O Cão (2015) resina com pó de bronze - Foto: Divulgação
O Cão (2015) resina com pó de bronze – Foto: Divulgação

Por Paula Jacob

Explorando novas formas de representação de suas temáticas, João Castilho estreia em nova mostra individual na Zipper Galeria, em São Paulo. Aberta ao público até 12 de setembro, a exposição Porcelana e Vulcão traz materiais e fenômenos naturais como uma metáfora da dialética das obras.

Inspirado pelo texto homônimo de Gilles Deleuze, que estuda o conceito de fissura em The Crack Up, de Fitzgerald, onde “toda vida é, obviamente, um processo de demolição”, João transita entre o frágil e o monumental agressivo de forma sutil. O desdobramento, sempre aprofundado, de seu trabalho é a grande questão. Novas formas de representação ganham espaço no seu repertório, como os objetos, vídeo e a já conhecida fotografia.

Os jabutis em Irreversíveis, esculturas em terracota - Foto: Divulgação
Os jabutis em Irreversíveis, esculturas em terracota – Foto: Divulgação

Entre as obras inéditas, o Cão (2015) e Irreversíveis (2014) são esculturas de animais em posições sem saída. No caso da primeira, o cachorro morde o rabo em movimento circular, como a famosa figura de ouroboros. Na segunda, jabutis com o casco para baixo, um cheque-mate na anulação de uma situação. “Busquei usar os animais para representar ocasiões que nós, seres humanos, passamos no dia a dia,” conta o artista em entrevista à Bazaar. “É a primeira vez que faço esculturas, é um processo trabalhoso, porém hiper-realista,” comenta João, que, com ajuda de artesãos, conseguiu montar ambas as figuras a partir de suas fotografias.

Video "Alvo" - Foto: Divulgação
Video “Alvo” – Foto: Divulgação

Em Corte (2015), João fotografou obras de Amílcar de Castro em partes, que não formam o todo, mas a ideia dele. As fissuras lembram movimentos de espada dos antigos samurais. No vídeo Alvo (2015) seis flechas são atiradas em um suporte, vistas da parte de traz dele. Um impacto visual e sonoro não esperado, como uma representação da violência repentina. Por último, Dinheiro Pintado (2015), obra feita com notas manchadas de tinta vermelha, após tentativas de roubo em caixas eletrônicos. “De novo, um ato anulado no final do processo,” comenta.

Arara Vermelha I (da série Zoo) impressão a jato de tinta - Foto: Divulgação
Arara Vermelha I (da série Zoo) impressão a jato de tinta – Foto: Divulgação

A exposição ainda conta com duas fotografias da série Zoo (2014-2015), premiada pelo Instituto Moreira Salles e pela Fundação Conrado Wessel de Arte, com araras em ambientes domésticos. O deslocamento de habitat como representação da parte animal que temos dentro de nós.

Referências ao famoso livro Metamorfose, de Franz Kafka, são pequenos detalhes vistos no todo da exposição. Além dos contos indígenas, onde homens guerreiros se transformam em animais selvagens, como onças. “A intenção da exposição não está só na foto, o meu momento de trabalho traz essa carga emocional”, explica João. “Tenho que fotografar em grande angular, ou seja, estou cara a cara com o bicho. O medo e a adrenalina de estar em cena fazem parte da obra”, completa. Porcelana e Vulcão, um item a mais na sua to do list!

 

Leia mais

Louis Vuitton vai inaugurar exposição em Londres!

Boas novas: Inhotim agora permite fotografias dentro de suas galerias