Charles Gavin/Foto: Lucas Landau

 
Entusiasta de processos criativos, o músico Charles Gavin apresentou efusivamente o trabalho do designer César Vilela em uma palestra na Casa FIRJAN nesta quarta-feira (11.01), no Rio-à-Porter.

Gavin fala sobre como as mudanças no design gráfico promovidas por Vilela há mais de 50 anos foram importantes e desenvolveram uma linguagem atemporal até hoje relevante e presente em campos como a moda. “A linguagem de César é simples e elegante. A dos artistas da bossa nova como Tom Jobim ou Silvia Telles, que, assim como se busca na moda, buscaram sempre a elegância em seus trabalhos.”

Harper´s Bazaar – No tempo da Bossa Nova os artistas tinham musas, mulheres belas e de personalidade inspiradora, como Norma Bengell. Quem você citaria como musa nos dias de hoje?

Charles Gavin – Essa pergunta é difícil, pois para chegar lá o caminho é diferente hoje em dia. Eu citaria a Céu, por sua voz e talento inconfundíveis e sua beleza estranha e enigmática. Se bem que ela não é carioca como as musas da Bossa Nova…

H.BComo você vestiria uma musa atual?

C.G – De Chanel. Sou fã da simplicidade da Chanel, que fez na moda o que a Bossa Nova fez na música e o César (Vilela) fez no design. Todos quebraram tabus.

H.BQual a trilha que você sugere para o inverno 2012?

C.G – Jobin Jazz,  volumes 1 e 2.

H.BO que a moda pode ensinar à música?

C.G – Vou voltar ao meu tempo de estudante: um professor de química me disse que a química era uma ciência mãe, que precisava de auxiliares como a matemática e a física. Eu acredito que o cinema não exista sem a música, e a moda pode se inspirar em música para produzir uma coleção. O punk, por exemplo, que inspirou a moda por necessidade econômica produzindo uma revolução estilística. Os dois se complementam.