Mariana Porto apresenta primeira série de esculturas

As obras estreiam na mostra que entra em cartaz na segunda quinzena de agosto na galeria Ateliê 284, em São Paulo

by Silvana Holzmeister
Mariana Porto e as obras de Casulo, no Ateliê 284, em São Paulo - Foto: André Giorgi

Mariana Porto e as obras de Casulo, no Ateliê 284, em São Paulo – Foto: André Giorgi

O universo criativo de Mariana Porto é feito de reminiscências e poesia sobre tecido. Com linha, agulha, miçangas, pincéis e tinta, ela vai criando texturas que culminam em painéis de extrema delicadeza. Agora, a artista plástica dá um passo maior e chega à primeira série de esculturas, batizada de “Casulo”, que entra em exposição na segunda quinzena de agosto na galeria Ateliê 284, em São Paulo. Nas cinco obras, ela enfatiza a relação contrastante entre o que nos protege e, ao mesmo tempo, aprisiona.

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Para concretizar este pensamento, Mariana criou formas orgânicas que lembram pelerines com dimensão de 74 cm por 1,15 m que tanto podem abraçar o corpo quanto restringir os movimentos. “Para mim, funcionam como metáfora da família”, diz. Sobre o tecido em branco, ela bordou contas de vidro, pintou com uma cartela de tons rebaixados e criou grafismos.

Na exposição, as obras ficarão suspensas em suportes de ferro cobertos por amarrações de tecido na cor preta. De longe, parecem dançar no ar, ficando no limiar entre arte e objetos vestíveis. “Para mim, são corpos que voam”, descreve a artista.

Acostumada a trabalhar com seda e linho, este último foi eleito a matéria-prima especial para essa série, principalmente pelo resultado mais estruturado que proporciona. Mas também por sua importância histórica. Não se sabe ao certo quando o linho foi tecido pela primeira vez pelo homem, mas há evidências de que por volta de 8000 a.C seria usado na região da Mesopotâmia. No Egito, era plantado ao longo do Nilo e virou riqueza, sendo usado tanto para velas de barco quanto vestes para sacerdotes e monarcas. Até o Santo Sudário foi feito com o tecido que começou a ser industrializado no século 19. “Sou apaixonada por esse suporte”, conta Mariana.

O tecido surgiu como material nas mãos da artista há quatro anos. Antes, usava metal fundido e pedras para criar obras para a marca Objeto Design. Nessa mudança de trajetória, a busca era por caminhos menos rígidos. Depois de um curso de tingimento artesanal, ela criou a Jade, grife de camisas de linho. “Em paralelo, comecei a fazer os painéis.” Aos poucos, a arte suplantou a moda. “Me libertei completamente e me encontrei na arte e no tecido, que te abraça, é flexível e coreográfico ao mesmo tempo.”

No ano passado, lançou com a joalheira e amiga Vera Cortez o projeto “Patronas”. A primeira edição rendeu uma série limitada de dez caixas com obras inspiradas em patuás, feitas com elementos da natureza presentes no trabalho de ambas. A sequência, batizada de “Entremeios”, rendeu peças feitas à mão com linho, osso, chifre e madeira de descarte que pudessem ser usadas como joias para o corpo e para a casa, inspiradas por imagens da seca, da terra gasta e raízes. Agora, elas preparam a terceira edição do projeto, com lançamento previsto para este segundo semestre.

Há seis meses, Mariana inaugurou o Ateliê 284 em um imóvel do século 19 que era residência do pintor, fotógrafo e antiquário Otavio Pistelli e fica anexo ao ateliê de Vera, o que contribui ainda mais para a proximidade das duas. Por lá também funciona A Florista, de Monica Sztokfisz.

A atmosfera é bucólica, de casinha do interior, com direito a fogão a lenha e silêncio, alheia à rotina eletrizante de São Paulo. É este espaço que vai abrigar a série “Casulo”. A abertura da galeria foi pontuada pela exposição “Estações e o Senhor do Tempo”, de Mariana, e “Aéreos-Natureza Têxtil” de Monica. Juntas, elas criam trabalhos que se entrelaçam, fortalecem seus caminhos individuais e ressaltam a essência feminina.

Ateliê 284: rua Maria Carolina, 284, Jardim Paulistano. Cel. 11 98699-9978

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