Foto: Fernanda Candido

A atriz Lana Rhodes é de Manoel Ribas, centro-oeste do Paraná, mas oficialmente saiu da barriga da mãe na cidade ao lado, Ivaiporã, porque não havia hospital em Manoel Ribas. Moradora do Rio de Janeiro há 23 anos, ela já é uma fluminense de coração. É mãe de Manuela, 12 anos, fruto de seu casamento com Sérgio Knust. “Mas desde o falecimento dele, em 2018, tenho exercido a maternidade solo”, conta.

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Atualmente, Lana está namorando André Hawk, 28 anos, fotógrafo, documentarista e diretor da produtora Meduzza Filmes, responsável pela direção do média-metragem “Tônia, A Diva no Espelho”, homenagem a atriz Tônia Carrero, que marcou a história da dramaturgia brasileira e do qual Lana é a protagonista. O filme está disponível de forma gratuita no YouTube.

Foto: Fernanda Candido

Além de novelas e inúmeras peças de teatro, Lana, 34 anos, já fez uma porção de coisas na TV e nos palcos, além de cinema. Em 2014, fez seu primeiro musical, “Se Eu Fosse Você”, com supervisão de Daniel Filho, turnê com “Elis, A Musical”, sob direção de Dennis Carvalho, e atuou em “Kiss me, Kate – O Beijo da Megera”, da MB.

Agora, ela se prepara para entrar em na novela “Nos Tempos do Imperador”, da TV Globo, trama das 18h em que fará uma mulher forte e determinada.

Leia a seguir íntegra da entrevista com a artista feita pela Bazaar.

Foto: Fernanda Candido

Como é sua formação, o que estudou?

Minha formação veio com a dinâmica dos trabalhos, como entrei no mercado muito nova, fui me aperfeiçoando enquanto me preparava. A Camila Amado foi a minha grande mestra, também tive a Rose Gonçalves, fonoaudióloga como base. Alexandre Rudah foi um professor que me ensinou muito sobre o teatro. Charles Moeller e Claudio Botelho, além do Alonso Barros, profissionais da área teatro musical, me formaram para tal. Na TV encontrei a Maria Silvia Siqueira Campos, que também encaminhou de forma bem potente meus estudos e construções.

Hoje, trabalho com o Kiko do Valle, ator e preparador no Rio de Janeiro, e tenho um coletivo de teatro chamado Coletivo Impermanente, onde mantenho pesquisas constantes.

Foto: Fernanda Candido

Voltando lá atrás, como nasce a atriz Lana Rhodes?

Sai da barriga da minha mãe atriz. Para viver da arte, só por vocação, ou não se mantém. Nossa profissão tem muito mais trabalho que glamour. O verdadeiro artista se compromete com seu dever para com a sociedade diariamente.

Foto: Fernanda Candido

Quais são os principais papéis da sua carreira?

Minha primeira novela foi “Alta Estação”, na TV Record, eu tinha 19 anos. Era uma novela jovem, e minha personagem era a loira maluquinha. Fiquei 8 anos contratada na emissora, tive a sorte de criar muitos personagens, inclusive bíblicos, que foram uma escola, tanto para a atriz como na vida, já que acredito em outras filosofias.

A personagem de mais sucesso que atuei foi a Becky [de “Rebelde”, RecordTV], os fãs ainda falam frases dela comigo no Instagram, ela repetia as palavras três vezes, então eles me escrevem: Amo, amo, amo você. Mas era outra personagem dentro deste rótulo de loira meio “burrinha”.

Nesse meio tempo, também fiz seis espetáculos musicais, incluindo “Elis, A musical”, onde desenvolvi mais duas habilidades artísticas, a dança e o canto.

Me inscrevi, em 2018, numa montagem de “Macunaíma” da Bia Lessa, porque queria desafiar os rótulos de personagens que o mercado me enxergava.

Foto: Fernanda Candido

Pintei o cabelo de preto, ganhei algum peso e representei “Ci, a Mãe do Mato”, num trabalho histórico onde a Barca dos Corações Partidos, companhia de teatro carioca, e mais 5 atores convidados literalmente se mantinham nus diante da plateia durante 3 horas. Aprendi a essência da vida com a incrível atriz indígena Zahy Guajajara, minha companheira de cena neste trabalho.

