Foto: Vic Lentaigne

Por Isadora Almeida

Talvez você ainda não conheça Romy Madley Croft, mas com certeza já ouviu o trio britânico The xx, do qual faz parte. A voz feminina nas músicas é dela que, ao lado de Jamie xx e Oliver Sim, inaugurou, em 2009, o que a imprensa chamou de “revolução silenciosa” na música.

Naquela época, o grupo ficou conhecido pela estética monocromática (todos usavam roupas pretas) e pela timidez, nítida nas entrevistas, que vinha acompanhada de um som eletrônico com bases delicadas e superminimalistas. Bastou para encantar crítica e público. Com três ótimos álbuns lançados e letras carregadas de sentimentos, eles rodaram o mundo com bem-sucedidas turnês – com passagens pelo Brasil em 2013 e 2017.

Acumulam hoje mais de 4 milhões de ouvintes mensais só no Spotify. Se este ano serviu para que muitas pessoas fossem desafiadas a trilhar novos começos, se reinventar e apostar no desconhecido, não foi diferente com Romy, a jovem cantora de 31 anos.

Projeto autoral

Desde os 16 anos em uma rotina que talvez não a favorecesse criativamente, neste ano se sentiu segura para fazer um projeto que fosse totalmente autoral  e, assim, vai moldando o seu primeiro álbum solo, em fase de preparação. “Sempre escrevi para outras pessoas, para grandes nomes do pop, mas são letras muito pessoais. Isso ecoava na minha cabeça e pensava em escrever para mim mesma. A Robyn (cantora sueca) me encorajou a fazer isso e agradeço muito a ela por ter me ajudado”, conta Romy em entrevista à Bazaar.

Foto: Reprodução/Instagram/@budti

Desde o início da pandemia dentro de casa com a namorada, a fotógrafa Vic Lentaigne, ela decidiu que era o tempo certo para começar a transformação, direto de Londres. “Peguei um quarto aqui e coloquei meus equipamentos e instrumentos. Consegui ter esse momento para fazer minha própria música e ainda tive feedbacks da namorada, lá da sala. Quando ela gostava de algo, ouvia: ‘adorei isso’.”

Frutífero musicalmente, 2020 foi marcado pela ode à setentista disco music e lançamentos incríveis de álbuns de cantoras estelares como Dua Lipa, Róisín Murphy, Jessie Ware e Kylie Minogue. “Acho que tem muito do sentimento de estarmos neste ano triste dentro de casa e querermos dançar em uma pista”, explica ela, que se diz apaixonada pelo gênero eternizado pelos globos espelhados.

Álbum de estreia

Se a música teve o poder de salvação em um ano tão difícil, é sobre escapismo que trata seu álbum de estreia, um forma de extravasar toda essa energia. “Imagino pessoas se abraçando, aquele sentimento de reencontrar alguém que você ama. A sensação de um abraço e de celebrar isso”, resume a ideia.

É dessa vibe que veio também seu recém-lançado single “Lifetime”, que orbita entre dois universos que ela conhece muito bem: o hit superdançante “Electricity”, conhecido na voz da gigante Dua Lipa – vencedor do Grammy e que tem Romy como uma das compositoras – e “On Hold”, da sua banda de origem.

Ambos têm essa “alegria emotiva” para a pista, que quer ocupar. “Fiz uma playlist chamada ‘emotional music to dance to’ (músicas emotivas para dançar, em tradução livre). São tracks que me inspiraram.” E essa estreia é só “uma espiadinha” do que vem por aí no álbum de inéditas. “São composições sobre emoções, amores e sobre escapar um pouco. Estou focada em fazer ele acontecer logo.” Mas os fãs do trio britânico podem ficar em paz: “Sim. Vai ter música nova do The xx, com certeza.”

Mundaça no visual

Foto: Divulgação

A adição de cores no guarda-roupa da artista é outro indicativo dessa nova fase musical, que soa mais libertadora e refrescante. “Acho tão legal misturar peças vintage e novas. Cores néon…eu amo! Fui para a Tailândia com a minha namorada e ficamos encantadas com as cores de lá. Acho tão lindo…fiquei inspirada”, diz.

Vestindo uma camisa de time supercolorida nas fotos de divulgação, lembra dos shows lotados no Brasil, com o público cantando todas as letras. “Só de lembrar, fico arrepiada. Foram momentos que, de verdade, nunca vou esquecer.” Já que a memória afetiva com o País do futebol lhe traz boas recordações, vale perguntar: algum nome brasileiro com o qual gostaria de colaborar? “Agora, não saberia falar. Pode me recomendar algum?”

Cito que talvez Duda Beat seja um nome interessante. “Obrigada por me falar, vou procurar o som dela”. No aguardo do primeiro álbum de Romy, seguimos na esperança de que ele surja quando já possamos sair, seguros, para dançar juntos, celebrando a vida em uma pista de dança.