Kylie Minogue lança álbum de pop setentista, DISCO, seu 15 de carreira – Foto: Charlie Gray

Quando conversamos sobre sua vinda para o festival GRLS (nosso último respiro de normalidade sem máscara e com direito a aglomeração, em São Paulo), em março, Kylie Minogue contou que seu próximo trabalho soaria diferente – e teria outra energia, também, distante dos trabalhos anteriores. Mas que a passagem por Nashville (berço do Country) havia colorido sua escrita. O que ninguém esperava era uma volta às suas raízes, coisas que havia ouvido bem antes de seu primeiro sucesso global, Loco-motion, de 1987.

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O ciclo passou e, nesta sexta-feira (06.11), a cantora lança DISCO, seu trabalho mais contundente em uma década – como a crítica internacional rotulou seu 15º álbum de carreira. As 12 faixas colocam luz à saudade das pistas de dança com uma ode à era dos globos espelhados, os idos de 1970, com muito brilho e – por que não – polainas? “Refletir sobre o passado, na verdade, me inspirou para meu próximo álbum”, disse na ocasião da entrevista. Ela também disse que estava cedo para dizer o fio condutor, mas que seria uma viagem de descoberta. “Tenho uma noção do que é ele, mas somente o tempo vai dizer quando colocar tudo junto”, exclamou.

Se cantoras da nova geração (de Carly Rae Jepsen a Dua Lipa) e até a moda têm se embebido das inspirações metálicas dignas do Studio 54, como nas últimas temporadas de moda, quem mais poderia contar essa narrativa tão bem do que a própria diva australiana? Nosso único pesar é não podermos ir à boate mais próxima e curtir essa atmosfera iluminada. Leia, abaixo, um faixa a faixa desse lançamento:

Bazaar ouviu o álbum em primeira mão antes do lançamento – Foto: Charlie Gray

1) Magic
Atual single de trabalho, serve para o ouvinte entender que está sendo teletransportado para os anos 1970, apogeu da era Disco. De um jeito mágico e vocacional, Kylie entrega notas pomposas e acordes exuberantes. E dá-lhe batidinhas compassadas e muito saxofone. Prepare-se para a vibe eternizada por nomes como Abba, Bee Gees e Gloria Gaynor.

2) Miss A Thing
Como faz falta perder o controle dos pés e ver o globo espelhado girar em uma boate mais próxima, não é mesmo? No melhor estilo upbeat, Kylie clama no refrão para que não percamos nada. E quem somos nós para recusar? Pode ser nosso hino pós-Covid, pois se tem uma coisa que a gente não pode perder pós vacina é curtir esse som numa pistinha.

3) Real Groove
Com refrão chiclete, palminhas e tecladinhos salientes (e cadenciados), a faixa narra sobre aquele encontro com o crush quase esquecido, no melhor estilo “oi, sumido”. Tipo aquela voz azucrinando para você não ligar… Em um ato rebelde, ela se deixa ser guiada pelos ritmos do coração e se joga! Único pecado é o abuso de Auto-tune, mas que se faz necessário e com certo requinte, devemos confessar.

4) Monday Blues
A introdução em estilo sci-fi entrega que a faixa poderia ter um roteiro de ficção científica, em que a semana passa correndo para chegar logo ao final de semana. Trata sobre aquela deprê de segunda depois de curtir o fim de semana, rebolando horrores. Saudades, né?

5) Supernova
Seguindo a onda interestelar, o flerte com Daft Punk segue evidente em uma produção cheia de camadas, cadências gravitacionais e que nos faz questionar: onde está a nave para entrar nessa viagem de escapismo para Júpiter ou Marte? Forte vocação para single!

6) Say Something
Lançado em julho, o single deu o tom com muito glitter e uma certa psicodelia. A música reflete esse sentimento obscuro que veio à tona por conta da pandemia. E, também, o distanciamento social sem deixar de lado sua verve existencialista: “quando poderemos ser um só de novo? Porque o amor nunca acaba”, canta ela na faixa.

Foto: Charlie Gray

7) Last Chance
Moda e atitude caminham juntas, ainda mais se for a última chance para se aproximar da pista de dança. Se despedir dela com a música favorita é a temática dessa track, que evoca Voulez-Vous, do Abba, por suas paradinhas e batidas intermitentes, que oscilam.

8) I Love It
A majestosa parte instrumental, carregada pelo violino certeiro, e refrão chiclete tem tudo o que os fãs do Pop contemporâneo querem. Batida uptempo, que cresce aos poucos, e explode na parte mais importante da música é outro acerto dessa faixa que carrega consigo a onomatopeia “uhull” (do inglês Woo-hoo). Tinha tudo para ser single. O que rolou?

9) Where Does The DJ Go?
Kylie deu um upgrade naquela dedilhada de teclado do início de “I Will Survive”, de Gloria Gaynor (tem até referência na letra), para questionar “onde o DJ vai depois que a balada acaba?”. É aquela track, que te faz sair da fila do banheiro para voltar ao centro da pista, cantarolando e performando do início ao fim. Se tiver em casa, dá pra se imaginar levantando halteres imaginários com polainas neon. Pode apostar!

10) Dance Floor Darling
Demoraram dez canções para, finalmente, Kylie citar o Studio 54 em uma faixa eletrizante, que abusa de sintetizadores, vai aumentando seu ritmo (ótimo recurso) e tem até talk box guitarrado na estrutura. Poderia facilmente estar no repertório de Carly Rae Jepsen ou do duo Chromeo.

11) Unstoppable
Embora alguns fãs possam falar da similaridade com “Holiday”, de Madonna (até porque fala de “open your hearts”, que remete a outra faixa dela), a evolução upbeat com um break repentino remete a “Conga”, parceria de Gloria Estefan com Miami Sound Machine, e até mesmo o beat falado de “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, de Michael Jackson, do fim dos anos 1970. Hit!

12) Celebrate You
Se “DISCO” é sobre escapismo com letras introspectivas, por vezes interestelares, a música que arremata [na versão simples do álbum, sem bonus track] é também a que tem a maior assinatura da artista, que dialoga com trabalhos do passado, como “Golden”. Uma celebração às pistas! Funciona agora, mas também iria muito bem nos anos 1970 ou em qualquer álbum dela. Ouvi de um fã que essa é a faixa que anuncia a hora de ir embora do show, com chuva de papel picado. Que os artistas possam voltar aos palcos. Porque o show no GRLS foi inesquecível para nós e para Kylie!

Álbum chega às plataformas digitais à meia-noite desta sexta-feira (06.11) – Foto: Reprodução