Foto: Reprodução/IMDb
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Por Miriam Spritzer

Luke Kleintank vem ganhado cada vez mais espaço em Hollywood. O ator é destaque por pequenas participações em séries populares como “Bones”, “Pretty Little Liars” e “Gossip Girl”. Hoje, ele interpreta um dos principais personagens na série “The Man in the Hight Castle” – ou “O Homem do Castelo Alto” -, como Joe Blake. Essa é uma das séries mais assistidas dos estúdios da Amazon.

Lançada em 2015, a grande produção é baseada no livro de Philip K Dick, onde, em um ano de 1962 alternativo, o Japão e a Alemanha nazista haveriam ganhado a segunda guerra mundial e, por consequência, dividido os Estados Unidos de dois lados: um japonês e outro nazista.

Além da série, Luke vem estrelando em projetos que diferem um pouco das grandes produções onde ganhou destaque. Recentemente ele estrelou no filme policial “Crown Vic”, produzido por Alec Baldwin, onde interpreta um policial de Los Angeles durante uma noite turbulenta.

Na estréia do filme, Luke Kleintank contou para a Bazaar um pouco sobre seu trabalho na série e no filme. Veja a seguir:

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“O Homen do Castelo Alto” é uma das maiores produções de televisão, com efeitos visuais e um grande estúdio por trás, já “Crown Vic” segue um outro formato. Como você encara estes dois estilos?
Para mim é meio que o mesmo processo, como ator. A vida no set não é. Eu prefiro filmes independentes, se for ser honesto. Gosto desse princípio John Cassavetes, foi o pioneiro no cinema independente, onde temos que criar nossos próprios recursos. Em Crown Vic, somos um grupo pequeno, ficamos próximos que nem familia. Criamos um ambiente muito legal para trabalhar todos os dias.

O clima do set é muito diferente entre um estilo de produção e o outro?
Man in the Hight Castle é uma produção gigante com muito dinheiro, o que é sempre muito bom para qualquer produção cinematográfica ou de televisão. Mas por outro lado, parece que há mais ganância. Mesmo sendo ator, você sabe que a produção tem que trazer um retorno financeiro para o estúdio. No cinema independente é outro clima, há mais coleguismo. Todos nós temos que trabalhar juntos para que a produção funcione nas datas e no orçamento que temos.

Qual para você é a maior diferença na rotina de filmagem entre os dois estilos?
Quando a produção é de um estúdio grande, que foi o nosso caso com a Amazon, você tem muito mais tempo para trabalhar. Você pode parar uma hora do dia e voltar ou regravar em outro. Em uma produção como Crown Vic a gente tem fazer o dia de gravação render ao máximo. Então todos trabalham ainda mais pesado e mais vigorosamente para que as coisas aconteçam.

Quando a gente fala de cinema, em geral, pensamos que a indústria é muito luxuosa. No entanto não é bem assim.
É, eu acho que todo mundo visualiza a a filmagem em que nós atores temos trailers, e uma vida calma, maravilhosa, com todos os luxos a disposição, gente nos seguindo e atendendo as nossas vontades por todos os lados… que só aparecemos para gravar. Mas é longe disso, grande parte dos filmes não são nada assim. Em Crown Vic tínhamos um hotel perto do set para usar como base. Filmamos todas as noites. A gente começava a filmar quando o sol descia e só parávamos quando o sol nascia.

Em “O Homem do Castelo Alto” você interpreta um espião nazista dos anos 60, já em “Crown Vic” interpreta um policial nos dias de hoje. O quanto que o figurino e objetos de cena te ajudam a construir o personagem?
Se eu fosse chutar um número, para dar um exemplo claro, eu diria que são uns quarenta porcento do personagem. Você como ator faz o seu trabalho de pensar nos trejeitos e características chave do personagem. Mas grande parte do resultado é quando você coloca o uniforme, especialmente nesse caso de Crown Vic, porque ele é um policial.

O que muda quando o figurino é inserido na construção?
Você só consegue entender como serão os seus movimentos quando coloca o colete, a arma e tudo mais. Isso muda a sua postura. Muda como você se meche. E dá aquela sensação do personagem, da pessoa que você está interpretando. É uma grande parte do show para quem assiste e para quem atua.

Pelo visto você se divertiu muito no filme.
Muito, não tinha nada de brilho e luxo. Estávamos longe do estilo de vida das Kardashians, sabe? Era meio rústica a coisa toda, mas isso é o que é o legal deste tipo de produção. Todos trabalhamos juntos, colocamos a mão na massa de fato. É por isso eu prefiro esse estilo de filme.

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