Obra inspirada em Joey Ramone - Foto: reprodução
Obra inspirada em Joey Ramone – Foto: reprodução

Por Kênya Zanatta

O universo gótico e excêntrico de Tim Burton aparece neste mês no Brasil em forma de arte. Na versão brasileira, a exposição originalmente montada para o MoMA, de Nova York, que fica em cartaz em São Paulo até maio, ganha cenografia inédita, criada em colaboração com a equipe do cineasta americano. “Queríamos oferecer ao público a experiência de entrar no cérebro de Tim Burton e descobrir os sentimentos que povoam sua mente e alimentam sua criatividade”, explica André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), que vai abrigar a mostra.

O setor principal é dividido segundo as sensações (detalhadas ao lado) que predominam na obra do diretor de Edward Mãos de Tesoura (1990). Por meio de objetos de acervo pessoal, desenhos de infância, pinturas, fotos, esboços em guardanapos de bar, bonecos e storyboards, seis salas mapeiam as obsessões que representam sua vasta produção artística, da qual filmes são só a parte mais visível.

Além de explorar a gênese dos personagens e da atmosfera característica do universo do cineasta, a exposição apresenta itens relacionados a sua filmografia e indica artistas e obras que o inspiraram, como King Kong (1976), o pintor Vincent Van Gogh e o escritor Edgar Allan Poe.

 

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FELICIDADE Em vários filmes de Tim Burton, como Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003) ou A Noiva Cadáver (2004), o confronto entre infância e vida adulta é retratado como uma batalha entre a imaginação e o ceticismo. Essa seção evoca o sentimento de felicidade que surge quando a criatividade não é limitada pelo desencanto inerente ao processo de amadurecimento. Sua principal representação é um dos itens mais destacáveis da mostra: a réplica do Balloon Boy, uma escultura gigante criada para a mostra no MoMA, que inspirou uma versão nos céus de Nova York na tradicional parada de Halloween, em 2011.

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ANGÚSTIA E MELANCOLIA A seção mais pessoal da exposição traz esboços, desenhos e pinturas que refletem a marca da
angústia e da melancolia, sentimentos presentes na psicologia do artista, em toda a sua produção. Essa atmosfera está nos storyboards  do livro de poemas e ilustrações O Triste Fim do Pequeno Menino-Ostra e Outras Histórias, no qual Tim Burton descreve personagens infantis desajustados e infelizes, que tentam sobreviver em um mundo cruel. A mesma atmosfera fantástica, matizada de tons sombrios, é revisitada no mais recente filme do cineasta, o inédito O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, estrelado por Eva GreenSamuel L. Jackson, que tem estreia prevista nos EUA para o final deste ano.

 

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TERROR E HUMOR A interseção entre terror e humor é outra marca do trabalho de Burton. A comédia e o grotesco se sucedem sem delimitação clara em seus filmes, desde Os Fantasmas Se Divertem (1988) e Batman (1989) até Alice no País das Maravilhas (2010) e Sombras da Noite (2012). Seus desenhos e pinturas pessoais também exploram com frequência a dicotomia entre riso e medo. O humor macabro do cineasta se inscreve na tradição do Halloween americano, com esqueletos, bruxas e monstros que oscilam entre o assustador e o patético.

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ENCANTAMENTO A seção recria o encantamento do menino Tim Burton diante de seus heróis de infância, com desenhos dele da época de escola. Essas obras homenageiam clássicos americanos, como o cartunista Don Martin, conhecido pelos trabalhos na revista Mad dos anos 1950 aos 1980. Outra grande influência na obra do cineasta foi o escritor e ilustrador Theodore Geisel, o célebre Dr. Seuss, autor de alguns dos livros infantis mais populares de todos os tempos.