A obra Família de Fuzileiros (2014) de Daniel Lannes - Foto:reprodução/ Bazaar Art
A obra Família de Fuzileiros (2014) de Daniel Lannes – Foto:reprodução/ Bazaar Art

Por Maria Clara Drummond

Costumes, individual que Daniel Lannes apresenta na galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea nesta quinta-feira (04.09), tem alguns dos elementos que permeiam sua obra desde o início, como a mistura do classicismo com o ultracontemporâneo. Em 2007, o pintor chamou a atenção com a série Safe Sex, autorretratos eróticos em que, nu, interage com frutas. “Inspirei-me nos retratos que o holandês Albert Eckhout pintou dos índios brasileiros no século 17.”

Em 2011, a obra Duelo de Camarotes: Pipos x Cash Box mostra uma imagem de Dom Pedro I, inspirada em uma pintura de Debret, no meio de um baile funk carioca. A mostra Costumes reúne uma série de retratos dos amigos de Lannes, vestidos em trajes femininos vitorianos. “O título da exposição vem do duplo significado da palavra, podendo ser ‘hábito’ ou ‘indumentária’. Por isso, procurei representar os personagens em cenas ou figurinos emblemáticos, como um casamento ou um baile”, conta à Bazaar.

A obra Centaura (2014) de Daniel Lannes - Foto:reprodução/ Bazaar Art
A obra Centaura (2014) de Daniel Lannes – Foto:reprodução/ Bazaar Art

Por mais que a inspiração fossem os retratos clássicos da pintura do século 19 (como os de John Singer Sargent), nas poses tradicionais desse tipo de representação, a temática não poderia ser mais atual: a questão do gênero. As figuras ora são andróginas, ora disformes, ora travestidas. O fetiche clássico é um tema que permeia a sua obra e também aparece claramente em Costumes, como as fardas, a fantasia de se travestir e o ideário da mulher gostosa do funk.“Poderiam dizer que é kitsch ou irônico, mas não é: eu me interesso sinceramente por isso”, confessa.

A obra Saiani - Foto:reprodução/ Bazaar Art
A obra Saiani – Foto:reprodução/ Bazaar Art

Daniel Lannes também aborda o racismo quando pinta a cena de um casamento baseado em uma das fotos da cerimônia que uniu o príncipe William a Kate Middleton, mas substituindo-os por personagens negros: “Queria trazer a pompa de um casamento real, mas com a típica família brasileira, como as pintadas por Guignard”. O rito também aparece em mais duas pinturas, um autorretrato do artista vestido de noiva e duas mulheres prestes a realizar seu matrimônio.

A expo fica na galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea, no Rio de Janerio, fica até 04 de outubro de 2014.

Daniel Lannes @ Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea
R. Barão de Jaguaripe, 387, Ipanema, Rio de Janeiro, tel. 0XX21 2523-4696