Foto: Cortesia de Courtesy of: (Yet) Another Distribution Company

Katherine McNamara foi uma das atrizes de Hollywood que teve de se adaptar aos novos tempos tecnológicos em meio à pandemia de Covid-19. Ela gravou o longa Filme de Terror sem Título (disponível no Amazon Prime Video), uma comédia de terror, via Zoom, sem conhecer pelo menos metade do elenco. A produção crava como este sendo o primeiro filme totalmente escrito, pré-produzido, filmado e editado em reclusão.

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“Alguns dias depois de filmar, continuei ouvindo um barulho no meu apartamento. Fiquei com tanto medo! Normalmente, quando você faz isso no trabalho, é em outro lugar. Não na sua casa”, ri. “Liguei para o Luke (Baines, que esteve com ela em Shadowhunters), mandei ele ouvir e disse: se aparecer um demônio real e eu morrer, vou te assombrar.” Agora ela fala sobre o assunto com a maior naturalidade porque já passou o susto.

Em conversa com Bazaar, ela lembra de uma única vez que esteve em São Paulo para a edição brasileira da Comic Con. “Todo mundo que conheci foi adorável”, recorda. Apaixonada por café, a comida foi algo inesquecível. No papo, que a gente detalha abaixo, ela fala dos desafios da produção, curiosidades, além de detalhar sua paixão por filmes de terror. Leia a entrevista na íntegra abaixo!

O FILME
Para as gravações, o elenco teve de aprender a mexer nos equipamentos, se maquiar (inclua aí efeitos especiais), gravar e enviar todo o conteúdo de forma online. Dirigido e co-escrito por Nick Simon, conhecido por A Pirâmide e The Girl In The Photographs (sem tradução), ao lado de Kate, Baines é uma das estrelas do filme com Claire Holt, Darren Barnet, Emmy Raver-Lampman e Timothy Granaderos, além de Kal Penn, Kevin Daniels e Sohm Kapila.

Com um programa de TV cancelado, os seis atores resolvem fazer seu próprio filme de terror, evocando involuntariamente um espírito violento, que ameaça um a um que aparece para o encontro virtual. Os atores fazem de tudo para salvar suas vidas e carreiras. O longa fez estreia em festivais internacionais como Sundance e South by Southwest (SXSW).


Qual foi a coisa mais desafiadora durante todo o processo de produção?
Foi aprender sobre o lado técnico, mas foi também minha parte favorita. Tive a sorte de trabalhar em diferentes sets, com equipes incríveis que sanaram todas as minhas dúvidas e ensinaram pequenas coisas. Mas é muito diferente observar e colocar a mão na massa. Nosso diretor de fotografia Kevin Duggan teve uma santa paciência para ensinar aos seis atores a iluminar e montar câmeras, transferir arquivos. Foi simplesmente brilhante e sou muito grata por ter feito parte disso.

O que a fez aceitar e fazer parte desse filme, porque imagino que seja muito difícil encontrar a química entre os atores a um Zoom de distância…
Muitos dos filmes dependem da química entre o elenco, as brincadeiras e tudo o mais, especialmente no lado cômico. Tivemos um clique logo na primeira sessão de leitura do roteiro. Embora não tivéssemos juntos pessoalmente, a química estava lá desde o minuto em que abrimos o roteiro. Por meio dos fones de ouvido, fomos capazes de estar no mesmo local juntos, ainda que filmando com nossas próprias câmeras, de maneira independente. Ainda tínhamos a liberdade de improvisar, brincar um com o outro, mesmo que não estivéssemos fisicamente na mesma sala.

Tem alguma curiosidade ou história de bastidores que possa compartilhar?
O mais interessante é que cada um de nós capturou tudo por conta própria. Tínhamos conselhos e treinamento de especialistas, mas tivemos de reformar nossos apartamentos e montar um guarda-roupa (para o personagem). Tive de fazer acrobacias no meu próprio apartamento e maquiagem de efeitos especiais. Foi incrível cuidar de todos esses elementos por conta própria. Mesmo nas cenas mais emotivas, você tem que parar e ajustar os adereços. Sempre tive um enorme respeito pela equipe (de bastidores) e pelo que eles fazem. Esses pequenos detalhes que fizeram falta em estar em um cenário real e compor esses elementos.

