Kênia Genaro veste Prada - Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã
Kênia Genaro veste Prada – Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã

Por Marina Monzillo

Salta, cai, levanta. E então salta mais alto ainda. Essa é a coreografia da vida da bailarina Kênia Genaro desde que saiu de Ribeirão Preto (SP), aos 20 anos, para seguir o sonho de entrar em uma companhia de dança profissional em São Paulo.

Hoje, com uma trajetória robusta na dança moderna e contemporânea, ela acaba de dar mais um grand jeté: aos 49, assinou contrato para seguir nos palcos. Antes disso, foram sete anos no renomado Ballet Stagium e 16 no Balé da Cidade de São Paulo.

Kênia Genaro usa vestido Cris Barros - Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã
Kênia Genaro usa vestido Cris Barros – Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã

Kênia começou a aprender balé e música aos 5 anos. Logo esse universo a arrebatou de tal forma que terminar a escola deixou de ser prioridade. Na adolescência, já integrava um corpo de baile em sua cidade natal. O ímpeto de se aventurar na capital paulista teve, porém, de ser adiado quando, aos 18, rompeu os ligamentos de um joelho durante a aula. “Precisei fazer uma cirurgia, fiquei afastada da dança. Tive medo de não voltar, foram meses de muito sacrifício. Eu me preparava para fazer uma audição em São Paulo, tinha certeza de que ia entrar. Minhas amigas vieram e passaram. Foi muito duro, mas também me alimentou”, diz à Bazaar.

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Kênia Genaro veste Prada - Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã
Kênia Genaro veste Prada – Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã

Um ano depois, recuperada, foi convidada a participar da então recém-criada Canvas Companhia de Dança, e se mudava para uma quitinete na Rua Maria Antônia, na Consolação, que dividiu com mais cinco bailarinos. “Foi uma época puxada, mas muito feliz. Fazia o que queria, vivia da dança.”

Em 1990, ela começou a dar passos largos em direção ao grande objetivo como bailarina: entrar para o Balé da Cidade de São Paulo. “Tinha uma inquietude em relação à companhia, queria experimentar e dançar com aquelas pessoas que eu admirava tanto.”

Kênia Genaro usa vestido Cris Barros - Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã
Kênia Genaro usa vestido Cris Barros – Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã

As audições aconteciam uma vez por ano, e a concorrência era – ainda é – acirrada. Foram quatro tentativas ao longo de uma década. “Cada recusa era uma morte”, relembra a bailarina. Da última vez, aos 31 – o limite para a inscrição é 32 anos –, não passou novamente. Apesar da apresentação tecnicamente impecável, foi considerada acima do peso para os rígidos padrões estéticos do balé. “Nunca tive um físico privilegiado. Não era magra, não tinha uma perna alta, um colo de pé bonitão.”

O que faltava em flexibilidade sobrava em raça. “Com a minha dificuldade, tive de estudar muito. O que escuto é que eu sou uma bailarina forte e expressiva, com presença em cena.” Depois de bastante dedicação e uma dieta, Kênia entrou no novo milênio realizada: uma vaga apareceu.

Era 2000, e logo na primeira montagem que participava no almejado Balé da Cidade, disputou com outras duas bailarinas e ganhou a chance de fazer um solo. “Daí, deslanchei. Foram anos muitos felizes. Em 2004, dancei grávida de seis meses em um solo feito especialmente para mim pelo coreógrafo Luis Arrieta. Em 2010, fui selecionada para me tornar assistente ensaiadora (quem passa a coreografia e treina os bailarinos).”

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Kênia Genaro veste Prada - Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã
Kênia Genaro veste Prada – Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã

Foram muitas turnês internacionais, aplausos, e uma volta aos palcos aos 44 anos, depois de um período dedicado somente à assistência. Os últimos períodos trouxeram a constatação de que já não era a bailarina que saltava mais alto, a que tinha mais vigor. Foram duas lesões em dois anos e o fim do longo ato com o Balé da Cidade. “Pela primeira vez, pensei em sair da área, experimentar outra coisa, mas não me via fora da dança.”

Veio a consciência da maturidade, da importância de cada fase. “A minha forma de pensar e compreender a dança mudou. Demorou para cair a ficha, o físico envelhece e a sua alma, o lugar que você habita, passa por transições difíceis. Não sou menos, não vou deixar de ser a Kênia bailarina”, diz.

Kênia Genaro usa vestido Cris Barros - Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã
Kênia Genaro usa vestido Cris Barros – Foto: Pedro Pedreira, com styling de Rafaela Spinniella. Agradecimento: Estúdio Anacã

E ela encontrou o lugar para isso: a companhia do Studio 3 de Dança, uma das únicas no Brasil que acolhem bailarinos veteranos com brilhantes carreiras e que não querem parar de dançar. “Ali há bailarinos de 27 a 80 anos. Estou começando uma nova estrada, mas minha empolgação continua igual à de quando eu era a aluna sempre disponível para ensaios depois das aulas, completamente envolvida, que não ficava olhando o relógio. Estava plena fazendo aquilo. E ainda estou.”