música em seu programa na televisão inglesa.

Dois acenos para ter um estalo, pois nem sua gravadora acreditava que pudesse prolongar a promoção daquele lançamento: “Tive esse apoio externo, amamos, e decidimos continuar. Pensei: certo, vamos fazer uma versão estendida”, conta à Bazaar sobre “The Platinum Pleasure”, a versão deluxe com oito novas faixas, disponível nas plataformas digitais, além dos formatos físicos, como CD, vinil e fita cassete.

Nos primeiros acordes da faixa-título, tente se controlar para não deixar seu corpo vibrar e se entregar às batidas. Apague as luzes da sala e se imagine em uma pista de dança com o globo espelhado girando. Nostalgia pura! Com essa atmosfera, a cantora britânica brindou seus fãs no ano passado. “Não pretendia que soasse como um álbum disco, pois claramente tem influências, mas não estava focando apenas nos anos 1970. Está mais para a cena de Nova York dos anos 1980 ou um pouco mais à frente”, entrega. “Estava assistindo ‘Pose’, aquela série de TV, e fiquei encantada por este mundo, suas músicas e passos de dança (voguing)”, explica.

Ao fazer o dever de casa para levar a essência do famoso Studio 54 – retratado na série “Halston“, da Netflix – ao seu podcast, comandado ao lado da mãe e chamado Table Manners (Modos à Mesa, em tradução livre), ela se viu apaixonada pela diversão, leveza e profundidade carregada por essa musicalidade. “Esse flerte veio com o disco e adorei, adicionando um groove a mais para as pessoas dançarem. Você pode contar uma história e, ao mesmo tempo, fazer dançar.”

Para Jessie, o quarto álbum foi catalisador, pois foi entendendo seu lugar no cenário musical, em especial o britânico. “Agora me conheço, entendo meu desempenho. Confiante à medida que envelheço (ela tem 36 anos), mais segura das minhas decisões. Foi um momento realmente reconfortante”, assegura.

Por causa dele, concorreu ao Brit Awards 2021 nas categorias Artista Solo Feminina e Álbum do Ano, perdendo para Dua Lipa, outra responsável pela volta desse mood entre décadas. “Amei a reação das pessoas a respeito do meu trabalho. Fiquei animada em entregar mais músicas, já que vou dar à luz por agora e só voltarei para uma turnê mais para frente. Meu próximo trabalho não soará como este. Se não aproveitássemos agora, seriam descartadas.”

Jessie Ware e seu terceiro filho, que nasceu na última quinta-feira – Foto: Divulgação

Por falar em disco novo, depois de dar à luz ao terceiro filho, está com os dedos cruzados para nos brindar com novas faixas. “Escrevi bastante para o quinto álbum. Animada porque vai soar diferente do ‘WYP?’, mas terá bastante energia e mais bateria ao vivo.”

Mas se engana quem a vê como novata nessa indústria. São quase dez anos desde o lançamento de “Devotion”. Sucesso longevo, pois, segundo ela, mulheres têm carreiras mais curtas em relação aos homens. “Sinto orgulho. Ainda estão ouvindo e comprando minha música, querem mais e agora sei o que estou fazendo. Pode durar mais 10, 20, 30 anos. Por favor, Deus”, exclama.

Além de um menu recheado de convidados especiais em seu podcast (como Paul McCartney, Robbie Williams, além da própria Dua e Kylie Minogue), Jessie está lançando o livro “Omelette: Food, Chaos and Other Conversations”, em que conta sua jornada por meio da comida, um resumo de pratos com paladar de saudade. “Descoberta de sabores, primeiras experiências, erros que cometemos quando crescemos ao sermos desapontados, amor florescendo. Não sabia, mas havia tanta coisa ali…”, finaliza.

Enquanto não pode circular, Jessie aproveita os poucos dias de folga assistindo besteiras na TV. “Meu marido pergunta como posso ser a mulher mais ocupada e ambiciosa e fazer esse tipo de coisa? Isso me relaxa, me deixa feliz. Posso fazer isso o dia todo, comendo sanduíches, cereais, snacks e drinks na cama.”

Do Brasil, guarda no coração lembranças de uma viagem de férias, quando tinha 19 anos. “Adorei, foi de longe o melhor lugar onde estive. Estou desesperada para voltar”. Nós também e, de preferência, com banda e tudo.