Foto: Sandra Machado

A gaúcha Laura Schadeck tem só 18 anos, mas já morou em 12 cidades do Brasil, principalmente no Sul do País, e estudou em 14 escolas diferentes. Enfrentou bullying na época em que era adolescente, mas não se deixou abater, ficou firme no desejo que tinha desde criança: ser artista.

Aos 12 anos de idade, enfrentou um grande desafio, participou do “The Voice Kids”, da TV Globo. Semifinalista do reality show, ela conquistou o público e ali nasceria uma bem-sucedida parceria com a emissora. Logo após o fim das gravações do programa musical, Laura gravou uma versão da canção “Cool For The Summer”, de Demi Lovato, que integrou a trilha sonora da novela jovem “Malhação – Pro Dia Nascer Feliz”. Na sequência, a emissora a convidou para integrar o repertório de uma outra trama. Desta vez, o hit “Girls Just Want To Have Fun”, de Cindy Lauper, que marcou a novela “Espelho da Vida”.

Ainda na TV, marcou presença no folhetim infantil “Carinha de Anjo”, do SBT, com o single “Meu Crush”, gravado em 2018, quando ela ainda participava do grupo musical BFF Girls, do qual era compositora, ao lado de Gabriel. Este, que foi o maior hit da banda, conta com mais de 140 milhões de acessos no YouTube.

Foto: Sandra Machado

Determinada a mudar, Laura cresceu e deu início a sua carreira solo. Em parceria com a Sony Music a jovem lançou as canções “Por Quê?” feat com Dreicon, “Aquele Garoto”, “What I Like”, em parceria com os DJs Gianni Petrarca e Ramori, e “Por Quê? – acústico” feat Dreicon, que já somam mais de 2,6 milhões de visualizações. Vale ressaltar que o single “A Gente Não Para” foi a retomada de sua carreira solo, alcançando 3 milhões de visualizações.

Agora, ela se prepara para lançar o single “Foi Mal”, parceria com Sabrina Lopes e Bia Marques, além de Matheus Melo, todos de São Paulo. “Ela foi muito fácil de fazer, acho que não levamos nem meia hora para compor, e todo mundo gostou muito do resultado”, conta.

Supermetódica, como ela própria se define, arruma sua própria cama todos os dias e alisa os travesseiros, gosta de tudo impecável. É muito organizada e gosta de planejar as coisas. Ademais, não bebe, nunca bebeu, e só beijou duas pessoas até hoje – ambos viraram seus namorados. “Eu tenho que me apaixonar, não acho legal ter uma relação por uma noite, não para mim”, reflete.

Foto: Sandra Machado

Atualmente, além do lançamento de “Foi Mal” e do álbum que vem por aí – o trabalho tem previsão de dez músicas e ainda não tem nome definido -, Laura divide seu tempo entre composições, produção das gravações e a faculdade de música, a qual está cursando o terceiro semestre, em Itajaí, Santa Catarina, mesmo estado em que vive, só que na cidade de Porto Belo.

Leia íntegra do papo que Bazaar teve com Laura via Zoom. 

Como inicia sua carreira de cantora?

Minha carreira começou quando eu tinha cinco anos, com a morte do Michael Jackson, eu acompanhava tudo, os shows, as memoriais que fizeram por conta da morte dele. Eu fiquei muito fascinada. Eu só queria cantar em inglês, e meus pais, que sempre me deram muito suporte, disseram: “Se é isso o que você quer, vai fazer direito”. E eu fui estudar inglês, canto e piano, fiz coral, e essa foi a minha maior base até hoje. Meu primeiro show foi com dez anos, em um teatro em Farroupilha (RS). Quando eu fiz 12 anos, comecei a fazer mais shows, lugares que tinham a capacidade máxima de 200 pessoas, e sempre lotava. 

