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Mary J. Blide quer se reinventar aos 44 anos

A cantora já é musa do R&B americano faz tempo, mas, agora, a nova cena inglesa encasquetou com ela

by elav
Cantora comemora 44º primaveras neste domingo (11.01) - Foto: divulgação

Cantora comemora 44º primaveras neste domingo (11.01) – Foto: divulgação

Por André Aloi

A história da estilosa cantora de R&B americana Mary J. Blige pode ser contada por meio de seus infinitos cortes de cabelo. Mais do que isso, seu sucesso – com números superiores a 50 milhões de cópias vendidas ao redor do planeta – consegue ser medido tanto por seus gramofones dourados (nove estatuetas Grammy), quanto pelas polêmicas que encarou por causa do vício em álcool e drogas, entre outros problemas ainda mais cabeludos.

A inquietação da artista não ficou marcada só pelas mudanças de visual, que tem inspirações declaradas na modelo Naomi Campbell, nas atrizes Charlize Theron e Halle Berry ou em Jennifer Lopez. Com o mercado americano na palma de sua mão há pelo menos duas décadas, Mary não se contenta e quer mais é se reinventar. Mesmo que esteja a caminho dos 44 anos. “Eu amo o R&B, minha carreira, adoro gravar, mas preciso fazer isso por mim e pelos meus fãs. Você tem sempre de estar mostrando do que é capaz”, afirmou em entrevista por telefone à Bazaar, de sua casa (por enquanto) nos Estados Unidos. Porque, se pudesse deixar um recado na secretária eletrônica da faixa inicial do primeiro álbum, What’s The 411? (lá dos anos 90), provavelmente teria dito: “Inglaterra, me aguarde”. Mas nem ela própria poderia prever que, com a carreira americana superconsolidada, iria trilhar o caminho inverso dos artistas europeus que buscam sucesso na América: partir de Nova Jersey, nos EUA, rumo a um chá da tarde e um compromisso musical em Londres.

Não que precisasse! Mas, aos 44 anos, começou a embarcar com frequência para essa jornada de redescobrimento ou reinvenção na Inglaterra, onde gravou o CD e documentário The London Sessions. O disco foi recém-lançado. O documentário vem aí. É o grito de independência da rainha frente às amarras do soul ou do hip-hop, estilos que ajudou a reinventar nos anos 1990. Desta vez, além da dupla sensação Disclosure (ela já havia trabalhado com os irmãos Guy e Howard Lawrence na faixa F For You, do EP deles em 2013), foi se encontrar com jovens talentos da nova safra de artistas do Reino Unido, como Sam Smith e Emeli Sandé, entre outros.

A cantora Mary J. Blige em ensaio fotografado em Londres, sua nova casa musical - Foto: divulgação

A cantora Mary J. Blige em ensaio fotografado em Londres, sua nova casa musical – Foto: divulgação

Ela ia para o Reino Unido para passar só um mês em um intensivão com o grupo Disclosure, mas o CEO da Capitol Records, Steve Barnett, estendeu a temporada. “Ele transformou as coisas em algo grande. O negócio estava todo lá, e ele fez tudo ganhar maiores proporções”, diz Mary. Se nessa cruzada ela encontrou uma receita para um novo sucesso, desconversa. Acredita que o que importa é a atitude.“Amar, tratar as pessoas bem, se tratar bem, pensar nos fãs e fazer boa música.”

Pharrell Williams, Drake e Adele estão diariamente em seu player, que também tem espaço para sua própria música. Mary J. Blige escuta Mary J. Blige. Porque gosta.“Sou eu sendo grata por tudo que aconteceu em minha vida. Quando escuto uma canção minha na rádio, é uma sensação boa, porque eu não era famosa há 25 anos”, fala, como se hoje fossem os anos 1990.

Mesmo com esse sentimento de novo início, a cantora diz que controla vícios passados com terapias e exercícios. A lição que aprendeu e pode compartilhar com quem vive momentos difíceis é não ter medo e aprender a se aceitar.“Há coisas que você não pode mudar.”Amar a si mesma mais do que outras pessoas é outro legado.“Assuma suas coisas boas, as más, tudo…”

Mary J Blige em um ensaio - Foto: divulgação

Mary J Blige em um ensaio – Foto: divulgação

Com o CD nas lojas e o doc. saindo do forno,ela ainda não se deu conta do que esse intercâmbio lhe proporcionou. Mas, munida da mesma humildade com a qual cantou com Bono, Elton John, George Michael, Sting e uma infinidade de artistas, afirma que não tem nenhum problema em continuar sendo rotulada como rainha do estilo A ou B.“Eu diria que sempre fui mais do que só isso. Não tem nada de errado em você ser a rainha do R&B, por exemplo. Sou uma artista, antes de tudo.”