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Julia Roy se prepara para primeiro papel em um filme de época

A atriz se destacou no cinema francês após atuações em "Até Nunca Mais" e "Eva"

by redação bazaar
Julia Roy em cena do longa Até Nunca Mais (2017) - Foto: Divulgação/Alfama Films

Julia Roy em cena do longa Até Nunca Mais (2017) – Foto: Divulgação/Alfama Films

Por Cibele Maciet

Ela tem a pele perfeita, fala doce, longos fios loiros e sorriso infantil. Aos 28 anos, Julia Roy perpetua a beleza clássica de atrizes do cinema francês, como Isabelle Adjani, Catherine Deneuve e Marion Cotillard.

Sua ascendência austríaca poderia ter sido um impedimento para a entrada nesse rol monumental de mulheres, mas não foi assim. Nascida em Paris, mudou-se para Viena (cidade natal de sua mãe) aos 8 anos. Fechada no pequeno círculo de amigos e familiares, a menina cresceu em um ambiente privilegiado. “Fiz escola particular, na qual aprendia em alemão, francês e inglês. Era uma atmosfera europeia, ainda que extremamente internacional. Meus amigos eram filhos de diplomatas que vinham dos quatro cantos do mundo e que nunca ficavam muito tempo na cidade”, diz à Bazaar.

Apesar da infância dourada, a estudante não seguiu pelo caminho mais fácil: passava as tardes assistindo a filmes de suspense e frequentava o curso de teatro. “Interpretávamos Shakespeare em alemão, com tradução de Schiller. Me senti, muito cedo, atraída pelo palco, ao mesmo tempo em que tinha muito medo. O grupo do qual fazia parte foi criado pela professora de arte dramática, e ela me disse que eu tinha talento”, conta. “Não gostava de ficar isolada em uma bolha, à parte do mundo.”

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Julia Roy em cena do longa Até Nunca Mais (2017) - Foto: Divulgação/Alfama Films

Julia Roy em cena do longa Até Nunca Mais (2017) – Foto: Divulgação/Alfama Films

Onze anos mais tarde, retornou a Paris e conheceu Benoît Jacquot. O encontro mudou o curso de sua vida e deu início à carreira nas telas. O cineasta, que procurava uma atriz principal para seu longa “Até Nunca Mais” (2016), viu em Julia a candidata ideal.

Além de atuar ao lado do experiente Mathieu Amalric, ela escreveu o roteiro de sua personagem, Laura. “Me preparei muito para viver esse papel, fiquei vários dias presa em casa, sem ver ninguém. O que não foi necessariamente benéfico, porque pode impedir o ator de se manter no presente, que é o que mais importa.”

O fato de ter escrito o roteiro da protagonista acrescentou um talento a mais ao portfólio da atriz. “São ocupações distintas e, ao mesmo tempo, complementares. Uma sem a outra criaria um grande vácuo. Espero poder conjugar as duas atividades mais vezes”, diz. “Mas, como atriz, ainda adoraria trabalhar com cineastas inspiradores, como Paul Thomas Anderson, Jane Campion, James Gray e Lars von Trier“, conta.

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Julia Roy em cena do longa Até Nunca Mais (2017) - Foto: Divulgação/Alfama Films

Julia Roy em cena do longa Até Nunca Mais (2017) – Foto: Divulgação/Alfama Films

Sua atuação no longa lhe rendeu ótimos frutos: ela concorreu ao César de Melhor Atriz Revelação no ano passado, o que garantiu um papel no próximo filme de Jacquot, “Eva” (2018), no qual interpretou a mulher de um escritor obcecado por uma prostituta, vivida por Isabelle Huppert. “Minha preparação foi mais simples, mais modesta. Não escrevi o roteiro e meu papel foi secundário em relação a Isabelle, Gaspard Ulliel e Richard Berry“, fala ela, que deseja colecionar papéis inquietos. “Meu sonho é fazer algo como Jack Nicholson em ‘O Iluminado’ (1980), que despertou em mim a vontade de fazer cinema.”

Aparentemente, sua aura angelical não seria o ideal para esse tipo de obra. “Talvez algum dia. Por isso eu deveria continuar dizendo isso nas entrevistas. Quem sabe alguém escuta?”, brinca.

Enquanto faz a promoção de “Eva”, Julia prepara-se para atuar em seu primeiro filme de época, história sobre o escritor italiano Giacomo Casanova, interpretado na telona por Vincent Lindon.

Além disso, a estrela se ocupa com uma atividade lúdica: decorar sua casa na Costa Mediterrânea com velhos objetos encontrados em antiquários, como luminárias e cadeiras. Passar um tempo ali a faz imaginar e desejar outra carreira. “Poderia facilmente me dedicar à pintura. Artistas como Pollock e Cy Twombly me fascinam. Em todo o caso, entraria de cabeça em qualquer trabalho no qual pudesse me expressar artisticamente.” Talento a francesa tem de sobra.