Wanessa aparece em clique Fendi, em foto de Hyan Pereira

Lá se vão 20 anos desde que Wanessa Camargo se arriscou na música com o certeiro O Amor Não Deixa – single chiclete sobre uma paixonite adolescente [era o campeão das minhas idas aos karaokês quando a gente podia se aglomerar]. Para celebrar esse momento, ela lança o álbum Universo Invertido, cujas músicas serviram como um processo de cura. “É sobre as minhas lutas internas, os meus medos, a minha vontade de desistir – mas ao mesmo tempo sobre a minha força, a minha aceitação. Meu caráter e minha sombra”, resume em conversa com a Bazaar.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Aos 37 anos, a mulher do empresário Marcus Buaiz e mãe do José Marcus, de 8 anos, e João Francisco, de 6, quer se mostrar mais transparente do que sempre foi. A ideia é criar uma conexão verdadeira com quem acompanha seu trabalho, segundo ela. “O maior presente que ganhei nesses anos foram as relações que construí ao longo do caminho; sejam fãs, imprensa, radialistas, artistas… amigos que eu levarei para a vida inteira.” Nos últimos meses, a cantora colocou a carreira em perspectiva, revisitando todas as eras em uma série de minidocs, que culminaram nesse lançamento.

Quando Wanessa começou, nos anos 2000, estrear uma música ou clipe na MTV era moda. Não tinha essa de aplicativo de música ou redes sociais. Lembro de uma apresentação dela no programa da Adriane Galisteu (que sabia cantar todas as músicas de cor, dava uma raiva!), uma outra no Faustão e uma entrevista para o “Fantástico”, para contar sobre sua experiência de estudar fora do País. Naquela época, Wanessa já era influencer, mas offline. Estampava capas de revista, falava sobre auto aceitação. Ali já tentavam rivalizar sua carreira com a de Sandy – se uma era santa, a outra tinha de ser o oposto.

Inspirava milhares de jovens que queriam ter seu cabelo, usar suas roupas. E ela foi se lapidando para tentar trilhar seu lugar ao sol longe da fama da família (do pai Zezé Di Camargo e do tio Luciano) em um Pop brasileiro ainda muito cru. Ao longo dos anos, foi bastante criticada pelas trocas de estilo. Foi do Pop ao Sertanejo, tentando uma carreira internacional – quem não lembra do hit “Fly“, com o cancelado Ja Rule? Aos 37 anos, faz uma ode ao feminino em um disco recheado de baladas e com muitos convites à pista de dança. Abaixo, leia a entrevista completa.

Wanessa veste Fendi, Louboutin e Schutz; Beauty: Jonas Santos (Foto: Hyan Pereira)

Você completa 20 anos de carreira esta semana. Qual balanço faz dessa trajetória? Quem é a Wanessa que as pessoas devem ou deveriam conhecer?
É o que eu tenho buscado este ano – que as pessoas que respeitam o meu trabalho e me ouvem, me vejam por trás do que assistem ou ouvem falar. Sempre fui muito transparente, mas ao mesmo tempo sou uma mulher muito offline. Gosto de ficar em casa, com meus filhos, no meu mundo. Tenho fugido da alienação através do conhecimento e eu quero começar a me comunicar com as pessoas de uma forma mais profunda, para criar justamente uma conexão com quem eu realmente sou.

Qual a mensagem por trás do lançamento de “Universo Invertido”? E qual é esse universo invertido que fala nesse novo trabalho?
O universo invertido pode conversar com qualquer gênero, entretanto, ele é um álbum sobre a perspectiva da mulher. O triângulo invertido representa o portal feminino, o nosso poder. Vivemos em uma sociedade patriarcal, mas nem sempre foi assim. O mundo já passou por momentos onde existiram sociedades comandadas por mulheres, então isso representa o “Universo Invertido”, o mundo a partir da perspectiva feminina. Ele é sobre as minhas lutas internas, os meus medos, a minha vontade de desistir – mas ao mesmo tempo sobre a minha força, a minha aceitação. Meu caráter e minha sombra.

No material de divulgação, parece que esse processo de cura é algo misterioso, não palpável. Quais foram respostas que encontrou?
É que só terei, de fato, uma cura na minha vida, se eu buscar autoconhecimento que me leve à libertação e ao amor-próprio. E é isso que eu trago no álbum, através da sua sonoridade, suas letras, simbologias etc.

Durante esses 20 anos de carreira, você flertou com diferentes estilos – foi do Pop country, passando pela música eletrônica e o aceno internacional. Qual acredita ter sido a assinatura de seu trabalho?
Sou uma artista que canta música Pop e é isso, apenas isso. O pop é algo tão amplo, repleto de influências e elementos – então, claro, eu trouxe várias influências ao longo da carreira.

No clique, Wanessa aparece com joias Marisa Clermann (Foto: Hyan Pereira)

Recentemente, você disse que sua postura enquanto artista mudou do início da carreira para os últimos cinco anos. Ao que, exatamente, se referia?
Era muito influenciável. Com medo de perder alguma oportunidade, acaba me deixando ser mais influenciada do que eu deveria. Comecei muito jovem e tive sucesso comercial de forma rápida e avassaladora. Não tive tempo de amadurecer sozinha, comigo mesma. Eu simplesmente segui o fluxo por muito tempo. Hoje, sou uma mulher ciente da minha vida e de tudo o que aconteceu, aprendi com isso. Faço o meu trabalho e honro o que eu acredito. Faço o que eu amo e é simplesmente isso. Eu aprendi a me ouvir, acima de tudo.

Você se mudou com a família no meio da pandemia para Goiânia. O que essa mudança representou para vocês?
Na verdade, nós tiramos um tempo para ficar em Vitória (ES). Nossa casa principal é em São Paulo, mas no meio da pandemia, onde já havíamos tido contato com o vírus bem antes – estava difícil manter as crianças em casa, São Paulo estava em lockdown. Então fomos para Vitória pois lá eles teriam mais espaço, tinham a natureza e depois voamos para nossa Fazenda em Goiânia – tudo de forma muito segura e privada, mesmo que já tivéssemos tido contato com o vírus. Tomamos essa decisão, pois seria mais saudável para a saúde mental deles e para a nossa, também.

Durante nossa última conversa, você disse que não gastava muito. Lembra qual foi a primeira coisa cara que comprou com seu primeiro dinheiro?
Lógico, nunca vou esquecer. Consegui comprar o meu próprio carro! [Um Audi A3].

Hoje, como você gasta seu dinheiro? Quais são as concessões que você faz quando o assunto é gastar?
Hoje, a prioridade é totalmente a minha carreira e os meus filhos. Então, me permito gastar com eles, investindo no bem estar deles, em uma boa educação. E também invisto na minha carreira. Hoje, sou uma artista independente, então ter uma equipe, estruturar as coisas é um investimento bastante alto. E claro, me dou uns mimos às vezes (rsrs). Mas não consigo me segurar com livros e confesso que umas “vidas” em alguns jogos (risos). [Os joguinhos são Candy Crush e State Survival].

Qual foi a sua maior extravagância fashion? Qual a primeira marca que colocou no seu guarda-roupa e o que era?
Sou fascinada pela Fendi, por isso decidi vestir para os cliques. A minha maior loucura fashion foi um vestido Gucci, que paguei parcelado em dois anos. Era um vestido que comprei para usar em algum evento incrível, mas esse evento nunca chegou (risos). E, sinceramente? Comprei antes de ter filho, então não consegui entrar nele de novo.