Foto: Gustavo Zylbersztajn

Ela é linda e tem feito enorme sucesso na novela “Pantanal”, remake das 21h da TV Globo, com a personagem Filó, com a qual contracena diretamente com José Leôncio, personagem de Renato Góes. Leticia Salles é estreante em novelas, aliás, “Pantanal” é seu primeiro trabalho como atriz. Nascida e criada no Complexo da Maré, no Parque União, Rio de Janeiro, cresceu em uma família de mulheres – ela, a mãe a avó e a tia, são elas suas referências. O pai mora em Maricá, com a mulher e dois filhos. “Me dou super bem com eles, amo de paixão”, diz sobre a família do pai.

Atualmente morando na Barra da Tijuca com o namorado, um empresário, Leticia afirma que não está preparada para se despedir de Filó, já que a trama entra em nova fase e quem assumirá o papel é a atriz Dira Paes. “Mas a Dira vai continuar com ela lindamente. Estou muito feliz por juntas estarmos podendo fortalecer essa personagem. A Dira é uma mulher maravilhosa, então acho que o público vai continuar dando as mãos para a Filó no final da novela.” 

A ex-modelo de 27 anos ainda não tem projetos em vista, mas diz que continuará se preparando para estar pronta quando eles vierem. E virão, se depender do que a capricorniana mostrou com Filó em “Pantanal”.  

Leia a seguir entrevista que Bazaar fez com Letícia via Zoom.

Foto: Gustavo Zylbersztajn

Como começa sua carreira de atriz?

Com 18 anos eu fazia faculdade de biomedicina e trabalhava em um salão de beleza como recepcionista, em Ipanema. Com o tempo eu fui vendo que a biomedicina não era para mim. Aí, a dona de uma agência que frequentava o salão me perguntou se eu tinha interesse em ser modelo. Eu disse que gostava muito de tudo o que envolvia essa profissão e fui. Depois fui para outras agências e acabei saindo do salão, porque não estava conseguindo conciliar, e acabei recebendo uma proposta para modelar em Londres, onde fiquei por dois anos e voltei, a convite de Ike Cruz [agente de atores como
Juliana Paes, Romulo Estrela e Sheron Menezzes], para fazer o curso de artes cênicas e me preparar para ser atriz.

Cheguei aqui em fevereiro de 2020 e, em março, veio a pandemia. Mesmo assim eu comecei fazer um curso com a preparadora de atores Ana Kfouri, e fiquei com ela durante um ano, me preparando, para entender mais sobre as técnicas, sobre pensadores contemporâneos, enfim, algumas personalidades importantes, e fui praticando mesmo sem ter nada em vista. Foi quando apareceu o teste para “Pantanal”. 

É seu primeiro trabalho, ficou nervosa com o convite para o teste?

Sim, claro, nossa, que responsabilidade. Fiquei nervosa, feliz e super topei porque sabia que ia ser um desafio importante para mim. Foi, inclusive [a novela], o maior curso que já fiz, porque eu posso fazer vários cursos, mas acho que o melhor deles é aquele que te coloca na prática, que te faz aprender na marra.

Tem vontade de fazer teatro?

Tenho vontade de fazer teatro, sim. Eu estava mesmo pensando sobre isso porque tenho um amigo que faz uns espetáculos e pensei que deve ser demais a sensação de estar em um palco. E ter esse contato com o público eu acho muito importante, está nos meus planos. Cinema, streaming, série, o que vier eu estou topando. A maneira como reverbera em mim o representar é muito bacana, é aí que eu vejo que é isso o que eu quero.

Foto: Gustavo Zylbersztajn

Como construiu sua personagem, a Filó?

Primeiramente eu fui revisitar a versão anterior da novela, pelo YouTube, e cujo papel foi brilhantemente interpretado pela Tânia Alves. Fui pegando referências para ter como base, mas não queria ficar muito presa, para não fazer aquilo que a Tânia fazia, eu queria construir a minha própria personagem. Eu também tive preparação com a Andrea Cavalcanti [preparadora de atores da TV Globo], pesquisei muito na internet sobre a região do Pantanal. Mas acho que o momento que eu mais me encontrei na Filó foi quando eu cheguei no Pantanal, eu senti como era estar naquele lugar, como era vida daquelas pessoas, então foi uma construção muito bacana, foi um processo muito legal. É incrível a energia daquele lugar, e você não sai de lá do jeito que entrou, você sai outra.

