Foto: Harper's Bazaar Espanha
Foto: Harper’s Bazaar Espanha

Por Luísa Graça

Quatro anos atrás, Laia Costa jamais imaginaria que se tornaria atriz, tampouco que, numa manhã, estaria em San Sebastián concedendo uma entrevista à Harper’s Bazaar Brasil sobre sua premiada performance num filme alemão, pela qual recebeu elogios acalorados de Darren Aronofsky, Quentin Tarantino e Jennifer Lawrence. Mas cá está ela, aos 30 anos, surpresa e grata pelo rumo inesperado que sua carreira tomou. Laia nasceu em Barcelona e, durante a maior parte de sua vida adulta, trabalhou como executiva de contas em agências de publicidade.

“Aqui na Espanha todo mundo trabalha até 8h da noite. Quando fui para uma agência alemã em Barcelona, onde o expediente terminava às 6h, fiquei sem saber o que fazer com o tempo livre”, conta. Foi quando sua irmã sugeriu que fizesse aulas numa escola de teatro, no bairro de Gràcia. De uma hora para outra, decidiu deixar a publicidade. “Em qualquer profissão, você precisa se dedicar, cumprir regras e levar o trabalho a sério. A diferença é que esta me dá a chance de aprender sobre coisas e pessoas diferentes, e isso me faz crescer muito”, afirma.

Cena do filme "Victoria" - Foto: Divulgação
Cena do filme “Victoria” – Foto: Divulgação

 

Depois de alguns papéis em produções espanholas e um filme russo, seu big break veio numa única cena em Victoria, longa premiado no Festival de Berlim deste ano e que agora entra em cartaz no Brasil. Cena essa que dura o filme inteiro – um plano sequência de 2 horas e 15 minutos acompanhando a personagem-título, interpretada por ela, e um grupo de rapazes durante a noite em que se conhecem e acabam assaltando um banco em Berlim. É uma jornada eletrizante e incrivelmente bem filmada. “Sabia que seria a primeira e última vez que teria a oportunidade de fazer um filme assim e não fiquei nem um pouco tensa ou com medo de errar. Durante três dias, por duas horas e meia, eu era aVictoria. E ela podia reagir, se assustar ou se impressionar com o que fosse”, explica Laia, sobre a personagem, espécie de prodígio do piano e dona de uma solidão acachapante, para a qual empresta sua beleza gamine à la Natalie Wood.

Essa história de atuação pungente em filme sem corte nenhum até que rolem os créditos finais a fez o grande destaque nas centenas de críticas positivas publicadas sobre o filme. E rendeu prêmios que também eram disputados por atrizes do naipe de Juliette Binoche e Charlotte Rampling. Naturalmente, propostas de papéis não lhe faltam agora, mas Laia não se deslumbra nem traça planos. Acabou de se mudar para os EUA, sem o intuito de investir na carreira. Foi acompanhar o marido, que pas- sou a trabalhar por lá. “Penso que não é bom depender emocionalmente de uma profissão, ainda mais se for uma tão instável como a de atriz. Quero trabalhar, não me importo onde.”

Foto: Divulgação
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