Anastasia Mikova (ao centro) acompanhada pelas mulheres de diferentes nacionalidades que entrevistou para o documentário – Fotos: Divulgação

“É sobre a resiliência das mulheres. Sabia que eram fortes, mas não imaginava o tanto”, comenta a diretora ucraniana Anastasia Mikova. Ela foi a responsável por dar linearidade ao contundente documentário “Mulher” (com coassinatura do fotógrafo e cineasta francês Yann Arthus-Bertrand), que estreia nesta quinta-feira (12.03).

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Foram quase quatro anos de trabalho, dois deles colhendo depoimentos de mulheres de cerca de 30 países, incluindo Brasil. Marielle Franco seria uma das personagens que, infelizmente, morreu antes de gravar. “Ela era simbólica, lutava contra a violência. (O assassinato) só reforça o que acontece todos os dias.” O doc aborda casos de abuso, escravidão e outros tabus, como prazer e sexualidade na terceira idade.

A maior parte foi conduzida por mulheres para que as 200 que aparecem se sentissem à vontade nesse processo. “Quando me senti esmagada, elas estavam lá, fortes, passando por cima dos sentimentos”, revela Anastasia em entrevista à Bazaar. Diziam que estava tudo bem, abraçavam a diretora e tudo voltava ao prumo.

Em “Human” (2015), seu documentário anterior, descobriu que precisava se envolver com as personagens. “A pessoa que compartilha sua história pela primeira vez confia em você. Não dá para fingir que aquilo não é um problema seu.” Esse exercício de empatia só tem a somar. “Só as vi uma vez, mas compartilhamos relatos tão pessoais que não tenho mais medo de falar sobre nada.”

Anastasia teve de cortar partes, porque a proposta não era fazer um filme com conteúdo erótico. Foi ali que percebeu a importância de retratar barreiras culturais e de tradição e não quis reduzir as mulheres a seu país de origem – por isso, aparecem sem nome. “O mais importante é o que elas têm a dizer. Vai além de cultura e linguagem”, pontua.

Enquanto, para algumas, ser mulher significa maldição, para outras, é um presente. Mas se Anastasia pudesse viver na pele de um homem por apenas um dia, ela brinca: “Tentaria entender o que acontece aí dentro”. Por esse motivo, seu próximo documentário deve abordar o tema, já que em todas as entrevistas se questionava qual seria a resposta de um cara do outro lado da lente. “Falam publicamente muito mais do que as mulheres, mas nunca sobre tópicos íntimos, quem eles são e o que sentem por dentro.” É um baita campo de pesquisa.