O novo pavilhão do museu-ateliê Audemars Piguet, no Vale de Joux, na Suíça. Ao lado, no detalhe, o relógio Universal, de 1899 – Foto: Divulgação

A precisão cirúrgica com que os relojoeiros constroem peças talhadas à mão serviu de inspiração para que a Audemars Piguet materializasse seu tão sonhado museu-ateliê, no Vale de Joux, na Suíça.

Criado em forma de espiral, e sem paredes, com o teto sustentado apenas por vidros, o lugar conta, não só a história da marca – que se mantém nas mãos da família dos criadores, algo raro hoje -, mas também a de uma região que há séculos passa, de geração em geração, o ofício de criar verdadeiras joias atemporais.

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No coração do caracol, obras-primas da manufatura como o relógio “Universal”, datado de 1899, com 20 complexidades em seu mecanismo e precisos 1.168 componentes. A peça chegou de uma coleção privada há quase uma década para ser totalmente restaurada.

No coração do caracol, obras-primas da manufatura relojoeira – Foto: Divulgação

Quando o processo acabou, o relógio merecia virar patrimônio, tamanho o zelo e o empenho do time. “Seria uma pena abrir e não ter esse relógio”, reflete o diretor de Patrimônio e Museu da Audemars Piguet, Sebastian Vivas, que ajudou a convencer o antigo dono a compartilhar a beleza dessa raridade. Afinal, mais pessoas poderiam admirá-lo.

O espaço foi pensado como se fosse uma partitura musical, com várias nuances. Ao entrar, o visitante é apresentado à vocação da região para a relojoaria: aprende como foram feitos os primeiros modelos, vai conhecendo as técnicas e matérias-primas, as complicações, até entender o DNA da marca, que narra muito sobre exclusividade.

“Criamos um fluxo para que o visitante pudesse construir a história em sua cabeça”, reforça Vivas. “Não é apenas para olhar, é uma experiência imersiva.” O ateliê dos relojoeiros funciona em aquários, com tratamento acústico (sensível a helicópteros, inclusive), e cuidados com a variação de temperatura e pressão do ar para que nada afete a lapidação.

O museu visto de cima, imagem que recria uma clave de sol – Foto: Divulgação

Mais de 300 relógios cobrem centenas de anos de história da relojoaria. Fazem parte do acervo itens raros (até de outros relojoeiros, como o inglês Daniel Quare), colaborações com marcas como Cartier, Guerlain e Tiffany, modelos históricos, peças de design (escondidas em joias) e miniaturas.

Na coleção completa daquele que é o super trunfo da label suíça, o “Royal Oak”, há modelos dos mais tradicionais aos que celebram os países (incluindo o Brasil), além de versões esportivas. Em comum, todos causam frisson a cada anúncio e os compradores têm de mostrar por que devem ser honrados com tal padronagem.

Além de conhecer o savoir-faire regional, uma seleção de obras de arte criadas por artistas contemporâneos completa a visita. É a mistura de passado e futuro, que a marca tanto vislumbra.

O novo museu-ateliê fica em um prédio anexo ao seu primeiro museu, onde os mestres relojoeiros Jules Louis Audemars e Edward Auguste Piguet lapidaram suas primeiras obras, nos idos de 1875. Se os 145 anos estão sendo celebrados assim, aguarde a comemoração dos 150.