Foto: divulgação
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por Mariane Morisawa

Se estivesse vivo, Robert Mapplethorpe completaria 70 anos em novembro próximo. O fotógrafo, que morreu em decorrência da Aids em 1989, é homenageado com exposição simultânea em dois dos mais importantes museus de Los Angeles, o LACMA (The Los Angeles County Museum of Art) e o Getty Center, que, em 2011, adquiriram em conjunto obras e material de arquivo da fundação com seu nome.

Robert Mapplethorpe: The Perfect Medium explora as diversas facetas do ousado nova-iorquino em cerca de 300 obras. No LACMA estão trabalhos que exemplificam seus métodos, fontes e processo criativo, ou seja, os aspectos mais experimentais e performáticos. No Getty está exposta sua disciplinada prática no estúdio, além de estudos figurativos. Nas duas mostras estão representados os principais núcleos de Mapplethorpe, como os retratos. Um dos destaques é Patti Smith (1978), fotografia da poeta, compositora, cantora, escritora e artista visual cortando seu próprio cabelo, em atitude desafiadora. Smith queria ter um cabelo rock’n’roll e usou como modelo uma imagem de Keith Richards. Amigos, Mapplethorpe e Smith formaram uma parceria artística que durou anos.

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Os nus também são parte fundamental do trabalho. Mapplethorpe era fascinado pelo corpo humano, e suas fotografias se aproximam das esculturas – ele nunca gostou de ser considerado apenas um fotógrafo, pois desejava explorar todos os meios de arte, daí o nome da exposição. Fez mais de 200 imagens da fisiculturista Lisa Lyon, explorando sua androginia. Registrou amigos e amantes, dando visibilidade à crescente cultura gay em Nova York, mas também São Francisco, Londres e Paris, e discutindo as noções de masculinidade. O sexo aparece explicitamente em muitas das peças, inclusive com registros da cena BDSM (bondage, dominação, sadismo e masoquismo). Até as naturezas-mortas reproduzem órgãos sexuais femininos e masculinos.

A exposição vem acompanhada de dois livros, Robert Mapplethorpe: The Photographs, de Paul Martineau e Britt Salvesen, e Robert Mapplethorpe: The Archive, de Frances Terpak e Michelle Brunnick. Enquanto isso, a HBO americana exibe o documentário Mapplethorpe: Look at the Pictures, de Fenton Bailey e Randy Barbato. Em conjunto, todos esses esforços procuram jogar luzes novas e colocar em perspectiva histórica a obra controversa do artista. (MM)

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