Kylie Minogue – Foto: Divulgação

As vindas de Kylie Minogue ao País são raras como acontecimentos astronômicos. A última vez que a estrela do pop foi vista a olho nu com show ao vivo, no Brasil, foi em 2008. Depois, em 2012, veio para o Festival do Rio, para divulgar os filmes “Holy Motors” e “Jack e Diane”, e, mais recentemente, para o gala da amfAR (2015). “Sempre quis voltar, estou muito animada com essa oportunidade”, conta em entrevista à Bazaar, lembrando da recepção calorosa dos brasileiros.

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Ela é headliner do festival GRLS, que acontece neste sábado e domingo (07 e 08.03), em São Paulo. Kylie ajudou a alinhar o cenário cósmico do pop dançante, onde orbitam Dua Lipa e Selena Gomez – artistas que Kylie tem ouvido bastante. “Gosto de estar atualizada, mas confesso que nunca estou totalmente. Não saio muito do meu mundinho. Ouço músicas e artistas que encontro ou que os amigos me recomendam”, explica.

Ano passado, inclusive, teve um feat. com Tove Lo. “É como se tivesse um pé na nostalgia e o outro no mundo moderno.” Billie Eilish não fica de fora de sua galáxia. Do planeta Brasil, cita Gilberto Gil, João e Astrud Gilberto. Do novo aglomerado, conhece Ivete Sangalo e Anitta. Ainda em 2019, lançou o álbum “Step Back in Time – The Definitive Collection”. “Foi uma chance de olhar para o passado e fazer um balanço da minha jornada até agora”, reflete.

Com a lista de hits em mãos, pensou mais no tempo que separou cada number 1, o dia da gravação, as pessoas com quem trabalhou, as celebrações e os contratempos. “O sonho de uma jovem que se tornou realidade! Refletir sobre o passado me inspirou a fazer o próximo álbum.”

Kylie Minogue – Foto: Divulgação

Se a era country chega para todos, como costumam dizer, Kylie foi descobrir esse fenômeno in loco. Depois de Londres, pisou em Nashville (nos Estados Unidos), berço do gênero, para essa jornada. “Me diverti”, conta. O flerte em “Golden” (2018) rendeu uma experiência inesquecível, que deve “colorir” suas próximas composições. Mas já chega desse cosmos. “Meu próximo álbum terá um som e uma sensação diferentes.”

A empolgação arrefece quando o assunto é ageísmo. A australiana de 51 anos, com mais de 40 anos de carreira e incursões pela TV e pelo cinema, já endereçou tudo sobre o tema em “Golden”, como canta na faixa-título: “Não somos tão jovens, mas não tão velhos. Somos de ouro”. Para ela, é frustrante ter de justificar sua idade na indústria da música. “Deixo que meu trabalho fale por si só”, reage.

O importante é ter consciência da biologia, em que ponto da vida se encontra. E o melhor? Celebrar! Em 2020, sua luta contra o câncer completa 15 anos (ela foi diagnosticada em maio de 2005). “É uma mudança, desafiador ao mesmo tempo em que é uma afirmação pela vida. Vai além de contar datas”, afirma, sobre a experiência profunda e contínua. A vida é diferente depois do susto. “Sou grata por estar aqui e ajudar outras pessoas com minha experiência.”

Dito isso, seu trabalho é conectar emoções às pessoas. Parte fantasia, parte realidade. “Creio que meus fãs sabem distinguir a Kylie da vida real.” Além de Kylie, essa força gravitacional chamada GRLS terá apresentações de Little Mix, IZA, Gaby Amarantos, Tierra Whack, MC Tha, Mulamba e Linn da Quebrada. Ainda haverá talks de cometas importantes, como as escritoras Djamila Ribeiro e Conceição Evaristo, a líder indígena Alessandra Munduruku e mais.

GRLS: 7 e 8 de março, Memorial da América Latina, em São Paulo