Mariah Nala é potente e fresca voz do pop nacional
Foto: Mateus Aguiar

Aos pés do Cristo Redentor, ela cantou e emocionou o Brasil na missa de sétimo dia do humorista Paulo Gustavo, morto pela Covid em maio deste ano. Abocanhou mais de 1,2 milhão de visualizações com o videoclipe da primeira faixa da carreira, “Sem Tempo”. Compartilha a vida com mais de 477 mil seguidores só no Instagram. Acumula mais de duas dezenas de milhares de inscritos no seu canal oficial no YouTube. E isso é apenas a ponta do iceberg para Maria Eduarda Nogueira Faro, mais conhecida como Mariah Nala. Detalhe: ela só tem 15 anos. “Nunca imaginei que entraria no meio artístico. Simplesmente aconteceu”, conta à Bazaar, dias depois de gravar mais um de seus videoclipes.

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Nascida e criada na cidade de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, tem na memória que começou a cantar aos quatro anos. Com oito, já gravava vídeos entoando as canções que gostava, com a ajuda de um grande amigo, que produzia seus makes e cabelos para sair bem na fita.

O pontapé inicial aconteceu aos 12, quando passou a publicar estes vídeos caseiros em seu canal oficial no YouTube, cantando covers de grandes cantoras, como Beyoncé, Rihanna, Alicia Keys e Lady Gaga. Os vídeos impactaram pessoas relevantes do meio musical e Mariah conquistou o atual contrato com a gravadora Sony Music, que a fez se mudar para o Rio de Janeiro no ano passado. “Foram seis meses morando lá. Foi uma mudança meio difícil para me acostumar, mas me ajudou muito na carreira. Queria ficar mais próxima do trabalho e de quem está comigo no corre.”

Os planos musicais de Mariah Nala e sua gravadora são ambiciosos. Ao lado dos produtores Ruxell, Pablo Bispo e Tiê Castro, a artista prepara seu primeiro álbum da carreira para meados do primeiro semestre de 2022. Mas, antes disso, singles estrearão nas pistas: neste mês, a cantora estreia “Carma”, sua segunda música de trabalho, que chegará com videoclipe; e, em janeiro, o mundo vai ouvir “Sem Você”, terceira faixa do disco. Sem dar muitos detalhes, Mariah diz que o álbum mostrará suas facetas musicais a partir de diferentes ritmos. “Terá músicas de vários estilos – pop, pegada mais R&B, latina… Estou muito ansiosa”, completa.

Beyoncé, Rihanna, do lado de lá, e Iza e Elza Soares, do lado de cá, são as principais referências na vida e na carreira de Mariah. Faz total e completo sentido: “Me inspiro em cantoras como elas porque são iguais a mim na aparência. Me apoio muito na força delas”. Também tem a completa certeza que, a partir de seu caminhar no hall da música e da fama, se tornará referência para outras meninas e garotas pretas – como ela.

Mariah Nala é potente e fresca voz do pop nacional
Foto: Mateus Aguiar

“Não me sinto pressionada. É uma honra. É manter, sempre, os dois pés no chão. Isso é importante e necessário demais para mim”, conta, revelando que sabe o racismo estrutural em que o Brasil foi fundado e vive, e como é o papel de ser espelho para outras pessoas. “Na escola, já sofri muito preconceito por ser preta. Principalmente, por conta do meu cabelo, dos meus dentes e da minha cor da pele. Era uma insegurança bem presente na minha vida. Hoje em dia, não ligo tanto.”

O “H” de Mariah e o Nala (nome de origem africana, da língua suaíli, que significa “rainha”, “leoa”, “água no deserto”) vieram como uma espécie de cereja do bolo para coroar, ainda mais, a potente nova voz da música nacional. Maria e Mariah se confundem por imagem e semelhança. Embora uma seja tímida e a outra, extrovertida, elas têm muito em comum: “uma empresta para a outra a voz, o estilo e a força do visual e do cabelo.” Mariah é, enfim, o aditivo necessário para manter a cena artística ainda mais potente, diversa, fresca e sagaz.