Durante a pandemia, além de produzir e atuar num monólogo inspirado na vida de Tônia Carrero, com direção do André Hawk, meu namorado, também desenvolvi minha primeira companhia artística, com coordenação do meu amigo e diretor, Marcelo Várzea.

O que te encanta mais, TV, cinema ou teatro?

O meu encanto está no poder que todas as artes têm de transformar. Como também canto, atuo, e produzo dentro da Meduzza filmes, acabo me apaixonando pelos resultados. Eu acredito no poder das criações coletivas, eu amo atuar, mas me encanta também carregar o tripé para um amigo que está produzindo seu filme, peça ou clipe independente.

Como surgiu o convite para “Tônia, a Diva no Espelho”?

O Guilherme Gonzalez, autor do Tônia, fazia um curso de autoficção comigo, online na pandemia. Na época, ele estava escrevendo uma série sobre a Cacilda Becker, e como a história das duas se cruza, estava com a Dona Tonica no campo de pesquisa.  Como o curso era autoficcional, eu levava para aula em improvisos este meu incômodo quanto a rotular as pessoas, principalmente pela aparência. Um dia eu pedi ao Guilherme para escrever algo para mim, e ele me ligou contando um pouco das buscas da nossa Diva Carrero e acreditamos que talvez fosse uma forma de dar voz às minhas questões artísticas, desenvolver um projeto sobre a vida dela.

Foto: Fernanda Candido

Como se preparou para o papel?

Estudei com um grande amigo, que é o coach e ator Kiko do Valle. Estudamos como fosse um monólogo para o teatro, sem cortes. Mesmo porque o texto original escrito para os palcos tinha 55 minutos. André e nós adaptamos para o audiovisual depois de conseguirmos um edital emergencial na pandemia, a lei Aldir Blanc.

Como é fazer um monólogo para o cinema?

Eu tive a sorte de contar com um texto muito bem escrito pelo Guilherme [Gonzalez], um diretor que prezava por transformar a ideia num conteúdo acessível, já que a geração atual não conhecia muito da nossa diva, e uma equipe inteira de apaixonados que trabalharam para exaltar a história acima dos egos. Como eu sabia que o colorido viria com o figurino e a caracterização do Fernando Torquatto, com a visão quase documental do diretor, e com a singeleza das trocas de cenários e planos, pude ficar tranquila para construir com o Kiko uma narrativa muito naturalista e que leva o telespectador comigo com tranquilidade até o final.

Quais foram as principais dificuldades?

Construir voz e corpo que remetesse a Dona Tônia, mas não soassem como imitação. Li muitas revistas que encontramos em acervos, também estudei a biografia dela, assisti entrevistas, e me deleitei ao entender o quanto ela estava à frente do seu tempo.

Você teve respostas de como foi a receptividade do público?

As pessoas me mandavam áudios chorando. Uma produtora, Karina, que produziu os últimos espetáculos dela em vida, e carregava ela pelo palco, me ligou para dizer que se sentiu transportada no tempo.  Um sobrinho de Mariinha, que hoje vive no Retiro dos Artistas, nos enviou um áudio que fez a equipe chorar.

Muitos fãs divulgaram o filme por conta própria. E muitas atrizes, minhas amigas ou não, talvez por identificação, por termos feito um filme sobre uma atriz, dividiram sua admiração comigo.

Como surgiu o convite para participar da novela “Nos Tempos do Imperador”, da TV Globo?

Eu e a Márcia Andrade, produtora de elenco que me convidou para viver a Elisa Lynch em “Nos Tempos do Imperador”, vínhamos tentando trabalhar juntas há algum tempo. Ela já tinha tentado me escalar na série “Desalma”, mas na época estava em cartaz com Macunaíma. Agora deu certo!

Conte sobre sua personagem e sua expectativa com o papel.

A Elisa Lynch é uma irlandesa criada na Europa. Casou-se uma vez e foi viver na África do Sul com o marido, que a envia de volta a Paris e termina com ela por carta. Imagina ser deixada pelo marido em 1800? Ela virou uma mulher separada numa sociedade patriarcal.

