Calçadão de Copacabana/Foto: Fernando Donasci

Novidade das boas para quem curte fotografia. São Paulo ganha, neste mês, uma galeria dedicada exclusivamente ao ofício. Estamos falando da ƒ2.8 – leia-se dois oito -, que abre suas portas no dia 28.02, mais precisamente no bairro de Pinheiros.

Mariana de Alencar e Frâncio de Holanda, fotógrafos e sócios na empreitada, contam que buscaram trazer um conceito de galeria/loja para o espaço. “Em busca de imagens inusitadas, que nos surpreendam e emocionem, procuramos trabalhar com fotógrafos novos mas, principalmente, com fotógrafos com uma carreira longa e que ainda não tem o reconhecimento no mercado de arte.”, contou Mariana à Harper’s Bazaar,  nesta quarta-feira (08.02) “Tudo isso, somado a preços acessíveis para os compradores e técnicas de impressão que vão da fine art ao lambe-lambe e adesivos”, explicou a fotógrafa.

Bazaar  também aproveitou a oportunidade para conversar com Eugenio Montenegro, Rubens Kato, Marcela Ferri e Fernando Donasci; quatro dos fotógrafos que irão expor na galeria, que nos revelaram suas inspirações, paixões e dicas para um clique perfeito.

Confira!

Harper’s Bazaar –  De onde surgiu a sua paixão pela fotografia?

Eugenio Montenegro – Desde criança era fascinado pelas fotos da revista National Geographic, foi quando descobri o poder e a dimensão de uma imagem.

Rubens Kato – Sempre gostei de fotografia, deve estar no meu gene. Mas tenho levado essa brincadeira mais a sério há cinco anos, quando encontrei um grupo de amigos que saiam para tirar fotos nas ruas.

Marcela Ferri – Eu não sei explicar é apenas algo que eu sinto que devo fazer, tem gente que faz música, tem gente que escreve… A maneira que encontrei de expor o que sinto, foi através da fotografia.

Fernando Donasci – Pelo meu melhor amigo de infância, que hoje também é fotógrafo e filho de um grande fotojornalista. Eu cresci dentro da casa deles admirando fotos de jogos Olímpicos, Copas do mundo, Ayrton Senna, Michael Jordan e do Magic Johnson, além de imagens dos jogos de futebol estaduais. Decidi que era isso que queria fazer no futuro.

Bazaar  – Como você começou a tirar fotos? Fez algum curso?

EM – Iniciei sem muito conhecimento, meio que tentando acertar. Fiz um curso pra entender o básico de fotografia e saber usar uma máquina no manual, com isso intervindo no resultado da imagem.

RK – Nunca fiz nenhum tipo de curso, mas sempre fui meio autodidata. Não sou muito bom com técnicas e, pra complicar o cenário, gosto de fotografia analógica. Não tem essa história de clicar e ver como ficou. Imagina quanta foto eu perdi no começo! Errei muito, experimentei muito, tirei, e ainda tiro, muita foto. Isso ajuda…

MF – Eu estudei cinema, então faço muita pesquisa principalmente com livros infantis, ilustrações e alguns textos. Isso me ajuda a criar os cenários para o que quero mostrar.

FD – A minha preparação foi longa e calma, comprei minha primeira câmera com 15 anos, e fui estudar fotografia com 18. Mas como disse, sempre estava em contato com o tema, revelando fotos, e admirando imagens de todos os tipos, desde retratos ao fotojornalismo hard news.

Bazaar – Como funciona seu processo criativo?

EM – Depende do local que estou e do tempo disponível, muitas vezes vejo ensaios de fotógrafos profissionais e amadores e tento buscar idéias para adaptar a minha realidade e rotina. Acredito ser sempre bom ter referências.

RK – Não costumo escolher temas; eles vão surgindo naturalmente. Tiro muita foto, compro muitos livros, vejo muitas referências, vou a muitas exposições. Essas coisas ajudam a ter inspirações pra coisas novas.

MF – Eu estudo muito. Sou nerd assumida, leio, vou em toda exposição possível, mas os temas simplesmente vem . É como quando te dá uma vontade insana por chocolate. Você sabe que é o que você quer, vai lá e come. Eu sinto, é basicamente o que eu faço.

FD – Hoje escolho temas sempre pensando no lado humano e na plasticidade das imagens que eu posso conquistar naquela pauta.

Bazaar –  O que mais te motiva na fotografia?

EM – A possibilidade de gerar sentimentos através de uma imagem.

RK – Como costumo clicar cenas do cotidiano, gosto do fato de que, depois do clique, tudo vai ter mudado, tudo vai ser diferente. Aquele momento nunca mais vai se repetir.

MF – Não sei dizer o que me motiva. Sei que é o que eu tenho que fazer.

FD – O contato com as pessoas, conhecer e contar boas histórias, conseguir de certa forma fazer parte do sonho alheio, trabalhar com a realidade sem a interface da televisão, que às vezes pode ser obstáculo.

7) Alguma dica particular que gostaria de compartilhar com aspirantes a fotógrafos?

EM – Tente fazer uma fotografia, observando, pensando e não apenas tire uma foto. Pratique muito e aprenda com os erros.

RK – Eu diria pra sair tirando fotos, experimentar, tirar sem medo. Mas não é tirar 50 fotos de uma mesma coisa em 5 segundos, que é o que câmera digital proporciona. Pense, enquadre, espere, vá até o sujeito, abaixe, deite se for preciso, experimente ângulos novos, imagine essa foto pendurada na sua parede…

MF – A única coisa que posso dizer é que não precisa ser um gênio para entender, mas apenas ter um coração.

FD – Um técnica que eu gosto muito é manter sempre as linhas de uma foto tanto horizontais como verticais bem alinhadas. E no caso de uma foto aérea, tentar um ângulo perfeito de 90 graus, sempre traz um olhar diferente para a imagem.

Galeria ƒ2.8
Rua Cônego Eugenio Leite, 883
Pinheiros- SP