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Luscious Jackson de volta ao trabalho

Após mais de uma década, moças da banda lançam novo álbum e afirmam: querem tocar no Brasil

by elav
Foto: divulgação

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Por Carol Almeida

“Voltamos. E sempre teremos o que temos.” O nome da faixa é autoexplicativo – We Go Back – e afirma acintosamente que ninguém pode tirar o que elas (bem) sabem fazer. É assim que a banda que ficou conhecida nos anos 90 como a “Beastie Boys de saias” está de volta após 14 anos sem disco inédito. E as moças do Luscious Jackson não replugaram os fios para tocar as mesmas músicas em algum tipo de turnê nostálgica.

Em um movimento ousado, Jill Cunniff (baixo e vocal), Gabby Glaser (guitarra e vocal) e Kate Schellenbach (bateria) decidiram entrar novamente no estúdio usando para isso dinheiro dos próprios fãs. Pouco mais de um ano depois surge Magic Hour, o álbum inédito.

Em conversa exclusiva com a Bazaar, Kate explica: “Depois que a banda rompeu todas nós nos concentramos em seguir com nossas vidas. Nos estabilizamos em nossas casas e relacionamentos, com novas carreiras, filhos… E aí Gabby teve a ideia de tentar fazer a música do Luscious Jackson pra crianças. Ela e Jill se juntaram e de Los Angeles eu enviei o som da bateria. Esse disco infantil não rendeu muita coisa (elas acabaram de lançá-lo também), mas nos demos conta que trabalhar junto ainda era muito divertido. Foi quando Jill conheceu alguém do PledgeMusic e eles a convenceram a fazer um crowdfunding pra lançar um disco novo. E isso deu muito mais certo do que a gente podia imaginar.”

Foto: divulgação

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E não é porque elas se tornaram quarentonas que o som da banda tenha de alguma forma desacelerado em seus conhecidos backbeats e groove urbano. Na verdade, Luscious Jackson volta ainda mais pop e irônico. Magic Hour é um disco com frescor adolescente e o know-how de quem já emplacou hits do porte de Mood Swing, música que já foi faixa obrigatória entre as favoritas de 9 entre cada 10 VJs da MTV.

“Nossa preocupação era capturar o espírito colaborativo do LJ e ao mesmo tempo não soar muito nostálgico. Além disso, queríamos um álbum com uma vibe positiva, nada que fosse deprimente ou da meia-idade”, brinca Kate.

Foto: divulgação

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Sempre ouvida e vista como uma banda cantando sobre questões de mulheres em um mundo feito para os homens, as moças do Luscious Jackson seguem com uma forte pegada feminista neste novo trabalho e, como de praxe, debochada. Bum, primeiro single do novo disco a ganhar clipe, é um exemplo disso com suas piadas sobre o “bumbum” fetiche de um rapaz a andar pelas ruas de Nova York. “Nunca nos sexualizamos e sempre tivemos total domínio de como nossa imagem era vendida”, afirma Kate, que diz ainda que algumas das maiores influências musicais e femininas do grupo são The Slits, X-Ray Spex, The Stimulators, The Student Teachers, ESG e, claro, Siouxsie Sioux. Sobre as bandas de meninas que elas escutam hoje? “Santigold, MIA, Tegan & Sara, Haim, Icona Pop e Band of Skulls”.

Agora que elas estão voltando ao palco, Kate frisa que a possibilidade de shows no Brasil só depende do convite de algum festival. “Nossos amigos do Breeders voltaram quase agora de uma apresentação por aí e adoraram. Amamos absolutamente tudo no Brasil e adoraríamos tocar aí”. Aos organizadores desses festivais, fica a dica.