Você usou suas próprias roupas e maquiagem ou teve suporte da equipe?
Sim, na maior parte do tempo, exceto quando tive de criar hematomas e cortes, essa parte de efeitos especiais, que chegaram em uma caixa. Quanto ao equipamento, eles mandaram luzes, ferramentas, microfones e câmeras. Quando tudo chegou, pensei: No que eu me meti? O que eu vou fazer? (risos) Não sei como usar nada disso, mas realmente valeu a pena, porque aprendemos muito e nossa base de conhecimento cresceu astronomicamente.

Quanto tempo duraram as filmagens?
Filmamos por cerca de seis dias, mas depois cada um teve de refazer algumas cenas mínimas. Quando estavam editando, pediram para refazer uma ou outra porque não havia funcionado. Foi um ótimo processo porque fomos capazes de aprender rápido, tecnicamente falando, porque eram seis câmeras ao mesmo tempo, todas gravando diferentes ângulos.

Atriz conta à Bazaar que teve de fazer maquiagem com efeitos especiais e operar câmeras e luzes (Foto: Divulgação)

Ao todo, quantas pessoas estiveram envolvidas neste projeto?
Não foi uma grande produção…. Tínhamos alguns produtores, diretor e diretor de fotografia. Já conhecia o Luke Baines, um dos coescritores do longa. Ele quem trouxe pessoas para (nos guiar com) cabelo e maquiagem, além de dublês para nos aconselhar. O elenco principal contou com seis atores e estávamos muito famintos por interação social, mas por algum tipo de façanha criativa e produtiva, era o momento perfeito para todos nós mergulharmos de cabeça neste experimento.

Já que vocês não se conheceram antes das filmagens, já deu tempo de se conhecer pessoalmente, agora?
Conhecia apenas metade (do elenco)…. Já conhecia o Luke, o Tim Granaderos e Claire. Mas o resto do elenco, eu conheci apenas alguns – como Kyle e Aisha. Mas o restante nunca conheci pessoalmente. Agora, com o filme lançado, queremos reunir o elenco, já que nunca estivemos todos no mesmo lugar ao mesmo tempo. Seria emocionante ter essa pequena reunião e comemorar.

No filme, vocês fazem algumas brincadeiras de evocação de espíritos. Já fez algo do tipo?
Tenho um respeito enorme pelo mundo espiritual. Nunca quis mexer com isso. Tem coisas que a gente sabe que existem, mas não quero evocar nada negativo para a minha vida. Alguns dias depois de filmar, continuei ouvindo um barulho no meu apartamento. Fiquei com tanto medo! Normalmente, quando você faz isso no trabalho, é em outro lugar. Não na sua casa (risos). Liguei para o Luke, mandei ele ouvir e disse: se aparecer um demônio real e eu morrer, vou te assombrar. Mas agora já está tudo de volta ao normal.

Você foi uma adolescente que cresceu assistindo filmes de terror, como “A Bruxa de Blair” ou “Pânico”?
Cresci assistindo a filmes de terror e thrillers, sou uma grande fã de Stephen King. Essas coisas me levaram a mergulhar neste experimento. O que tornou tudo mais divertido foi o fato de termos muita liberdade, onde pudemos descobrir o que o filme viria a ser. Acabamos criando esse gênero de comédia de terror, uma forma realmente divertida e excêntrica. Se você quer pensar nele como uma comédia ou um filme de terror, você vai se divertir, não importa qual seja sua perspectiva.

Você lembra daquele programa de TV da Nickelodeon, o “Clube do Terror”? Tem alguma lenda urbana que ainda te assusta?
Há algumas coisas que ainda me assustam, mas ouço muitos podcasts sobrenaturais e de true crime. Acho essas histórias fascinantes. Vem do meu amor por contar histórias, contos de fadas e histórias de fantasmas. Mas existem tantas outras… Quando estava na universidade, lembro de ter feito um trabalho sobre os fantasmas dos teatros de Nova York, relembrando as lendas e tradições que aconteceram na Broadway. Mesmo aquele microcosmo é selvagem, faz parte da nossa curiosidade enquanto humanos e acho isso fascinante.

Ouvimos dizer que você vai fazer parte de um novo filme Lenda Urbana, é verdade? É um filme novo ou o remake daquele sucesso dos anos 2000?
Ainda não posso falar nada sobre isso, me desculpe.

Para finalizar, deixe uma mensagem para os seus fãs brasileiros…
Meu muito obrigada por todo o amor, apoio caloroso, paixão… É algo que falamos frequentemente entre o elenco de muitos projetos que fiz. Vocês são acolhedores e amáveis, uma linda comunidade. Obrigada por trazer alegria e luz para minha vida por sempre estarem lá para me apoiar. Espero que gostem do Untitled Horror Movie.