Björk - Foto: Reprodução Harper's Bazaar Brasil Março
Björk – Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Brasil Março

Por Luísa Graça

Com 30 anos de carreira, a islandesa Björk, uma das cantoras mais cultuadas da música desde quando dividia vocais na banda indie Sugar-cubes, se estabeleceu como uma figura inovadora, proeminente, audaciosa e inquieta. Seu universo estético impactou toda uma geração, cruzando diversos canais de mídia. Sua discografia desafia a categorização de um gênero musical. Ela se autointitula cantora pop, mas o que faz como cantora e compositora é apenas uma entre as facetas de seu trabalho, que inclui fazer videoclipes fantásticos em parceria com diretores brilhantes, desenvolver um aplicativo pioneiro e estrelar suas próprias performances folclóricas semifuturistas em shows ao vivo. É tudo parte de uma rede de mundos criativos, emocionais, tecnológicos e naturais – sobrenaturais. Pelos experimentos com sons e imagens que faz em torno de sua voz delicada e pungente, Björk, à beira dos 50 anos, é tema de exposição que coloca sua obra em retrospecto no MoMAMuseum of Modern Art, em NovaYork, deste mês até junho.

Björk - Foto: Reprodução Harper's Bazaar Brasil Março
Björk – Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Brasil Março

“Como pendurar música em paredes?”, era o que ela e Klaus Biesenbach, curador-chefe do MoMA, tentavam responder durante os três anos de preparação da exposição que leva seu nome. Tal qual sua artista, a mostra oferece uma experiência musical em muitas camadas, compilando cronologicamente, como um mapa, sons, vídeos, objetos, instrumentos, roupas e imagens amarrados por um texto coescrito e narrado por ela. A Bobina de Tesla usada em Biophilia, disco de 2010, os robôs criados por Chris Cunningham para o vídeo All Is Full of Love e até mesmo o icônico vestido de cisne, de Marjan Pejoski, que vestiu na festa do Oscar de 2001, quando foi indicada pela música-tema do filme Dançando no Escuro, estarão no MoMA, assim como o vestido sino de Alexander McQueen e figurinos de Iris van Herpen e Hussein Chalayan. A expressão criativa de Björk é tão abrangente quanto colaborativa.

Desde a realização de seu primeiro disco solo, Debut, 1993, ela tem se aliado a diretores, fotógrafos, produtores, artistas e outros criativos experimentais que a permitiram fundir seus dissonantes interesses e suas visões em um conjunto de obra: vídeos dirigidos por Nick Knight, Michel Gondry e Spike Jonze – que trabalhou com ela vinte anos antes de ganhar seu Oscar pelo roteiro do filme Ela –, capas de álbuns fotografadas por Stéphane Sednaoui, Jean Baptiste Mondino e Inez & Vinoodh, dupla holandesa que figura entre os nomes mais importantes da fotografia de moda hoje. Foram estes últimos os escolhidos para fotografar a arte do recém-lançado disco Vulnicura, depois de fazerem as capas de Vespertine, Medulla e Biophilia.

Björk - Foto: Reprodução Harper's Bazaar Brasil Março
Björk – Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Brasil Março

A colaboração mais recente é com Andrew Thomas Huang, jovem artista visual americano com quem Björk realizou o novo vídeo Black Lake,“experiência imersiva” e inédita, comissionada exclusivamente para a exibição no museu. Filma- do em 3D, o vídeo engloba faixas pontuais de Vulnicura e tem paisagens tipicamente islandesas como cenário. Cavernas e campos de lava e musgo que, sob a névoa, refletem ideias de sofrimento e renascimento. Ideias que, obviamente, pulsam no disco novo (veja texto ao lado), descrito por ela como uma cirurgia de peito aberto em coração partido, decorrente do término de um relacionamento de 13 anos com o artista plástico Matthew Barney. Quem sempre transitou entre sentimento e ciência lança seu álbum mais carne e osso nessas condições. E faz mais música para pendurar na parede.