Mirror Piece I Reconfigured, performance realizada pela primeira vez em 1969 e refeita em 2010, no Guggenheim Museum, NY - Foto: reprodução/ Bazaar Art
Mirror Piece I Reconfigured, performance realizada pela primeira vez em 1969 e refeita em 2010, no Guggenheim Museum, NY – Foto: reprodução/ Bazaar Art

Por Nina Gazire

Existe algo de musical na obra da norte-americana Joan Jonas. Pioneira ao usar a câmera de vídeo para registrar suas performances, a partir do final da década de 1960, ela não abandona suas primeiras criações, como muitos artistas fazem. Como se executasse uma composição de jazz, a artista atualizou vários de seus trabalhos com o passar dos anos.

A obra Mirage, de 1976, por exemplo, começou como uma performance sobre o gestual do desenho – a artista usava giz para desenhar composições rítmicas – e, em 2005, tornou-se uma instalação, com o acréscimo de imagens em vídeo de vulcões e máscaras. “Joan é como uma jazzista que improvisa em cima de um tema inicial e o vai desdobrando”, observa Paul C. Ha, diretor do MIT List Visual Arts Center e responsável por indicar a veterana como representante dos Estados Unidos na próxima Bienal de Veneza, em 2015.

Ela já participou três vezes da mostra de Veneza, mas nunca como representante de seu país. Para ocupar essa posição, foi indicada duas vez anteriormente, mas apenas na terceira que obteve sucesso. “Quando recebeu a notícia de que havia sido escolhida, ela permaneceu em silêncio por cinco minutos e, depois, disse, ‘uau’, relembra Ha, que também é responsável pela curadoria e financiamento da participação da artista na próxima Bienal, onde ocupará cinco salas do pavilhão dedicado aos EUA.“Estivemos visitando o espaço em junho e pensamos em apresentar trabalhos em vídeo e desenhos, mas tudo ainda está um tanto indefinido, já que todas as obras serão inéditas”, explica Ha em entrevista a Bazaar.

Entretanto, a celebração começa um pouco antes de Veneza. Nesta quinta-feira (02.10), Joan Jonas ganha uma retrospectiva no Pirelli Hangar Bicocca, em Milão. Denominada Long Time Tales, a mostra apresenta 20 trabalhos, dentre eles dez instalações, dez vídeos e a performance Reanimation, apresentada na Documenta de 2012. Nesse trabalho, ela se inspira em um conto do escritor islandês Halldór Laxness, em que um jovem missionário é enviado pelo bispo da Islândia para investigar atividades paranormais ao redor de uma geleira, criando imagens fantasmagóricas ao unir desenhos a projeções.

O conceito central da retrospectiva é a relação entre narrativa e tempo na obra de uma artista cuja fortuna crítica costuma destacar o seu envolvimento com o feminismo e com o corpo para criar novas formas de contar histórias. Must visit!

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