Retrato de Homem (1903) - Foto: divulgação
Retrato de Homem (1903) – Foto: divulgação

por Kênya Zanatta

Uma exposição recente no Grand Palais, em Paris, ganhou o oportuno título Picasso.Mania. A mostra explorou o mito criado em torno do pintor catalão e sua influência na produção artística contemporânea. Além de ter museus dedicados a sua obra em Paris e Barcelona, Pablo Picasso (1881-1973) é uma aposta segura e recorrente no circuito mundial de exposições. E o Brasil não fica de fora. Contabilizando somente a temporada no CCBB do Rio de Janeiro, Picasso e a Modernidade Espanhola foi a mostra de arte moderna mais visitada do mundo em 2015, segundo o ranking do jornal especializado The Art Newspaper.

A grande exposição que o Instituto Tomie Ohtake inaugura no final do mês, em São Paulo, já nasce, portanto, com vocação para provocar filas imensas. A seleção de trabalhos do acervo do Museu Picasso de Paris foca na relação que o artista estabelecia com suas obras. As 153 peças apresentadas, em sua maioria inéditas no País, abrangem as principais fases de sua produção e os temas que interessaram Picasso ao longo da carreira.

Além de 116 trabalhos assinados pelo catalão – 34 pinturas, 42 desenhos, 20 esculturas e 20 gravuras –, a mostra tem ainda uma série de 22 fotogramas de André Villers, realizados em parceria com Picasso, e 12 fotografias de Dora Maar, que retratam o processo de criação de Guernica, o quadro pintado em 1937 que se transformou num dos mais célebres libelos contra a guerra.

Para investigar a relação que o artista mantinha com suas criações, a curadora Emilia Philippot – que também é tutora da instituição parisiense – selecionou obras das quais Picasso nunca quis se separar, e que foram doadas ao museu por seus herdeiros somente após sua morte. A mostra inclui retratos de familiares, denúncias da destruição causada por conflitos ao redor do mundo e também a celebração do erotismo.

O percurso estabelecido em Picasso: Mão Erudita, Olho Selvagem parte dos anos de formação, na virada do século 20, e acompanha a experimentação formal que culmina no cubismo. Enfatiza ainda sua relação com a música e a recuperação de temas da Antiguidade, como maternidade, teatro e dança. O público poderá descobrir a vertente surrealista de Picasso e obras que espelham seu engajamento político. A via doméstica e as vaidades do artista catalão, assim como a rotina de trabalho e sua infindável busca por novas formas de expressão, da cerâmica ao fotograma, também são abordadas. As seções finais são dedicadas ao mistério da criação artística e ao triunfo do desejo.

Completando a mostra, os filmes Guernica, de Alain Resnais e Robert Hessens (1949), e Le Mystère Picasso, de Henri-Georges Clouzot (1956), oferecem ainda uma visão mais aprofundada do processo criativo de Pablo Picasso.

De 22 de maio a 14 de agosto :: institutotomieohtake.org.br