Aí me inscrevi no “The Voice Kids”. Passei por todo o processo seletivo, entrevistas, audições, testes, porque há muitas audições antes das que aparecem na TV. Fui passando de fase e cheguei até a semifinal do programa, e cantei na final. Depois disso, com 12 anos ainda, eu gravei “Cool For The Summer”, que entrou em Malhação – Pro Dia Nascer Feliz”, de 2016, música que foi trilha sonora dos protagonistas da trama. Com isso, e por conta da TV Globo, tive um holofote bem grande em mim, o que fez com que eu passasse a abrir shows maiores, participar de grande feiras. Isso me deu toda uma experiência de palco que carrego até hoje. Abri o show da Anitta quando ela se apresentou em Ijuí (RS). Na verdade, eu abri o show do Armandinho, que abriu para a Anitta, isso com 13 anos.

Foto: Sandra Machado

Com 14, em 2017, eu entrei para um grupo chamado BFF Girls, com o qual gravei a música “Girls Just Want To Have Fun”, de Cindy Lauper, que esteve na novela “Espelho da Vida”. Eu abandonei o grupo em 2019 para seguir carreira solo, mas fui coautora do maior hit da banda, que foi “Meu Crush”, que fiz para um menino de 13 anos da minha escola, música que teve mais de 140 milhões de acessos no YouTube. 

Na sequência, na pandemia, aproveitei para lançar músicas e compor, lançamos oito fonogramas (singles),  porque não tinha muitas música minhas no meu show. E isso mudou, agora temos um setlist que é quase inteiramente autoral.

Em 2021, lançamos mais sete músicas, todas com videoclipe, corremos atrás disso tudo. O que eu senti entre 2020 e 2021 foi essa ruptura, do que eu vou falar e como vou falar para o público, o que é a minha verdade. Porque quando você está nesse precipício, entre ter 18 anos e ser uma pessoa madura, a gente muda de ideia muito rápido e é tudo muito dinâmico. Então em 2021 eu consegui fechar uma ideia, é isso o eu quero e é dessa forma. Quando eu olho para trás é um caminho percorrido de muito trabalho e muito sucesso também. Eu fico muito feliz de já ter tido três músicas em novelas, fiz abertura de show, tudo isso é como se eu fosse mapeando o mercado inteiro conforme eu fui crescendo, e agora eu já sei exatamente onde é que eu quero pisar e onde não quero.

Como é seu processo composição?

Tenho duas formas de compor, tem quando eu componho com outras pessoas e quando componho sozinha. Sozinha também tem duas maneiras, às vezes me “baixa o santo” e a música vem inteira, letra e melodia; e às vezes eu planejo, por exemplo, preciso de uma música dançante para o meu show e me programo para fazê-la sob medida. E quando eu componho com outras pessoas, a gente já visa a ter um objetivo, como quando quando eu fui compor “Nunca Foi Você”, que foi meu mais recente lançamento. Essa música é assim, “a gente se conheceu por que eu quis, porque eu te dei a oportunidade de isso acontecer”. É de empoderamento feminino. 

Mas você acha importante falar sobre empoderamento feminino em suas músicas?

Com certeza. Eu acho que é assim, no mercado da música, agora, tem uma expressão maior feminina, principalmente em alguns gêneros que sempre foram dominados pelos homens, como sertanejo, o próprio rock, o rap, e agora eu acho que as pessoas precisam de histórias femininas contadas por mulheres. 

Foto: Sandra Machado

E você tem um lançamento que vem por aí, que é uma uma música que se chama “Foi Mal”, fale sobre ela.

Assim como “Nunca Foi Você”, que é uma música empoderada e super para cima, “Foi Mal” tem seu empoderamento, mas é romântica. Tipo eu posso ser mulher, decidida, confiante, forte, mas eu também vou ter os meus momentos de romantismo, de delicadeza. “Foi Mal” é uma música que fala sobre o término de um relacionamento em que uma das partes se sente triste, e a outra já superou. Foi uma história baseada na minha vida, por isso que ela tem tanta verdade para mim. E eu gosto muito dessa levada que ela tem, meio R&B, meio pop leve, então acho que as pessoas vão se identificar muito, porque ela conta os dois lados da história, de quem fica mal, e de quem fica bem.

