A colagem Linon 1 (2014) - Foto:White Cube/divulgação
A colagem Linon 1 (2014) – Foto:White Cube/divulgação

Por Denise Schnyder

“Sabe aquelas pequenas manchas borradas que, às vezes, aparecem na nossa visão e fazem com que tomemos consciência de que estamos
vendo? Observo minhas obras longamente até que eu suma diante delas. No meu trabalho, penso sempre em trazer uma consciência da visão, que apaga, por um segundo, a consciência que o espectador tem de sua própria presença. Procuro isso. Essa mancha.” Quem define assim seu processo de criação de imagens é o top pintor Gary Hume, que realiza a primeira individual no Brasil este mês, na White Cube paulistana.

O artista inglês é um daqueles nomes descobertos no início dos anos 1990 pelo colecionador Charles Saatchi. Na época, Hume dividia a crítica entre comentários apaixonados e acusatórios, porque desenvolvia suas obras de forma sutil, poética ou, para muitos, simplesmente bela. Para outros, seus trabalhos eram igualmente provocativos.

 

A escultura Marble 1 (2014) - Foto:White Cube/divulgação
A escultura Marble 1 (2014) – Foto:White Cube/divulgação

A coisa mais estranha que ouviu sobre seu trabalho? “Um crítico que fez questão de dizer, em seu texto, que meus quadros possuíam o élan de um pum em um teatro lotado”, diverte-se. Na exposição em São Paulo, além de pinturas, Hume apresenta uma série de colagens com fotos antigas. “O trabalho foi feito a partir de fotografias do fim da década de 1950, início da década de 1960, portanto são da minha época. Basicamente, são fotografias de crianças tiradas pelos pais. É interessante pensar como essas crianças são, na foto, inconscientes de si mesmas. Elas não sabem que terão uma vida inteira pela frente. Se soubessem, olhariam essas fotos hoje de outra forma”, comenta. Um trabalho bastante próprio, que agora apresenta ao público na White Cube de São Paulo até este sábado, 23.08.

White Cube São Paulo
R. Agostinho Rodrigues Filho, 550,Vila Mariana, São Paulo, tel.: 0 XX11 4329 4474

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