Ateliê de Marta Minujín – Foto: Fran Parente

“O caos está instaurado na América Latina, a gente vive ele desde a colonização”, diz a jornalista e autora Beta Germano à Bazaar. O histórico de violência, desrespeito com a natureza e todos os tipos de preconceito são o que une o primeiro volume do livro “Espaço de Trabalho de Artistas Latino-Americanos”, coproduzido pela Cobogó e Art Consulting Tool.

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Na companhia do fotógrafo Fran Parente, Beta percorreu 96.182 km para conversar com artistas em seus habitats. Além do Brasil, foi a Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai. Foram 26 entrevistas e dez cidades para explorar o contexto histórico e político de cada lugar.

“Se você pensar sobre esse espaço como algo mais amplo, que vai além das quatro paredes (que definem o ateliê), esbarra no bairro em que ele está inserido, a cidade e o país”, complementa. A maioria dos escolhidos sobreviveu ao auge da repressão. “Viveram histórias de ditaduras, transformações, e eu queria entender como veem (o mundo) hoje.” Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Adriana Varejão e Luiz Zerbini são alguns dos nomes do Brasil.

A seguir, um olhar quase voyeur em espaços de caos, mas longe de serem sombrios, e em constante mutação.

Paulo Bruscky

Foto: Fran Parente

Aos 70 anos, o pernambucano é conhecido pelo cruzamento de linguagens e tecnologia. Começou na época da Arte Correio, quando utilizava selos, postais, telegramas e fax como plataforma.

Foto: Fran Parente

Esse universo se atualizou e, até criar o termo “e-mail art”, foi um pulo. Em sua bagunça organizada, na natal Recife, cada pedacinho de papel guarda uma história.

Fernanda Gomes

Fotos: Fran Parente

Da preguiça ao caos, fã de chá verde e café moído na hora. Assim é a síntese da carioca de 60 anos, que também cria suas próprias roupas. Divide-se entre dois espaços de trabalho, em Copacabana, no Rio. O primeiro, o ateliê oficial (antiga casa de infância), o outro, a atual morada minimalista. São como yin e yang: um cheio; outro vazio.

Ximena Garrido-Lecca

Fotos: Fran Parente

Nem tão longe nem tão perto de suas raízes, aos 40 anos, a artista peruana mantém dois ateliês. Um em Lima, onde nasceu; e outro na Cidade do México, onde mora atualmente. Sua arte registra fatos econômicos, ambientais e revoluções sociais. Com fios de cobre e tijolos, dá forma a esculturas que representam o desenvolvimento e o olhar para o futuro que já chegou.

Marta Minujín

Foto: Fran Parente

Sucesso mundo afora, gosta de tocar pessoas que não entendem nada sobre arte. Desde sempre, seu trabalho mescla performance, pintura, escultura, música e moda. Argentina com muito orgulho, a artista de 77 anos tem um trabalho crítico – foi uma das primeiras a levantar questões ambientais –, mas com uma pegada pop e muito humor