E essa música é só sua ou tem parceria?

Então, eu compus essa música com Sabrina Lopes e Bia Marques, além de Matheus Melo, que são de São Paulo. Ela foi muito fácil de fazer, acho que não levamos nem meia hora para compor, e todo mundo gostou muito do resultado. 

E ela vem com clipe?

Sim, ela vem com clipe. Ainda estamos pensando nos detalhes, em como a gente vai querer contar essa história, mas eu acho que talvez a gente faça algo que ironize esse “estar bem”. A exemplo do que Luísa Sonza fez com “Melhor Sozinha”. Minha música não fala de um fim porque a pessoa achou alguém mais interessante, por uma pessoa enjoou da outra, mas sim porque mesmo tendo tentado tudo, ela ficou triste se sentindo culpada por não ter ficado mal [ao se separar]. Eu acho que tudo se cura com amor, então quando você não perdoa, guarda rancor, acaba formando quem você é. Mesmo que alguém tenha feito coisas antiéticas comigo, eu entendo que aquilo faz parte da minha evolução. Tipo não foi com você, mas será com alguém. Não levo as coisas pelo lado negativo das situações. 

Vem álbum também?

Vem um álbum, e vai ser meu primeiro. A gente vinha soltando vários singles, e agora, com o disco, acho que vou poder contar uma história, como um livro, serão vários capítulos. Vai ter a parte mais romântica, a que vai extravasar. Eu me identifiquei muito com o pop punk, como a princesinha do rock. Porque ao mesmo tempo que eu tenho atitude, eu romantizo demais as coisas. Em princípio são dez faixas. Eu acho que vai ser um divisor de águas, porque as pessoas vão ouvir e dizer: “Laura é isso”.

Foto: Sandra Machado

Como você lida com as redes sociais?

Eu estou presente em todas as redes sociais. Eu procuro me manter o mais próximo possível dos meus fãs, até porque quando eu faço uma música é a partir dele [fã] que imagino com tudo será, se essa pessoa vai ouvir quando estiver fazendo uma viagem de metrô, ou andando de carro, na beira da praia. Então a gente cria todo esse foco e cria uma história por trás disso. É muito importante essa proximidade e sempre procuro pedir a opinião deles para tudo porque acredito que não adianta ser artista para si, os outros também têm que comprar sua ideia, e é isso que torna tudo tão mágico, como o fato de fazer um show e todo mundo cantar a letra que você fez no quarto, por exemplo. 

Como você cuida da saúde, do corpo, da beleza?

Ah, tem vezes que eu quero me arrumar inteira, e tem vezes que eu não quero nem chegar perto de maquiagem. Com o corpo, meu cuidado maior é com a minha saúde para ter maior resistência para os shows. Eu faço aeróbico para eu poder cantar e correr ao mesmo tempo no palco. A única coisa que eu cuido mesmo é o meu cabelo, porque cabelo loiro é uma coisinha chata de cuidar. A pele eu puxei muito da minha mãe, que nunca teve problema com acne, oleosidade, então é boa, o que faço é hidratar. 

Você tem irmãos?

Eu tenho um irmão mais velho, de 24 anos, que se chama Lorenzo. Somos completamente diferentes, ele é introvertido. Ele tocava guitarra uma época, mas tocava só para ele, nem quando eu pedia para ele tocar para eu cantar, ele tocava. Era só para ele mesmo. Eu sou ligada no artístico, e o Lorenzo em números e ciência.

Foto: Sandra Machado

Qual seu grande sonho, Laura?

Meu maior sonho na vida é fazer um show lotado no Madison Square Garden, em Nova York.