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Mônica Martelli aos 50 anos: “Não vou botar enchimentos”

A atriz dá o papo reto sobre o processo de envelhecer

by redação bazaar
Foto: Julia Rodrigues

Foto: Julia Rodrigues

Por Ana Ribeiro

Mônica Martelli faz assim: levanta da cama e veste a roupa de ginástica. Na hora em que arruma algum tempo livre, corre para a academia. Sua preocupação não é emagrecer, ela sempre foi magra. Aquele tipo de mulher comprida, de 1,80m de altura e pernas intermináveis que a gente faria um pacto com o diabo para ter. As dela vieram de fábrica.

Acontece que, agora, aos 50, está interessada em cuidar da “qualidade da magreza”. “Malho, me alimento bem, não como porcaria. Mas não sou paranoica. Quero ser uma mulher bonita, mas uma mulher bonita de 50 anos. Não vou botar boca e aqueles enchimentos todos para ficar com cara de 35″, diz.

A atriz se sente feliz e à vontade de estar na própria pele. Não tem o mínimo pudor de sua nudez, muito pelo contrário. “Adoro circular pelada em casa.”

Nem sempre foi assim – ela já teve os seus complexos. Quando era adolescente em Macaé, a 180 km do Rio de Janeiro, quem se dava bem eram as meninas “baixinhas e peitudas”. E todas estavam de olho nos mesmos garotos: os surfistas. “Quem não era surfista não era ninguém”, brinca.

O tempo passou e o padrão de beleza feminino foi se aproximando cada vez mais… do seu. “Hoje ando pelos Jardins (em São Paulo) e sou rainha. Todas as marcas querem me vestir.”

A pele do rosto, imagina, poderia estar melhor. “Na minha época de praia, bonito era ter marquinha de biquíni e torrar até ficar com aquela ferida de sol no nariz.”

Ela se cuida, faz os “tratamentos todos”, todos os lasers possíveis. “Já deixei um apartamento na dermatologista”, exagera. Mas pega leve no botox. “Preciso das expressões do meu rosto, não posso ficar artificial.”

Os dias de sol a pino ficaram para trás, mas o mar ainda está presente em sua vida. Até pouco tempo, sua casa era um apartamento de frente para a praia no Rio de Janeiro. “Eu descia para dar um mergulho pelo menos duas vezes por semana.”

Só que Mônica estava traumatizada de tanta ponte aérea que tinha de pegar para vir para São Paulo às quartas-feiras apresentar o programa “Saia Justa”, e todo fim de semana para atuar no monólogo “Minha Vida em Marte”, que apresenta com lotação esgotada no teatro Procópio Ferreira, na Rua Augusta, e mais toda vez que aparecia algum outro trabalho por aqui.

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Procurou um apartamento nos Jardins e fechou. “Gostei da localização e do closet, que é gigante”, confessa. Trouxe a filha, Júlia, de 9 anos, para morar bem próxima do teatro.

“Minha Vida em Marte” é a continuação de “Os Homens são de Marte… e é Pra Lá que eu Vou”, a peça que ela escreveu aos 34 anos e que mudou tudo para sempre. Só para lembrar em fast forward: Mônica queria ser atriz, fez curso de teatro no CAL (Centro de Artes de Laranjeiras), fez teatro infantil, oficina de atriz na Globo, um teste atrás do outro. E nada acontecia. Até que decidiu arriscar uma manobra ousada: escrever o próprio texto.

Estreou “Os Homens são de Marte”, em 2005, no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, e passou a ser dona da própria história. A peça virou filme, virou série que está indo para a quarta temporada no GNT, virou outra peça (em cartaz agora e também filmada para o cinema).

“Agora sou eu que escalo os atores que contracenam comigo.” Conquistou a liberdade de dizer exatamente o que quer dizer no palco, sempre com toques de humor e leveza, como é seu estilo. “Tudo o que eu passo, todas as minhas dores, expectativas, alegrias, tristezas, angústias, coloco em cena. Estou ali falando de sentimento”, diz a atriz.

Mônica termina a peça cheia de adrenalina e sai para jantar às 23h30. Toma sempre uma taça de vinho para baixar a bola. “Saio do teatro com a energia aqui, ó”, diz ela, estendendo o braço acima da cabeça. “Homem que me convida para jantar tem de estar disposto a comer depois das 11 da noite.”

Aos 50, ela está solteira. Sabe que toda a sua independência pode ser um problema na hora de encontrar parceiro à altura. “Todo relacionamento esbarra nisso, na minha extrema autossuficiência”, confirma. Mas, por mais apaixonada que seja pelo trabalho, não desistiu do amor. “Desejo amar, quero dar beijo na boca, dormir junto. Gosto de namorar, de descer do avião e escrever ‘amor, cheguei’.”

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