Foto: Lucas Nogueira

Por Mahmundi*

Escrevo esse texto um dia depois do resultado das eleições no Brasil. Ando animada, acredita? Apesar dos pesares… O ano de 2020 não está sendo fácil, mas decidi não cair nos clichês das grandes destruições humanas. Quero ir além. Estou, realmente, precisando. Viver o mundo tem sido uma aventura gigante – e pensar que tudo passa por questões pessoais, traumas, encontros e alegrias. Mas tivemos algumas vitórias nas urnas que nos dão boas notícias. Mulheres pretas, cada vez mais, ocupando cargos na política, mulheres trans também, trazendo novas ideias de espaço e narrativas. Isso mexe com a gente, sempre. Golaço vindo do futuro-presente.

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E eu aqui, por exemplo, dando um ‘alô alô Harper’s Bazaar‘ para falar diretamente com você. Falar de música, que amo. Música preta e brasileira. Vim contar uma novidade, da qual estou orgulhosa. Dirigi um projeto musical para a Universal Music, minha gravadora, que chamamos de Sorriso Rei, lançado nesta sexta-feira (20 de novembro, Dia da Consciência Negra). Misturamos o nome das canções que revisitamos: “Sorriso Aberto” e “Tempo Rei”. Meu primeiro grande projeto musical, como diretora criativa, são duas canções com clipe e um documentário, que envolve a grande Yasmin Thayná na direção e roteiro desse filme. Vamo que vamo, né?

Se tem uma coisa que amo é me comunicar com as pessoas, tô descobrindo isso e curtindo. Pô, e a primeira missão é produzir músicas que já são amadas pelo público todo, né? “Sorriso Aberto”, que foi cantada magistralmente por Jovelina Pérola Negra, e “Tempo Rei”, calorosa música gravada pelo nosso querido brasileiro Gilberto Gil. A gente reuniu as novas vozes da galera. Vozes mulheres e homens populares, poderosos, promissoras. Uma grande festa! Jovens que amam essas grandes canções e que toparam, de primeira, gravar uma nova versão.

Projeto celebra músicas de Jovelina Pérola Negra e Gilberto Gil (Foto: Divulgação)

Contar, cantar e celebrar a ancestralidade. Músicas essas, que estão sempre na nossa memória, nas histórias comuns dos rádios altos dos vizinhos e nos cantos das ruas desse Brasilzão. Para mim, a música sempre foi o melhor jeito de viver o mundo. Sempre criei uma vida à parte, ouvindo minhas canções preferidas nas lan houses de Marechal Hermes, subúrbio carioca. Na minha família, o Gospel sempre esteve presente, o que também me fez construir um ouvido sem preconceito em função da arte e da música.

É evidente que, produzir arte no Brasil e no mundo, é sempre desafiador – em 2020. Estar viva neste ano nem se fala. Minha vó sempre dizia para eu sempre pedir saúde nas minhas orações. “Pede saúde, que o resto vem”. Sem saúde física, mental, espiritual, não temos nada. Estamos em uma aventura rumo ao desconhecido variante em que precisaremos de saúde, coragem e um punhado de afeto – sempre que tiver!

Tomar sorvete, ler revistas, ver vídeos, sair com máscaras (não esqueçam!), passear nas nossas futilidades que amamos, nos nossos 15 minutinhos dentro de nós mesmos. Burlar o sistema opressor e racista, que tenta nos envelopar com corpos pretos idênticos. Pois é, e você sabe que isso não faz sentido. Cada pessoa é um mundo. E, claro, tentar sempre um bom motivo para continuar. Torcendo sempre para ser com o ‘sorriso aberto’ – e sim, eu adoro os bons clichês que trilham as nossas existências.

E a gente segue… Um beijo para você que me lê. Beba água, ajude seus avós.
Mantenha-se saudável. E se animar, me siga, nas redes: @mahmundi.
Confira “Tempo Rei” e “Sorriso Aberto” em todas as plataformas digitais.
Mostra para a família, depois me conta o que eles acharam (risos).

Até breve!


*Mahmundi é o codinome de Marcela Vale, que a gente já sabe que canta e produz, e agora assina como diretora criativa esse projeto musical da Universal, que celebra o Mês da Consciência Negra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Harper’s Bazaar Brasil 

Mahmundi em clique de Lucas Nogueira (Foto: Diculgação)