Mesmo sendo um papel curto, ela já deixou sua marca na trama, a que você atribui isso?

Eu acho que à força da Filó. Graças a Deus eu consegui mostrar um pouco do que é essa personagem, que eu senti que muitas pessoas se identificaram. Eu acho que cada mulher da trama representa muito naquele novela, porque existem muitas Filós, Madeleines (Bruna Linzmeyer), Irmas (Malu Rodrigues) por aí. Eu acho que todo mundo tem um pouquinho de cada uma delas. E filó é uma mulher extremamente forte, interessante, naturalmente sensual, sexy, e foi isso também que chamou a atenção de José Leôncio. Mas a Filó é muito mais que a relação dela com o José Leôncio, ela tem uma história de vida, saiu de casa cedo em busca de liberdade. Então eu acho que todas essas junções do que é a Filó fez o público vê-la como humana, porque é isso o que ela é, ela é muito humana.

Foto: Gustavo Zylbersztajn

Como você sentiu a receptividade do público?

Eu me surpreendi, fique muito feliz com a aceitação das pessoas com a personagem. Porque eu tenho um carinho muito grande pela Filó, e poder reproduzir tudo o que vejo nela é muito gratificante.

Acha que a paixão que ela sente por Leôncio deu força à personagem também?

Sim, também, porque a Filó tem um olhar que ao mesmo tempo que ela se mostra desconfiada, ela está entregue. Mas ela também sabe que ele pode ter todas as mulheres do mundo, mas só ela não vai querer mudar o jeito que ele se veste, a maneira como se porta, ela é única que vai ser a parceira dele. E, a meu ver, ele também tem noção disso, embora tenha uma criação machista e se lembre muito dos ensinamentos do pai. Então como ele vai assumi-la se ela trabalha para ele? Mas acho que ele sente um amor por ela sim.

Como você está se sentindo agora que a personagem sai da trama?

Não estou preparada para me despedir de Filó (risos), ainda estou curtindo o momento. Mas a Dira [Paes] vai continuar com ela lindamente. Estou muito feliz por juntas estarmos podendo fortalecer essa personagem. A Dira é uma mulher maravilhosa, então acho que o público vai continuar dando as mãos para a Filó no final da novela.

Foto: Gustavo Zylbersztajn

Você já tem algum novo projeto em vista?

Eu ainda não tenho nada em vista, mas estou me preparando para os próximos trabalhos que vierem, se Deus quiser.

Como você lida com as redes sociais?

Eu fiquei um pouco assustada com a repercussão, as pessoas me seguindo, mandando mensagem, eu não estou habituada. Eu analisei os comentários, vi a repercussão da novela, mas também não me prendi a isso, para não perder o foco na novela, porque tenho plena consciência de que tudo isso foi a Filó que fez, eu só ajudei.

É feminista? Se sim, acha importante ter uma fala nesse sentido em suas redes?

Sim, sou, mas não levanto bandeiras nas redes sociais, eu não faço isso, porque eu acho também que a rede social é um meio muito cruel. Hoje em dia é muito difícil você falar o que pensa e o outro te escutar sem te julgar. Eu acho que hoje em dia, na internet, todo mundo se acha o dono da razão, e acho isso muito perigoso. Mas eu tenho, sim, as minhas crenças, as minhas opiniões, embora seja muito neutra, não fico expondo.

Foto: Gustavo Zylbersztajn

Como você lida com a beleza, o que faz?

E confesso que não lembro a última vez que fui à dermatologista, mas eu sou muito vaidosa, me cuido, gosto de fazer meus rituais de skincare pela manhã e à noite. Cuido muito da minha pele e dos meus dentes, valorizo muito o sorriso.

E do corpo?

Eu gosto de correr, eu corro. Mas já fiz muay thai, futevôlei, eu gosto de experimentar coisas diferentes.

Tem algo que não come?

Carne vermelha.

Você cozinha?

Eu arrisco. Não sou uma fã da cozinha, gosto muito de comer. Eu arrisco, às vezes dá certo, outras vezes não, mas eu não me cobro.

E sonhos? 

Tenho muitos, já realizei muitos também. Mas, profissionalmente, são vários.