Um dia conhece Solano López, presidente do Paraguai, em Paris. Eles se apaixonam, existem registros de cartas lindíssimas trocadas pelos dois. Ela se muda com ele para a América do Sul, o acompanha inclusive nos campos de batalha, articulada, inteligente, eles têm sete filhos, mas ela nunca foi oficialmente sua esposa.

Apesar de, na trama, ela ser considerada uma vilã, já que vai contra Dom Pedro II e o Brasil, acredito que o público também vai se apaixonar pela força desta mulher à frente do seu tempo, como eu estou.

Quais são os próximos projetos?

Quero levar o texto completo “Tônia, A Diva no Espelho” para o teatro em 2022, ano do centenário da Dona Tônia Carrero. Estamos com uma Vakinha no ar, já que somos uma equipe de artistas independentes, para montarmos o espetáculo no ano que vem.

Você já fez muitas coisas, certo? Como avalia sua carreira até aqui?

Eu tenho uma amiga que diz que eu tenho muita “hora palco”.  Eu sou artista há 23 anos, comecei com a idade que minha filha tem hoje. Assistindo ao documentário “Nunca me Sonharam” do Cacau Rhoden, onde ele questiona o ensino público catastrófico do nosso País, entendi que eu sou a pessoa a financiar os meus estudos desde que comecei a trabalhar com arte. Sendo minha mãe, Dona Joana, professora, guerreira que nos criou com dignidade, mas que não poderia me pagar escolas privadas, tenho sorte por ter a arte como profissão que me mantém desde então.  Tenho muita alegria ao lembrar de minha trajetória.

Foto: Fernanda Candido

Como você lida com as redes sociais, acha importante, por exemplo, se colocar politicamente ou em questões como as causas preta e LGBTQIA+?

O “Coletivo Impermanente” minha companhia, atua online. Temos muita diversidade no nosso elenco. E, uma série de vídeos chamada “Partido dos Isentões”, uma crítica aos artistas que não se posicionam política e socialmente.

Somos influenciadores quando artistas, e temos que ter responsabilidade social, sim.

Num governo como o do Bolsonaro, que incita a violência, o ódio, a irresponsabilidade social e emocional, o preconceito racial e de gênero, nós artistas temos por obrigação estar pelas minorias e desenvolver debates de pensamentos éticos e contestadores.

Você tem algum ritual de beleza?

Meu ritual de beleza está na busca pelo equilíbrio. Nesta pandemia, a terapia me salvou até a pele. Mas, uso bons hidratantes, bebo bastante água, e tento me alimentar de comida viva a maior parte do tempo. No dia a dia quase não uso maquiagem e sou adepta das massagens faciais de Carla Biriba.

E do corpo, como cuida?

Me considero bem atlética. Faço ioga 3 vezes por semana, aulas de balé, também pratico corrida e pedal. Estou às vésperas de completar 35 anos e ainda não passei por nenhuma intervenção estética.

Eu valorizo essa máquina incrível que é o nosso corpo, cheia de energia, e veias, e músculos, eu gosto de cuidar dela, me faz bem ver que está saudável e ativa.

Foto: Fernanda Candido

Tem algo que não come?

Eu faço um tratamento de BIO FAO com a doutora Andrea Paiva, que também cuida da Angélica, Cauã, Mariana Goldfarb. Como trabalhamos com energia da Terra, a proposta é sempre pensar no máximo de alimentação natural possível.

Qual seu hobby predileto?

Cozinhar, eu adoro!

Foto: Fernanda Candido

Está lendo alguma coisa no momento?

Estou lendo a biografia da Elisa Lynch e “No Caminho de Swann”, do Marcel Proust.

Gosta de assistir a séries?

Eu amo séries, mas mãe solo encontra uma certa dificuldade para terminar uma inteira. Assisto várias ao mesmo tempo, para não ficar desatualizada.

O que tem ouvido?

O disco novo da Mãe Ana, e minha filha me viciou na voz sussurrada da Billie Eilish.

Créditos

Fotos: Fernanda Candido.
Styling: Samantha Szczerb.
Beleza: Vivi Gonzo.
Agradecimentos Atelier Silvio Cruz e Rio Othon Hotel